Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 554 | Fevereiro de 2025 | Campo Mourão - Paraná

ENCONTRO DE VERÃO

37° Encontro de Cooperados e 50 anos de Fazenda Experimental

A Coamo realizou entre os dias 27 e 31 de janeiro o 37º Encontro de Cooperados. Neste ano o evento trouxe além das tradicionais estações de pesquisa, a comemoração dos 50 anos de Fazenda Experimental Coamo. Uma marca que demonstra a visão da cooperativa em investir em pesquisa e tecnologia, trazendo as melhores soluções para o desenvolvimento do homem do campo.

Durante a semana, cooperados de toda a região produtora do Paraná e Santa Catarina acompanharam oito estações de pesquisa. Como em todos os anos, a participação foi expressiva. Durante os cinco dias, cerca de 5.000 associados passaram pelo evento. “Sempre tentamos trazer o que tem de mais de novo, moderno e inovador para agricultura, porém num formato de apresentação simples. O resultado de realizar um evento nesse formato é a presença expressiva dos cooperados”, afirma o coordenador da Fazenda Experimental, João Carlos Bonani.

Para a edição de 2025, Bonani revela que o planejamento foi especial. Afinal de contas, comemorar 50 anos merecia um evento histórico. “Após a aprovação da diretoria foi construído um memorial para contar a história da Fazenda Experimental. Esse será a recepção da Fazenda Experimental. Um espaço agradável e aberto, feito com materiais naturais, e acolhedor para as pessoas relembrarem a história. Também foi desenvolvido um logotipo comemorativo para marcar o momento”

Segundo o gerente de Assistência Técnica da Coamo, Marcelo Sumiya, o Encontro de Cooperados tem uma importância significativa. “Tanto o evento de verão quanto o de inverno, apresentam técnicas que visam melhorar o sistema de produção. São assuntos aplicáveis que já foram testados pela nossa equipe e pela pesquisa. Escolhemos no verão oito temas que consideramos mais relevantes, porém, todos os ensaios da nossa estação experimental são levados para o campo por meio da área técnica nas unidades.”

O diretor de Suprimentos e Assistência Técnica da Coamo, Aquiles de Oliveira Dias, reforça que neste ano a Coamo completa 55 anos de fundação e a Fazenda Experimental 50 anos. “Quando o Dr. Aroldo teve a visão de criar uma estação de pesquisa a Coamo estava no início. E, há 37 anos, realizamos esse encontro para levar esses experimentos para os cooperados. Um evento que vem sempre se modernizando, trazendo temas atuais, e também buscando mais conforto para os participantes.”

Dias destaca que para se ter sucesso no agronegócio é preciso estar sempre atualizado. “Quando o produtor adota as novas tecnologias ele reduz o custo de produção e aumenta a produtividade. Com isso cumprimos nossa missão de gerar renda para o nosso cooperado. Por isso, é importante ele participar e trazer a família.”

Para o presidente Executivo da Coamo, Airton Galinari, o impacto de tantos anos de pesquisa e difusão de tecnologia está visível no campo. “As terras de Campo Mourão e região eram ácidas e fracas. O Dr. Aroldo chegou e por meio do cooperativismo foi corrigindo o solo e hoje temos uma das terras mais produtivas do país. Saímos de uma média de 70 sacas de soja por alqueire e hoje tem gente de que chega a colher até 200. A maioria dos cooperados consegue colher em média de 150 a 180 sacas. Isso graças a esse trabalho aqui e a recomendação do nosso quadro técnico. Por isso, temos muitos motivos para comemorar 50 anos depois.”

O presidente do Conselho de Administração da Coamo e Credicoamo, José Aroldo Gallassini, sabia desde o começo que o conhecimento seria a verdadeira ferramenta de transformação da agricultura na região. “Depois de 50 anos, temos um grande exemplo de como a pesquisa transformou a realidade da agricultura. 

No encontro estratificamos alguns temas para serem apresentados, mas durante todo o ano, o cooperado recebe o conhecimento analisado nos ensaios por meio do quadro técnico que tem a tarefa de levar essas informações ao campo.”

Por tudo que faz e já fez pelo cooperativismo e para a agricultura, Gallassini foi homenageado por diversas empresas durante o encontro deste ano, e ainda recebeu um reconhecimento especial pelo trabalho desenvolvido. Ele plantou uma muda peroba.

Neste ano o evento abordou os seguintes temas: Do monitoramento ao controle: estratégias para o manejo de percevejos na cultura da soja; Ensaio de rotação de culturas: 40 anos de pesquisa; Critérios para recomendação de calagem e gessagem no solo; Serviços disponibilizados pela Coamo através das empresas parceiras para monitoramento de nematoides e tecnologia de aplicação; Desafios e alternativas no manejo do capim pé-de-galinha; Dinâmica do boro no sistema de produção soja-milho e práticas de adubação; Inovação e gestão no campo: programas da Coamo que transformam a agricultura e Mancha de bipolaris na cultura do milho: identificação e manejo.

