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RC: Quais são os desafios do grupo à frente da cultura?
Edilaine: Os desafios são muitos e vão muito além da criação artística.
Nosso compromisso é produzir cultura com qualidade, relevância e propósito, preservando sua capacidade
de formar seres humanos sensíveis em um tempo marcado pela velocidade, pelo excesso de informação e,
muitas vezes, pela superficialidade das relações. Precisamos competir pela atenção das pessoas sem
competir com a tecnologia. O nosso desafio é oferecer experiências que nenhuma tela consegue
substituir: o encontro humano, a emoção compartilhada, o diálogo entre gerações, a construção de
identidade e a memória afetiva. Outro desafio permanente é garantir a sustentabilidade dos projetos
culturais. Fazer cultura exige criatividade, mas também planejamento, gestão responsável e parcerias
sólidas com instituições que compreendam que investir em cultura é investir no desenvolvimento das
pessoas e das comunidades. Ao longo dessa caminhada, tivemos a felicidade de encontrar parceiros que
compartilham dessa visão. A Coamo é um exemplo dessa compreensão. Desde 2017, como patrocinadora
master do projeto Atividades Culturais – Campo Mourão Cidade Natal, tem contribuído para que milhares
de famílias tenham acesso gratuito à arte, à cultura e a momentos de convivência.
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"Não buscamos apenas aplausos; buscamos reflexões." Edilaine Maria de Castro
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RC: Tem alguns exemplos para partilhar de inclusão social que o Sou Arte
promove?
Edilaine: A inclusão social nunca foi uma ação paralela no Sou Arte; ela
sempre esteve no centro da nossa missão. Acreditamos que a arte é uma poderosa ferramenta de
desenvolvimento humano, capaz de revelar talentos, fortalecer a autoestima e abrir novos horizontes
para quem, muitas vezes, nunca teve acesso a essas oportunidades. Ao longo da nossa trajetória
desenvolvemos diversos projetos sociais, que oferecem formação artística, acompanhamento psicológico,
pedagógico e experiências voltadas ao desenvolvimento pessoal e à construção da cidadania para
crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Muitos jovens que chegaram ao Sou Arte
enfrentando situações de vulnerabilidade, baixa autoestima ou falta de perspectivas encontraram, por
meio da arte, um novo propósito. Hoje, vários deles integram nossa companhia profissional, atuando
como artistas, educadores e multiplicadores de conhecimento. Ver esses jovens retornarem às suas
comunidades como exemplos de superação talvez seja uma das maiores conquistas da nossa história.
RC: Como é e qual a importância da gestão no trabalho do Sou Arte?
Edilaine: Acredito que criatividade e gestão não caminham em direções
opostas; elas se complementam. Criatividade sem gestão permanece apenas como inspiração. Gestão sem
criatividade perde sua capacidade de inovar. Ao longo da nossa trajetória aprendemos que produzir
cultura exige muito mais do que sensibilidade artística. Exige planejamento estratégico, governança,
responsabilidade financeira, transparência, formação de equipes, prestação de contas, avaliação de
resultados e visão de longo prazo. Uma boa ideia só gera impacto quando encontra capacidade de
execução. No Sou Arte, compreendemos que sonhos também precisam de organização.
RC: Nas suas andanças pelo cooperativismo em várias regiões, quais são, na
sua opinião, as principais virtudes deste movimento, que encanta e transforma vidas?
Edilaine: Quanto mais conheço o cooperativismo, mais compreendo que a
maior riqueza não está apenas no patrimônio que constrói, mas, sobretudo, na confiança que cultiva. Seu
maior patrimônio são as pessoas. O cooperativismo demonstra algo extremamente necessário para o mundo
contemporâneo: competitividade e solidariedade não são conceitos opostos. Ao contrário, quando
orientadas por valores, caminham lado a lado. Ele prova diariamente que é possível gerar prosperidade
econômica sem abrir mão da dignidade humana, da ética e do compromisso com a comunidade. Talvez por
isso esse movimento continue crescendo em todo o mundo. O cooperativismo oferece respostas concretas
para desafios que marcam a nossa sociedade, como o desenvolvimento regional, a sustentabilidade, a
sucessão familiar, a educação, a inclusão social e o fortalecimento das comunidades. Ao longo dos
anos, convivendo com cooperativas de diferentes segmentos e regiões do país, percebi que aquilo que
verdadeiramente as distingue não são apenas seus resultados, mas a forma como compreendem o
desenvolvimento: crescer sem deixar ninguém para trás.
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"Um espetáculo e uma cooperativa compartilham a mesma essência. Ambos demonstram que ninguém
constrói um legado sozinho." |
RC: Na Coamo vocês têm marcado presença em eventos com cooperados e
funcionários. Como viu a satisfação dos públicos e do trabalho desenvolvido pela Coamo?
Edilaine: Cada encontro com a família Coamo confirma uma percepção muito
clara: a Coamo não construiu apenas uma grande cooperativa, construiu uma cultura de pertencimento. É
possível perceber, em cada evento, o orgulho com que cooperados, colaboradores e familiares se
identificam com a instituição. Esse sentimento não nasce por acaso. É resultado de décadas de liderança
responsável, credibilidade, proximidade com as pessoas e compromisso permanente com o desenvolvimento
humano. Para nós, artistas, isso se revela de forma muito espontânea: no brilho dos olhos das crianças,
na participação das famílias, no respeito com que somos acolhidos e na valorização da cultura como
parte da formação das pessoas. Ao longo de sua história, a Coamo mostrou que produzir riqueza também
significa gerar oportunidades, fortalecer famílias, desenvolver comunidades e cultivar valores que
permanecem por gerações. À família Coamo, deixo, antes de tudo, minha sincera gratidão por permitir que
a arte também faça parte dessa história, emocionando pessoas, fortalecendo vínculos e contribuindo
para que cada encontro se transforme em uma experiência de aprendizado, convivência e esperança. Desejo
que cada cooperado, colaborador e familiar jamais perca a consciência de que faz parte de algo muito
maior do que uma grande cooperativa.
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