Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 570 | Julho de 2026 | Campo Mourão - Paraná

ENTREVISTA

entrevista


Edilaine Maria de Castro

diretora do Espaço Sou Arte e presidente da Câmara da Mulher Empreendedora e Gestora de Negócios de Campo Mourão

"A cultura não é apenas entretenimento: é uma ferramenta de educação, pertencimento e construção de cidadania."

Há mais de três décadas, a arte é utilizada pelo Espaço Sou Arte como instrumento de educação, desenvolvimento humano e transformação social. À frente dessa trajetória está Edilaine Maria de Castro. Nesta entrevista à Revista Coamo, ela fala sobre a missão do grupo, a importância da gestão para a sustentabilidade dos projetos culturais e o papel da cooperação na construção de resultados coletivos. Ao compartilhar experiências acumuladas em apresentações e projetos desenvolvidos em diferentes regiões do país, Edilaine também estabelece um paralelo entre a arte e o cooperativismo, destacando valores como confiança, participação, pertencimento e compromisso com as pessoas. A entrevistada ainda aborda os desafios da produção cultural, ações de inclusão social e a parceria construída ao longo dos anos com a Coamo em iniciativas voltadas às famílias cooperativistas.

Revista Coamo: O que é e quais os objetivos do Espaço Sou Arte? Descreva um breve histórico da entidade, quantas apresentações e público alcançado.

Edilaine Maria de Castro: O Espaço Sou Arte é uma organização cultural que há mais de três décadas utiliza a arte como instrumento de educação, desenvolvimento humano e transformação social. Nossa missão sempre foi democratizar o acesso à cultura e promover experiências capazes de fortalecer valores, estimular o pertencimento e contribuir para a formação de pessoas e comunidades. Atuamos nas áreas artística, empresarial e social, desenvolvendo espetáculos, intervenções, oficinas, cursos, palestras, treinamentos, eventos e projetos culturais. Nossa atuação ultrapassou as fronteiras do Paraná e alcançou os estados de São Paulo, Goiás, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além de apresentações no Paraguai. Em média, realizamos mais de 15 espetáculos, eventos e ações culturais por mês, alcançando cerca de 10 mil pessoas mensalmente. Ao longo dessa trajetória, milhares de apresentações levaram a linguagem do teatro, do circo, da dança e da literatura viva a públicos de diferentes idades e contextos. Acreditamos que cada apresentação é uma oportunidade de despertar emoções, fortalecer vínculos, inspirar novos olhares e reafirmar que a cultura, assim como o cooperativismo, tem sua maior força na capacidade de reunir pessoas em torno de um propósito comum.

RC: Quais as principais virtudes e o que motiva a atuação do Sou Arte? O que querem levar em cada espetáculo?

Edilaine: Cada espetáculo começa muito antes da criação do roteiro. Ele nasce de uma pergunta que orienta todo o nosso processo criativo: que transformação desejamos provocar? Vivemos um tempo em que a informação circula com enorme velocidade, mas nem sempre produz significado. A arte tem justamente essa capacidade: transformar informação em experiência, emoção em aprendizado e memória em pertencimento. Nossa maior virtude talvez seja acreditar que toda manifestação artística precisa deixar uma marca que permaneça depois que as cortinas se fecham. Não buscamos apenas aplausos; buscamos reflexões. Buscamos despertar consciência, sensibilidade, pertencimento e esperança. Cada espetáculo nasce de um propósito. A arte tem a capacidade de alcançar lugares onde muitas vezes os discursos não conseguem chegar.

RC: O que dá sentido ao trabalho artístico e a importância da cooperação que vocês realizam?

Edilaine: Há uma profunda afinidade entre a arte e o cooperativismo. Nenhuma grande obra nasce do talento de uma única pessoa. Nossos espetáculos nos ensinam isso todos os dias. Enquanto o público enxerga os artistas iluminados no palco, existe uma rede silenciosa de profissionais que torna cada apresentação possível: produtores, técnicos, cenógrafos, figurinistas, iluminadores, educadores, voluntários, patrocinadores e tantas outras mãos que, juntas, transformam uma ideia em uma experiência inesquecível. No palco aprendemos diariamente que o protagonismo individual só existe porque existe um coletivo comprometido.

Edilaine Maria de Castro

Edilaine Maria de Castro é diretora do Espaço Sou Arte, presidente da Câmara da Mulher Empreendedora e Gestora de Negócios de Campo Mourão e produtora cultural.


"A arte tem justamente essa capacidade: transformar informação em experiência, emoção em aprendizado e memória em pertencimento."

RC: Quais são os desafios do grupo à frente da cultura?

Edilaine: Os desafios são muitos e vão muito além da criação artística. Nosso compromisso é produzir cultura com qualidade, relevância e propósito, preservando sua capacidade de formar seres humanos sensíveis em um tempo marcado pela velocidade, pelo excesso de informação e, muitas vezes, pela superficialidade das relações. Precisamos competir pela atenção das pessoas sem competir com a tecnologia. O nosso desafio é oferecer experiências que nenhuma tela consegue substituir: o encontro humano, a emoção compartilhada, o diálogo entre gerações, a construção de identidade e a memória afetiva. Outro desafio permanente é garantir a sustentabilidade dos projetos culturais. Fazer cultura exige criatividade, mas também planejamento, gestão responsável e parcerias sólidas com instituições que compreendam que investir em cultura é investir no desenvolvimento das pessoas e das comunidades. Ao longo dessa caminhada, tivemos a felicidade de encontrar parceiros que compartilham dessa visão. A Coamo é um exemplo dessa compreensão. Desde 2017, como patrocinadora master do projeto Atividades Culturais – Campo Mourão Cidade Natal, tem contribuído para que milhares de famílias tenham acesso gratuito à arte, à cultura e a momentos de convivência.