José Aroldo Gallassini, presidente do Conselho de Administração

Airton Galinari, presidente Executivo da Coamo

Aquiles Dias, diretor de Suprimentos e Assistência Técnica

Em comemoração aos 50 anos da Fazenda Experimental foi lançado o novo logotipo da fazenda

Durante o encontro, foi inaugurado um memorial para contar a história da Fazenda Experimental. O espaço é a recepção da fazenda. Também foi desenvolvida uma maquete da réplica da fazenda.” Participaram da inauguração o vice-governador do Paraná, Darci Piana, o prefeito de Campo Mourão, João Douglas Fabrício, e o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken

Por tudo que faz e já fez pelo cooperativismo e para a agricultura, José Aroldo Gallassini recebeu várias homenagens durante o encontro deste ano, e ainda houve um reconhecimento especial pelo trabalho desenvolvido. Ele plantou uma muda de peroba na sede da Fazenda Experimental

 

Várias empresas e institutos de pesquisa parceiros da Coamo homenagearam os 50 anos da Fazenda Experimental

Gallassini também recebeu uma maquete da Fazenda Experimental das mãos do gerente de Assistência Técnica da Coamo, Marcelo Sumiya, e do coordenador da Fazenda Experimental em Campo Mourão, João Carlos Bonani

Vice-governador do Paraná, Darci Piana, visita Memorial Coamo e o Encontro de Cooperados

O vice-governador do Estado do Paraná, Darci Piana, esteve em Campo Mourão (PR), na sede da Coamo Agroindustrial Cooperativa. Ele visitou o Memorial da cooperativa e participou do 37° Encontro de Verão da Fazenda Experimental, onde discursou para os cooperados presentes. Quem também acompanhou a comitiva do governador em exercício, foi o presidente da Ocepar, José Roberto Ricken e o prefeito de Campo Mourão, Douglas Fabrício. Ambos comemoraram junto à diretoria da Coamo e aos associados, os 50 anos de fundação da Fazenda Experimental e a inauguração do Memorial para valorizar essa marca.

Piana avalia a relevância da Fazenda Experimental para o desenvolvimento da agricultura e do cooperativismo. “Com essa fazenda a Coamo cresceu e se desenvolveu. Isso, na verdade, é uma escola ao ar livre. Todo mundo aprende e leva para a sua terra, aplica, cresce e a Coamo cresce junto, e os Estados onde a Coamo está crescem também.”

Segundo o vice-governador, o que a Fazenda Experimental proporciona não termina na Coamo. “As experiências daqui passaram para outras cooperativas e muita gente está se benefi ciando dos experimentos que estão sendo feitos aqui. Isso não tem fronteira, é muito bom pois ajuda o cooperativismo, as famílias e todos que estão envolvidos direta e indiretamente com a Coamo. E o resultado já conhecemos, é a maior empresa do Paraná.”

Darci Piana ainda enalteceu o Memorial Coamo, espaço que fez parte do seu itinerário. “Foi fantástico. Faz tempo que não via nada igual. Aliás eu rodo o mundo e tenho visto vários memoriais, mas igual a esse não vi em lugar nenhum. Estive recentemente na China, onde visitei um memorial, mas não é nem parecido com isso aqui. Graças ao José Aroldo Gallassini temos tudo isso no Paraná para mostrar ao Brasil e ao mundo. Parabéns à Coamo, ao Gallassini e a toda diretoria por esse memorial que trará muito conhecimento para muita gente.”

Autoridades destacam os 50 anos da Fazenda Experimental

O presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, recorda que são 50 anos de orientação ao produtor rural. “São 50 anos de tecnologia, geração de oportunidades e segurança técnica. Então tudo aquilo que a Coamo oferece ao cooperado passa por aqui. Ele pode adquirir aquilo que ele precisa com segurança, pois tem tecnologias para todas as culturas e insumos com qualidade. Ninguém faz algo assim.”

Quem sempre está nos encontros da Coamo é o chefe Geral da Embrapa Soja, Alexandre Lima Nepomuceno. “Esse é um ano muito especial. 50 anos da Fazenda Experimental da Coamo, mostrando a visão dos seus gestores 50 anos atrás, e coincidentemente esse ano completamos também 50 anos da Embrapa Soja. Nesse tempo, construímos com a liderança da Coamo e os pesquisadores da Embrapa um experimento que é histórico no Brasil: 40 anos de rotação de culturas. Um experimento que ajudou a definir as melhores espécies, os melhores momentos do ano para se cobrir o solo, para otimizar a produtividade de culturas importantes como a soja, o milho e o trigo. Esse experimento teve um papel extremamente importante para estabelecer o plantio direto na região e espalhar isso para o Brasil.”

A Embrapa também homenageou o presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini com uma medalha. “A ciência e a tecnologia não podem ficar no laboratório e na fazenda que se faz essa ligação. A Coamo é uma grande parceira da Embrapa. Aqui existe essa aproximação entre a ciência básica aplicada, o produtor rural e a aplicação prática. Por isso, aproveitamos a oportunidade e demos uma medalha ao Dr. Aroldo pela parceria nesses 50 anos da Coamo com a Embrapa, porque sempre estivemos juntos, trabalhando, discutindo e colocando os pontos de vistas técnicos. É uma parceria, em cooperação que se vê em poucos locais no mundo. Várias unidades da Embrapa atuam aqui na Fazenda experimental. Isso que é importante, a pesquisa não pode ficar só nos laboratórios.”

