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sustentabilidade
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Conservação do solo integra manejo e sustenta a produtividade no campo
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Celebrado em 15 de abril, o Dia Nacional da Conservação do Solo reforça a importância do manejo adequado nas propriedades rurais. Na área de atuação da Coamo, práticas adotadas ao longo de décadas, como o plantio direto, a rotação de culturas e a correção da acidez, estão diretamente ligadas à manutenção da produtividade, à redução de perdas e à sustentabilidade dos sistemas de produção
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A conservação do solo acompanha a trajetória da agricultura na região de Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná, e está diretamente ligada às transformações ocorridas no campo desde a implantação das primeiras lavouras. No início, o cultivo era realizado sob sistema convencional, com revolvimento do solo e ausência de cobertura vegetal, o que resultava em limitações relacionadas à fertilidade, ao desenvolvimento das culturas e, principalmente, à erosão.
O coordenador da Fazenda Experimental da Coamo, João Carlos Bonani, lembra que esse cenário exigia dos produtores estratégias para conter perdas e viabilizar a produção. “As primeiras lavouras eram conduzidas sobre solo revolvido, sem cobertura vegetal, e os principais desafios eram fertilidade, cultivares e erosão”, reitera.
Nesse contexto, a adoção do sistema de plantio direto passou a representar uma mudança no manejo. A técnica, baseada na semeadura sobre a palha e sem revolvimento do solo, contribuiu para reduzir a perda de solo e de nutrientes, especialmente em períodos de chuvas intensas. “A água passa a infiltrar na palha e no solo, evitando que o solo seja carregado, o que antes podia levar inclusive à perda de culturas já implantadas”, explica Bonani.
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João Carlos Bonani, coordenador da Fazenda Experimental da Coamo, no ensaio de rotação de culturas que completou 41 anos em abril deste ano
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A região de Campo Mourão esteve entre as pioneiras na adoção do plantio direto no Brasil, sendo o segundo município a seguir o sistema, e a continuidade dos trabalhos técnicos ao longo dos anos contribuiu para consolidar essa prática. A partir da criação da Fazenda Experimental da Coamo, em 1975, os estudos voltados ao manejo e à conservação do solo ganharam estrutura e sequência.
Entre os trabalhos desenvolvidos, destaca-se o ensaio de rotação de culturas, que completou 41 anos, e é o mais antigo do Brasil em condução contínua. A partir dele, foram estabelecidas diretrizes relacionadas à escolha de culturas, técnicas de plantio e manejo do solo e da água.
Bonani destaca que o sistema de plantio direto está sustentado em três pilares: a ausência de revolvimento do solo, a manutenção de cobertura vegetal ao longo do ano e a diversificação de culturas. “A rotação de culturas, aliada ao plantio direto, trouxe estabilidade e ganho de produtividade no médio e longo prazo”, afirma. Na prática, a diversificação de culturas contribui para aumentar a resiliência das lavouras, especialmente em anos de períodos de estiagem.
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REFERÊNCIA
O município de Campo Mourão foi o segundo do Brasil a implantar o plantio direto (safra 1973/1974), prática que revolucionou o manejo agrícola ao reduzir drasticamente a erosão, aumentar a infiltração da água e preservar a estrutura do solo. Em 1976, o trabalho desenvolvido na região ganhou reconhecimento com a visita do então ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli, que lançou no município o Plano Nacional de Conservação do Solo, em reconhecimento às ações pioneiras desenvolvidas na região.
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Outro ponto observado está na estrutura física do solo. A presença de diferentes sistemas radiculares ao longo das safras reduz a compactação, permitindo mais infiltração e armazenamento de água. “Solo menos compactado é solo que infiltra e armazena água”, resume Bonani.
A adoção dessas práticas também está relacionada ao aumento da matéria orgânica e do carbono no solo. Sistemas mais intensificados acumulam mais quantidade desses componentes, favorecendo a atividade biológica. A presença de microrganismos contribui para o equilíbrio entre organismos benéficos e fitopatogênicos, como fungos de solo e nematoides, reduzindo riscos ao desenvolvimento das culturas.
De acordo com Bonani, esse conjunto de fatores posiciona a rotação de culturas, associada ao plantio direto, como uma das principais estratégias de manejo e conservação do solo utilizadas atualmente. Ele destaca ainda o papel da assistência técnica da Coamo, que conta com mais de 400 profissionais atuando junto aos cooperados na adoção dessas práticas. “Por meio da assistência técnica e da adoção dessas tecnologias pelos cooperados, é possível levar soluções que contribuem para a conservação do solo e para resultados ambientais, sociais e econômicos nas propriedades”, afirma.
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Museu do Solo
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Além das práticas adotadas nas áreas de produção, a Fazenda Experimental mantém uma área destinada ao Museu do Solo, que preserva as condições originais do solo da região de Campo Mourão. O espaço, com cerca de 600 metros quadrados, permite demonstrar as limitações naturais do solo antes da adoção das tecnologias atualmente utilizadas.
Historicamente, os solos da região eram caracterizados por elevada acidez e baixa disponibilidade de nutrientes, condição que dificultava o cultivo de culturas como soja, trigo e milho. No Museu do Solo, são mantidas parcelas com diferentes condições de manejo, incluindo áreas sem correção e áreas onde foram realizadas aplicações de fósforo e calcário. Os resultados evidenciam a importância da correção química do solo. “Onde não há calagem, as plantas emergem, mas não se desenvolvem e acabam morrendo pela falta de nutrientes e pelo excesso de alumínio tóxico”, explica Bonani.
Mesmo em áreas onde a correção foi realizada décadas atrás, os efeitos ainda podem ser observados no desenvolvimento das plantas, ainda que com baixa produtividade. Nessas áreas, a matéria orgânica é mantida no solo por meio do não recolhimento da produção, contribuindo para a ciclagem de nutrientes.
O trabalho desenvolvido no Museu do Solo também tem caráter educativo. A área recebe visitas de estudantes, técnicos e produtores, com o objetivo de demonstrar a evolução da agricultura na região e a importância das práticas de manejo adotadas ao longo do tempo. “A gente mostra que o cenário atual é resultado de um trabalho construído desde o início da ocupação agrícola, com participação dos produtores e da assistência técnica”, afirma Bonani.
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Museu do Solo da Fazenda Experimental da Coamo
Parcelas demonstrativas com diferentes condições de manejo do solo
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