Apresentação do Espaço Sou Arte, evento reuniu jovens e adolescentes do PR, SC e MS

"Não buscamos apenas aplausos; buscamos reflexões." Edilaine Maria de Castro

RC: Tem alguns exemplos para partilhar de inclusão social que o Sou Arte promove?

Edilaine: A inclusão social nunca foi uma ação paralela no Sou Arte; ela sempre esteve no centro da nossa missão. Acreditamos que a arte é uma poderosa ferramenta de desenvolvimento humano, capaz de revelar talentos, fortalecer a autoestima e abrir novos horizontes para quem, muitas vezes, nunca teve acesso a essas oportunidades. Ao longo da nossa trajetória desenvolvemos diversos projetos sociais, que oferecem formação artística, acompanhamento psicológico, pedagógico e experiências voltadas ao desenvolvimento pessoal e à construção da cidadania para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Muitos jovens que chegaram ao Sou Arte enfrentando situações de vulnerabilidade, baixa autoestima ou falta de perspectivas encontraram, por meio da arte, um novo propósito. Hoje, vários deles integram nossa companhia profissional, atuando como artistas, educadores e multiplicadores de conhecimento. Ver esses jovens retornarem às suas comunidades como exemplos de superação talvez seja uma das maiores conquistas da nossa história.

RC: Como é e qual a importância da gestão no trabalho do Sou Arte?

Edilaine: Acredito que criatividade e gestão não caminham em direções opostas; elas se complementam. Criatividade sem gestão permanece apenas como inspiração. Gestão sem criatividade perde sua capacidade de inovar. Ao longo da nossa trajetória aprendemos que produzir cultura exige muito mais do que sensibilidade artística. Exige planejamento estratégico, governança, responsabilidade financeira, transparência, formação de equipes, prestação de contas, avaliação de resultados e visão de longo prazo. Uma boa ideia só gera impacto quando encontra capacidade de execução. No Sou Arte, compreendemos que sonhos também precisam de organização.

RC: Nas suas andanças pelo cooperativismo em várias regiões, quais são, na sua opinião, as principais virtudes deste movimento, que encanta e transforma vidas?

Edilaine: Quanto mais conheço o cooperativismo, mais compreendo que a maior riqueza não está apenas no patrimônio que constrói, mas, sobretudo, na confiança que cultiva. Seu maior patrimônio são as pessoas. O cooperativismo demonstra algo extremamente necessário para o mundo contemporâneo: competitividade e solidariedade não são conceitos opostos. Ao contrário, quando orientadas por valores, caminham lado a lado. Ele prova diariamente que é possível gerar prosperidade econômica sem abrir mão da dignidade humana, da ética e do compromisso com a comunidade. Talvez por isso esse movimento continue crescendo em todo o mundo. O cooperativismo oferece respostas concretas para desafios que marcam a nossa sociedade, como o desenvolvimento regional, a sustentabilidade, a sucessão familiar, a educação, a inclusão social e o fortalecimento das comunidades. Ao longo dos anos, convivendo com cooperativas de diferentes segmentos e regiões do país, percebi que aquilo que verdadeiramente as distingue não são apenas seus resultados, mas a forma como compreendem o desenvolvimento: crescer sem deixar ninguém para trás.

"Um espetáculo e uma cooperativa compartilham a mesma essência. Ambos demonstram que ninguém constrói um legado sozinho."

RC: Na Coamo vocês têm marcado presença em eventos com cooperados e funcionários. Como viu a satisfação dos públicos e do trabalho desenvolvido pela Coamo?

Edilaine: Cada encontro com a família Coamo confirma uma percepção muito clara: a Coamo não construiu apenas uma grande cooperativa, construiu uma cultura de pertencimento. É possível perceber, em cada evento, o orgulho com que cooperados, colaboradores e familiares se identificam com a instituição. Esse sentimento não nasce por acaso. É resultado de décadas de liderança responsável, credibilidade, proximidade com as pessoas e compromisso permanente com o desenvolvimento humano. Para nós, artistas, isso se revela de forma muito espontânea: no brilho dos olhos das crianças, na participação das famílias, no respeito com que somos acolhidos e na valorização da cultura como parte da formação das pessoas. Ao longo de sua história, a Coamo mostrou que produzir riqueza também significa gerar oportunidades, fortalecer famílias, desenvolver comunidades e cultivar valores que permanecem por gerações. À família Coamo, deixo, antes de tudo, minha sincera gratidão por permitir que a arte também faça parte dessa história, emocionando pessoas, fortalecendo vínculos e contribuindo para que cada encontro se transforme em uma experiência de aprendizado, convivência e esperança. Desejo que cada cooperado, colaborador e familiar jamais perca a consciência de que faz parte de algo muito maior do que uma grande cooperativa.

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