Natalino Avance de Souza, secretário de Agricultura do Paraná, reconhece o papel histórico que a Coamo desenvolveu por meio da Fazenda Experimental. “A Coamo transformou uma região, que só tinha sapé, saúva e samambaia, num grande potencial agrícola. Precisamos reconhecer e isso significa também olhar para frente e planejar o nosso futuro, principalmente numa época que com adversidades climáticas cada vez mais frequentes. Então quando se vê um experimento de 40 anos de rotação de culturas, ficamos feliz e fazemos questão de vir aqui para reconhecer esse papel histórico e colocar a Secretaria da Agricultura à disposição da Coamo. São essas questões que fazem do Estado o principal produtor de grãos e principal produtor de proteína animal do nosso país. As cooperativas têm um papel fundamental nisso e a Coamo é um ícone nesse cenário.”

José Roberto Ricken, presidente do Sistema Ocepar, recebeu uma réplica da Fazenda Experimental

Coamo foi homenageada pela Embrapa Soja pelos 50 anos da Fazenda Experimental e parceria desenvolvida no local. Alexandre Lima Nepomuceno, chefe Geral da Embrapa Soja, participou do encontro em Campo Mourão

Natalino Avance de Souza, secretário de Agricultura do Paraná

 

Darci Piana, vice-governador do Paraná, também recebeu uma réplica da Fazenda Experimental

Credicoamo participa do 37º Encontro de Cooperados na Fazenda Experimental Coamo

Durante o Encontro de Cooperados, também ocorreu a exposição de máquinas e implementos agrícolas, com mais de 120 produtos de vários parceiros. A Credicoamo e a Credicoamo Seguros participaram oferecendo linhas de crédito para o fi nanciamento aos associados que adquiriram produtos com recursos dos programas do BNDES e FCO.

Por sua vez, a Credicoamo Seguros demonstrou aos associados os vários ramos de seguros que estão disponíveis para proteção do patrimônio dos associados e que devem fazer parte da gestão da propriedade.

Ensaio de rotação de culturas: 40 anos de pesquisa

Diego Mário Boiani (Xanxerê), Roberto Bueno Silva (Campo Mourão), Caroline Pontes de Souza (Ouro Verde) e Giolvar Rombaldi (Abelardo Luz)

O experimento sobre rotação de culturas na Fazenda Experimental de Campo Mourão iniciou em 11 de abril de 1985, completando 40 anos nesta safra, sendo o ensaio mais longevo do Brasil. Desde a implantação, o departamento Técnico da Coamo e pesquisadores da Embrapa Soja acompanham os efeitos da rotação de culturas ao longo dos anos. Entre os principais impactos estão o aumento da produtividade, a melhora das condições físicas, químicas e biológicas do solo e a lucratividade da atividade.

O engenheiro agrônomo, Roberto Bueno Silva, da Coamo em Campo Mourão, destaca que o cooperado, na propriedade, não tem condições de gerar tantos dados por tantos anos como ocorre na Fazenda Experimental. “É uma pesquisa de longo prazo, que exige investimento. Ensaios como o de rotação de culturas precisam ser conduzidos por um período extenso para avaliar as diferenças entre os sistemas produtivos.”

Segundo ele, a região de atuação da Coamo apresenta diferenças signifi cativas de solo e clima. “Temos áreas mais baixas e quentes, como a região de Campo Mourão, Vale do Ivaí, Oeste do Paraná e Mato Grosso do Sul, onde predomina a sucessão soja e milho segunda safra. Já nas regiões mais altas e frias, o trigo ganha espaço na sucessão com a soja. São sistemas produtivos efi cientes. Mas, ao longo dos anos, sem rotação de culturas, surgem desafios técnicos e econômicos”, sugere.

O ensaio na Fazenda Experimental foi implantado em 1985, quando o sistema de plantio direto ainda era recente. “Nessa época, havia alguns desafios e a pesquisa indicava que a rotação de culturas poderia ser uma técnica efi ciente para enfrentar esses problemas”, explica Bueno. Ele reforça que, apesar do reconhecimento da importância da rotação de culturas, a adoção nas lavouras ainda é limitada. “O produtor, muitas vezes, acredita que cultivar grãos continuamente garante mais rentabilidade. No entanto, nossos dados mostram que a diversificação pode ser mais vantajosa. Na região quente, por exemplo, substituir 30% da área de milho segunda safra por braquiária ruziziensis, ao longo das safras, resulta em mais retorno econômico. Na região fria, resultados semelhantes foram observados”. “Esperamos que, com as informações repassadas no encontro de verão, os cooperados possam aprimorar ainda mais os sistemas produtivos e obter melhores resultados econômicos”, conclui Bueno. 

O pesquisador da Embrapa Soja, Henrique Debiasi, reforça que a realidade da produção de grãos no Paraná em 1985 era bem diferente da atual. "Naquela época, predominava o preparo convencional do solo, o que resultava em grandes perdas por erosão. O sistema de plantio direto ainda estava no início, com menos de 200 mil hectares no Estado, representando menos de 5% da área total."

Debiasi recorda que a expansão do plantio direto era uma necessidade, mas enfrentava desafios tecnológicos, como a falta de máquinas adequadas e o manejo de plantas daninhas, além da predominação da sucessão soja e trigo. “Foi nesse contexto que surgiu o ensaio de rotação de culturas. A Embrapa teve a felicidade de participar desde o início. Eu sou a terceira geração de pesquisadores nesse experimento", diz.

Durante o Encontro de Verão, houve a troca de uma placa que destaca o ensaio de rotação de culturas com soja realizado na Fazenda Experimental. Trabalho é realizado em parceria com a Embrapa e é o mais longevo do Brasil

O ensaio apresentado no encontro com cooperados contou com 12 tratamentos, compostos por diferentes sistemas de rotação de culturas. "As variações ocorrem conforme a existência ou não de rotação no verão, entre soja e milho, e no outono-inverno, com trigo, milho segunda safra e plantas de cobertura", explica. Esses sistemas possuem ciclos de quatro anos e são comparados com a sucessão soja-trigo, predominante na época da implantação do experimento. "Temos um tratamento em que cultivamos trigo no inverno e soja no verão há 40 anos, o que nos permite analisar a dinâmica química, física e biológica do solo em diferentes cenários."

Segundo o pesquisador, os resultados mostram que os efeitos da rotação de culturas ocorrem no médio e longo prazo. "Foi necessário mais de 15 anos de experimentação para observar diferenças consistentes na produtividade das culturas. Todas as culturas envolvidas produzem mais nos sistemas de rotação, com ganhos que variam entre 5% e 20%, dependendo da cultura. "O trigo é o mais responsivo, seguido pelo milho verão, milho segunda safra e, por último, a soja, que responde à rotação, mas de forma menos expressiva. Mas, mesmo assim é um retorno importante."

O pesquisador ressalta ainda que os benefícios vão além da produtividade. "A rotação de culturas melhora todas as propriedades do solo, especialmente a parte física. O experimento mostra que, mesmo após 40 anos de plantio direto sem revolver o solo, não há problemas de compactação, mesmo em áreas com mais de 75% de argila. Além disso, o perfil químico do solo foi mantido adequado, com aplicações de calcário em superfície. A atividade biológica também apresenta melhorias signifi cativas. A rotação aumentou em até 40% a atividade biológica do solo, reduzindo prejuízos com nematoides e fungos”, destaca Debiasi.

Alexandre Lima Nepomuceno, chefe-geral da Embrapa Soja, destaca que a longevidade do experimento é um fator essencial para sua relevância, pois permite a coleta de dados de longo prazo sobre a influência de diferentes culturas e épocas de plantio. “Foi ao longo das décadas que conseguimos consolidar informações valiosas, o que reforça a importância de manter esse tipo de estudo.”

Henrique Debiasi, Embrapa Soja

Do monitoramento ao controle: estratégias de sucesso contra percevejos na soja

A cultura da soja está sujeita à infestação de diversas pragas ao longo do ciclo de desenvolvimento. Caso essas pragas não sejam monitoradas e controladas, o agricultor pode sofrer perdas significativas de produtividade e prejuízos financeiros. O percevejo é considerado um dos principais desafios, atacando a cultura a partir da fase de formação das vagens e comprometendo a qualidade e a produtividade. Neste sentido, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) é fundamental para o controle eficiente desse inseto.

O engenheiro agrônomo, Itamar Leandro Suss, da Coamo em Campo Mourão, ressalta a importância do monitoramento frequente. “O produtor precisa monitorar a lavoura desde a fase do florescimento, para identificar a presença do percevejo e adotar as medidas necessárias.”

Segundo Suss, a principal ferramenta de monitoramento é o pano de batida, que permite a contagem e análise da infestação. “Nas lavouras comerciais, o nível de controle é de dois percevejos por pano de batida, enquanto nas áreas destinadas à produção de sementes, esse limite é de um percevejo por metro por pano”, afirma. Ele destaca que a correta identificação do momento de intervenção evita aplicações desnecessárias de defensivos e contribui para um manejo mais sustentável.

Outro ponto abordado é a necessidade de alternância de produtos químicos para evitar resistência das pragas. “O produtor não deve utilizar sempre os mesmos modos de ação. É importante discutir com o engenheiro agrônomo e avaliar novas alternativas disponíveis”, orienta Suss.

O percevejo pode causar danos tanto quantitativos, com perda de estrutura da planta e redução do peso dos grãos, quanto qualitativos, afetando a qualidade industrial da soja. “Se a praga não for controlada no início da formação dos grãos, o impacto na qualidade final pode ser signifi cativo. O Manejo Integrado de Pragas, aliado ao acompanhamento técnico, é a chave para minimizar os impactos e garantir uma produção de qualidade”, alerta.

Suss também destaca o impacto das ninfas na cultura. As ninfas representam 70% dos danos causados pelo percevejo. “Elas ficam na parte inferior da planta, difi cultando o controle, e precisam ser manejadas antes que atinjam estágios mais avançados.”

Outro fator essencial para o sucesso no controle do percevejo é a correta aplicação dos defensivos. “Mesmo um bom produto pode ter sua eficiência reduzida se aplicado em condições climáticas inadequadas ou com equipamentos desregulados.

O produtor precisa estar atento à vazão, ao tipo de bico utilizado e às condições do ambiente para garantir uma aplicação eficiente”, conclui.

Gabriele Tomé (Syngenta), Macksuel Vinicius Coneglian (Janiópolis), Amanda Paola Costa (Roncador), Elias Roveda (Juranda), Matheus Ferreira Cumani (Luiziana) e Itamar Leandro Suss (Campo Mourão)

Calagem: critérios para recomendação de calagem e gessagem no solo

Marcelo Batista, UEM

A acidez superficial dos solos, caracterizada pelo excesso de íons H+ e Al3+ na solução do solo, afeta diretamente o desenvolvimento radicular e o aproveitamento de nutrientes pelas plantas. A calagem é a prática mais indicada para corrigir a acidez, neutralizar o alumínio trocável e fornecer cálcio e magnésio. No entanto, a aplicação excessiva ou inadequada pode ter impactos negativos para o desenvolvimento das culturas.

O engenheiro agrônomo, Andrew Akihito Ouchita Gomes, da Coamo em Quarto Centenário, destaca que o objetivo da estação foi apresentar boas práticas agronômicas para aplicação de calagem e gesso. “Muitos cooperados, muitas vezes, não utilizam os critérios corretos para uma boa aplicação, o que pode gerar problemas no campo, principalmente em produtividade”, afirma. 

Sobre os critérios adequados para a utilização do gesso agrícola, o agrônomo explica que é necessário avaliar a análise de solo que deve considerar a saturação por alumínio e o teor de cálcio. “O gesso fornece cálcio e enxofre nas camadas subsuperficiais e auxilia na neutralização do alumínio nessas camadas.”

Sobre a dosagem correta, o engenheiro agrônomo esclarece que não há uma quantidade fi xa para todos os casos. “Não existe uma receita única, como aplicar uma quantidade específi ca por hectare. A recomendação deve ser baseada na necessidade apontada pela análise.”

Henrique Cortellini (Ipuaçu), Willian Diego Vilela (Cruzmaltina), Andrew Akihito Ouchita Gomes (Quarto Centenário) e Marcos Vinicios Garbiate (Dourados)

Sobre a possibilidade de aplicar calcário e gesso juntos, Gomes afi rma que isso depende das condições do solo. “Se o teor de magnésio estiver adequado, é possível aplicar os dois produtos juntos. Caso contrário, o ideal é primeiro corrigir o teor de magnésio com calcário e, no ano seguinte, aplicar o gesso”, orienta. A escolha entre calcário dolomítico e calcítico também deve considerar a análise química do solo. “Se o teor de magnésio for inferior a 1 cmolc dm-3, é necessário aplicar calcário dolomítico. Caso o teor seja superior, pode-se optar pelo calcário mais viável economicamente”, explica.

O pesquisador, Marcelo Augusto Batista, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), destaca que o calcário ainda é um fator essencial para a produção de culturas agrícolas. “É um produto que precede até mesmo as aplicações de nitrogênio, fósforo e potássio, que são feitas anualmente. A efi ciência da adubação depende diretamente da calagem realizada anteriormente.” 

Segundo o pesquisador, muitos produtores têm priorizado o uso de fertilizantes em detrimento do calcário. “Temos dados que mostram que a maioria das propriedades da região apresentam níveis adequados de fósforo e potássio. No entanto, a frequência de áreas com valores baixos de saturação por bases (V%) — um indicador da necessidade de calagem — ainda é alta. O uso de calcário deve estar na mesma proporção dos fertilizantes para garantir boas produtividades”, afirma.

Serviços para monitoramento de nematóides e tecnologia de aplicação

A Coamo oferece aos cooperados diversos serviços em parceria com empresas buscando sempre melhorar o sistema de produção. Isso proporciona soluções e resultados no campo. Nesta edição do Encontro de Verão, em comemoração aos 50 anos da Fazenda Experimental, alguns dos trabalhos oferecidos foram apresentados aos cooperados. Quatro empresas apresentaram suas práticas: a FMC, com o programa Comando Nematoides; a Simbiose, com o programa Pré-Nema; a Mulching Six, com o Sintea; e a Spraytec, com o Supergota.

O engenheiro agrônomo, Lucas Gouveia Vilela Esperandino, da Coamo em Campo Mourão, destaca a relevância dessas parcerias. "O intuito da nossa estação é, além de levar conhecimento ao cooperado, comemorar os 50 anos da Fazenda Experimental. Não fizemos nada sozinhos. Ao longo dessas cinco décadas, tivemos muito apoio e apoio das empresas.”

Os assuntos abordados foram tecnologia de aplicação e identificação de nematoides. Ele revela que ainda há desafios sobre esses temas. "Na tecnologia de aplicação, a principal dificuldade é a manutenção dos equipamentos, especialmente a substituição das pontas de pulverização. Já em relação aos nematoides, o maior desafio é sua natureza microscópica. Como o produtor não consegue vê-los, muitas vezes não dá a devida atenção ao problema até que os danos se tornem visíveis na lavoura. Quando surgem as reboleiras e a produtividade cai, ele percebe que algo está errado."

Esperandino acrescenta que para a correta identificação de nematoides, o primeiro passo é uma amostragem bem realizada. “Após identificar a espécie de nematoide presente na área, definimos junto ao departamento Técnico estratégias de manejo. Sabemos que, uma vez instalado na lavoura, o nematoide não pode ser erradicado.

 O manejo adequado é a chave para minimizar os impactos e conviver com a praga de forma controlada." 

Ainda segundo o agrônomo, os serviços oferecidos pela Coamo, em parceria com as empresas, auxiliam os cooperados na tomada de decisão, seja na escolha correta de uma ponta de pulverização ou em uma análise precisa de nematoides. “Essas informações fazem diferença. As parcerias permitem que a cooperativa acompanhe as inovações do mercado e leve até o cooperado o que há de mais atual. Nosso objetivo é garantir que o produtor tenha acesso às melhores estratégias para aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida."

Mateus Wilhelm e Gustavo Adelcio Reis Dias (Spraytec); Rafaela Bueno Loreto, Steffani Lucca e Andreir Campos (Simbiose); Leomar José Hermann, Ricardo Russo da Cunha Frederico, Ademir Goelzer e Ruan Felipe Waldera (Unity); Ezequias Teófi lo Correia, Guilherme Lima Mantovani e Evaldo Moreira (FMC); Lucas Gouvea Vilela Esperandino (Campo Mourão), Erisson Lubacheski do Amaral (Ivaiporã), Edson Carlos dos Santos (Campo Mourão) e Joice Scheeren (Ouro Verde do Oeste)

Inovação e gestão no campo: programas da Coamo que transformam a agricultura

A agricultura tem passado por constantes transformações tecnológicas. Para acompanhar essa evolução, a Coamo oferece plataformas de gestão e serviços voltados à agricultura de precisão, como aplicação em taxa variável de corretivos, marcação de terraços, monitoramento de áreas via imagens de satélite, o programa Gestor Rural, que auxilia no controle de custos de produção, entre outros. Durante o Encontro de Verão, os visitantes conheceram melhor essas soluções e entenderam como aplicá-las.

O engenheiro agrônomo, Fabrício Bueno Corrêa, da Coamo em Campo Mourão, explica que o objetivo foi apresentar aos cooperados os programas disponíveis.

 “Os produtores que participaram do encontro tiveram a oportunidade de conhecer ou relembrar os serviços oferecidos para a gestão da propriedade e a agricultura de precisão”, afi rma.

Segundo ele, a cooperativa repassa essas informações a todo o quadro social. “Temos o Gestor Rural, que auxilia o cooperado no acompanhamento de custos de produção, por exemplo. Mostramos como funciona, seu objetivo e como acessá-lo. É um programa que está disponível gratuitamente para todos os cooperados”, revela o agrônomo.

Alex Antonio Ribeiro (Reserva), Samuel Ribas Silva (Dez de Maio), Fabrício Bueno Corrêa (Campo Mourão), Victor Hugo Matias Cangussu de Moura (Engenheiro Beltrão) e Dener Conrado (Campo Mourão)

Outro destaque é o sensoriamento remoto. “O cooperado pode utilizar imagens de satélite para monitoramento da lavoura, facilitando diagnósticos e a tomada de decisões”, pontua Corrêa. A fertilidade do solo também é um dos focos da cooperativa. “Lembramos os cooperados que a Coamo oferece suporte em todo o ciclo produtivo, incluindo análises químicas, físicas e biológicas do solo, além de novos serviços como a conservação com terraceamento agrícola”.

A cooperativa também disponibiliza soluções para o manejo de pragas e doenças. 

“Contamos com profissionais que visitam as propriedades para auxiliar no controle integrado de pragas, doenças e plantas daninhas, permitindo a aplicação de defensivos em taxa variável para otimização dos recursos”, destaca Corrêa. Além disso, há ferramentas voltadas ao monitoramento da telemetria de máquinas, contribuindo para uma gestão operacional mais eficiente. 

Os aplicativos da Coamo também são uma ferramenta relevante para os cooperados. “Muitos produtores já utilizam o celular no dia a dia, e a Coamo evoluiu com serviços acessíveis via aplicativos. Por meio dessas ferramentas, os agrônomos conseguem profissionalizar as visitas às propriedades, registrando recomendações, receituários agronômicos e imagens para um acompanhamento mais eficiente”, explica.

Conforme o agrônomo, essas soluções auxiliam diretamente na tomada de decisões pelos cooperados. “Nosso objetivo é agregar valor ao produtor, garantindo que ele tenha ferramentas eficazes para interpretar e analisar as informações da lavoura. Isso permite decisões mais assertivas, otimizando o uso de recursos, reduzindo custos e, em muitos casos, aumentando a produtividade”, finaliza Corrêa.

Desafios e alternativas no manejo do capim pé-de-galinha

Paulo Nedes de Souza Peres (Manoel Ribas), Carlos Vinicius Precinotto (Mamborê), Rogério Birelo Tibério (Moreira Sales), Eugênio Mateus Schleder Pawlina Junior (Roncador), Carlos Alberto Della Riva (Goioerê)

O manejo de plantas daninhas tem se tornado um desafio crescente nos últimos anos, especialmente devido ao aumento de casos de resistência a herbicidas. O capim pé-de-galinha tem se destacado pelo crescimento de áreas afetadas e pela dificuldade de controle. No Brasil, já foram relatados casos de biótipos resistentes a herbicidas que, quando presentes nas lavouras, exigem estratégias diferenciadas para um controle eficiente.

O engenheiro agrônomo Carlos Vinícius Precinotto, da Coamo em Mamborê, explica que a resistência da planta daninha dificulta o controle e pode impactar na produtividade. “O capim pé-de-galinha tem aumentado muito, principalmente na cultura da soja, e tem resistência a diferentes mecanismos de ação, exigindo um manejo mais criterioso. Um dos pontos fundamentais é o produtor realizar o controle no momento adequado. O ideal é manejar a planta ainda pequena, com até dois perfilhos.”

Ele destaca a importância do uso de novas tecnologias para minimizar os impactos da resistência. “O uso de herbicidas pré-emergentes tem ajudado a reduzir o fluxo de sementes no solo, facilitando o manejo. A resistência pode ser confundida com escapes causados por aplicações tardias ou doses inadequadas de herbicidas, o que reforça a necessidade de assistência técnica especializada”, orienta Precinotto.

O agrônomo enfatiza a relevância da aplicação sequencial e do uso de pré-emergentes para o sucesso do manejo. “Existem produtos já registrados e outros sendo testados. Mas, o mais importante é que o cooperado compreenda a necessidade do uso adequado dessas ferramentas”, destaca.

Precinotto reforça a importância de conhecer a resistência da planta daninha presente na área para escolher as melhores estratégias de controle. “A aplicação sequencial é fundamental para todas as plantas daninhas de difícil controle. Em alguns casos, o uso de técnicas complementares, como roçada química ou mecânica, pode melhorar a eficácia dos herbicidas.”

O pesquisador, Fernando Storniolo Adegas, da Embrapa Soja, reitera que o capim pé-de-galinha é bastante conhecido e já adaptado em todo o Brasil, e o aumento da resistência tem se tornado um agravante. Ele explica que a planta está passando por transformações nas populações para aumentar a resistência, o que tem impactado signifi cativamente as áreas agrícolas.

Em relação ao manejo, a identificação precisa do capim pé-de-galinha é fundamental para um controle eficiente. “É uma planta que se diferencia de outras, pois possui resistência a alguns herbicidas. Portanto, o manejo precisa ser personalizado para cada área. Com o auxílio de um agrônomo da cooperativa, o cooperado pode obter uma solução efi caz para o problema”, afirma Adegas.

O pesquisador diz que a resistência da planta daninha tem se expandido e um dos motivos pode ser o trânsito de máquinas agrícolas, já que o capim pé-de-galinha pode ser levado de regiões com mais resistência, como o Cerrado, para outras áreas. "Certamente, o trânsito de máquinas agrícolas tem contribuído para a disseminação dessa planta daninha. No Cerrado, o problema de resistência é mais grave", alerta.

No entanto, ele enfatiza que existem soluções para o controle do capim pé-de-galinha, com manejos adequados. “Pode ser um trabalho mais custoso, mas é necessário para controlar essa planta. Embora alguns produtos sejam mais caros, são efi cazes no controle da resistência. Temos soluções para o controle dessa planta daninha. O que foi mostrado no encontro de cooperados é muito promissor”, conclui o pesquisador.

Rubem Silvério de Oliveira Junior, pesquisador da Universidade Estadual de Maringá (UEM), comenta que atualmente o capim pé-de-galinha é considerado uma das principais plantas daninhas do Brasil. "O capim-pé-de-galinha se tornou o inimigo número um do agricultor, aquele que ele tem mais difi culdade em controlar e que exige mais recursos para o manejo. Além disso, temos visto muitos casos de escapes, onde o agricultor aplica o herbicida, mas o problema continua."

Rubem Silvério de Oliveira Junior, UEM

Fernando Adegas, Embrapa Soja

Dinâmica do boro no sistema de produção soja-milho e práticas de adubação

O boro é considerado por muitos como o "macro dos micronutrientes" devido à sua importância em diversos processos do metabolismo das plantas. No entanto, é um elemento que exige dos técnicos e produtores um cuidado especial para garantir uma nutrição adequada. Por isso, é essencial conhecer as exigências nutricionais das culturas e o ambiente de produção de cada propriedade para tomar boas decisões na aplicação.

O engenheiro agrônomo, José Petruise Ferreira Júnior, da Coamo em Campo Mourão, ressalta a dinâmica do boro dentro do sistema de produção. "O conceito em si é bem complexo. Diante disso, é importante termos um espaço, como o nosso encontro com cooperados, para discutir sobre esse nutriente, que é essencial para a planta, assim como comida, água e ar são para nós."

O boro, por ser um micronutriente, é exigido em gramas por tonelada de grãos produzidos, seja para soja, milho ou trigo. "Isso difere dos macronutrientes, que são exigidos em quilogramas por tonelada produzida. Independentemente de ser micronutriente ou macronutriente, é essencial para a planta e exige cuidados especiais dentro do sistema de produção", acrescenta.

Conforme o agrônomo, o material de origem dos solos da região, que são derivados do basalto e do arenito, é pobre em boro. "A participação do boro na crosta terrestre é de apenas 0,001%, o que torna esse elemento escasso no sistema. Além disso, a matéria orgânica do solo, que é o maior reservatório de boro, também pode ser insuficiente em solos pobres", observa.

O agrônomo destaca a importância de conhecer as opções de fertilizantes disponíveis no mercado. "Temos diversas opções de produtos para fornecer esse nutriente aos sistemas de produção, e a parte prática também foi abordada na nossa estação de pesquisa", afirma.

Ele também aborda a importância do pH do solo. "Em solos com pH baixo, a disponibilidade de boro é reduzida, pois ele se liga a óxidos de ferro e alumínio. Da mesma forma, em solos com pH muito alto, devido ao uso inadequado de calcário, a planta também encontra dificuldades para absorver esse nutriente", diz e reitera a importância de manter níveis adequados de boro no solo.

 "Cerca de 80% dos nossos solos são deficientes em boro. O nível adequado de boro no solo é de 0,3 a 0,5 miligramas por decímetro cúbico." 

O manejo nutricional das lavouras é uma ferramenta crucial para garantir o desenvolvimento adequado de qualquer cultura, permitindo que ela expresse seu potencial de rendimento. "O boro tem uma dinâmica muito grande no solo e, normalmente, é deixado de lado, porque o diagnóstico não é realizado em uma análise de rotina", destaca Tadeu Inoue, pesquisador da Universidade Estadual de Maringá (UEM). "Entretanto, tanto o desenvolvimento do sistema radicular quanto da parte aérea, exigem um teor adequado de boro no solo", acrescenta.

Devido à alta dinâmica do boro, é importante fornecer esse nutriente de maneira gradual e nunca em altas quantidades. "Quando aplicamos altas doses de boro, podemos ter perdas por lixiviação, pois a planta não consegue aproveitar tudo, além da possibilidade de fitotoxicidade", explica Inoue. Por isso, é fundamental que o produtor esteja atento às formas adequadas de fornecimento de boro para as culturas. "Existem diferentes formas de aplicar o boro, dependendo da capacidade operacional e das recomendações técnicas. Podemos aplicar junto com herbicidas, garantindo uma aplicação uniforme em toda a área, ou misturar com formulados NPK na semeadura", detalha. O fornecimento via foliar também pode ser uma opção, dependendo das condições climáticas e do estádio fenológico da cultura. "Essa prática garante uma boa nutrição durante todo o desenvolvimento da safra, fazendo com que as plantas tenham um bom potencial de rendimento", afirma.

Tadeu Inoue, UEM

Mancha de bipolaris na cultura do milho: identificação e manejo

A mancha de bipolaris tem causado prejuízos na cultura do milho nas últimas safras. É uma doença fúngica que tem se agravado principalmente devido às condições climáticas. Para combater esse problema, a estação de pesquisa na Fazenda Experimental realizou durante o Encontro de Verão treinamentos para cooperados e agrônomos, com o objetivo de ajudá-los a identificar a doença e entender as melhores estratégias de manejo. O treinamento abordou temas como identifi cação da doença, tratamento de sementes, tolerância varietal, defensivos químicos e épocas de aplicação, visando o melhor controle e a produtividade da cultura.

"Nos últimos 3 anos, a mancha de bipolaris tem se manifestado com frequência crescente e mais pressão. Trouxemos informações sobre a identificação e o manejo dessa doença para a cultura do milho", afirma Juliano Seganfredo, engenheiro agrônomo da Coamo em Engenheiro Beltrão. Ele explica que o monitoramento é fundamental para a identificação das doenças nas lavouras. 

“A partir do momento em que o milho é plantado e emerge, devemos começar a monitorar a área. Se identificarmos manchas nas folhas, é essencial saber qual doença está presente. Nesse caso, o engenheiro agrônomo da Coamo pode ajudar a identificar corretamente, possibilitando um manejo mais adequado", pontua.

Roberto Carvalho (LongPing), Juliano Seganfredo (Engenheiro Beltrão), Diego Rodrigo Gonçalves Padilha (Fênix), Jefferson Wellington Volpato Jede (Nova Santa Rosa) e Marcelo Soares da Silva (Mamborê)

Seganfredo revela que as práticas de manejo devem ser integradas: o manejo genético, que envolve a escolha de híbridos mais tolerantes à doença; o químico, com a aplicação de fungicidas, tanto no tratamento de sementes quanto nas aplicações aéreas; e o cultural, que inclui práticas como a rotação de culturas, retirando o milho do sistema por um período para reduzir o inóculo da doença na área.

Segundo o agrônomo, a identificação da doença no campo pode ser desafi adora, pois o milho pode ser afetado por diferentes patógenos com sintomas semelhantes. “Reconhecer a mancha de bipolaris não é uma tarefa simples. É necessário um olhar clínico e um bom conhecimento para definir a estratégia de controle adequada.”

Sobre os danos causados pela mancha de bipolaris, o engenheiro agrônomo destaca que quando a doença se instala, especialmente em híbridos mais suscetíveis, ela danifica as folhas, reduzindo a área foliar. “Com menos folhas, a planta tem menor capacidade de fotossíntese e, ao final, isso resulta em perdas de produtividade. É essencial que os cooperados recebam informações claras sobre a doença. Eles precisam entender a importância da identificação correta e adotar as melhores estratégias de controle para minimizar as perdas."

Além das estações de pesquisa, o Encontro de Verão contou com uma Exposição de Máquinas e Implementos Agrícolas de empresas parceiras da Coamo. Os cooperados puderam conferir de perto as últimas novidades, além de conhecer as soluções oferecidas por diversas empresas do setor.

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