Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 567 | Abril de 2026 | Campo Mourão - Paraná

SUSTENTABILIDADE

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Conservação do solo integra manejo e sustenta a produtividade no campo

Celebrado em 15 de abril, o Dia Nacional da Conservação do Solo reforça a importância do manejo adequado nas propriedades rurais. Na área de atuação da Coamo, práticas adotadas ao longo de décadas, como o plantio direto, a rotação de culturas e a correção da acidez, estão diretamente ligadas à manutenção da produtividade, à redução de perdas e à sustentabilidade dos sistemas de produção

Área de conservação e plantio direto na região de Campo Mourão (PR)

A conservação do solo acompanha a trajetória da agricultura na região de Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná, e está diretamente ligada às transformações ocorridas no campo desde a implantação das primeiras lavouras. No início, o cultivo era realizado sob sistema convencional, com revolvimento do solo e ausência de cobertura vegetal, o que resultava em limitações relacionadas à fertilidade, ao desenvolvimento das culturas e, principalmente, à erosão.

O coordenador da Fazenda Experimental da Coamo, João Carlos Bonani, lembra que esse cenário exigia dos produtores estratégias para conter perdas e viabilizar a produção. “As primeiras lavouras eram conduzidas sobre solo revolvido, sem cobertura vegetal, e os principais desafios eram fertilidade, cultivares e erosão”, reitera.

Nesse contexto, a adoção do sistema de plantio direto passou a representar uma mudança no manejo. A técnica, baseada na semeadura sobre a palha e sem revolvimento do solo, contribuiu para reduzir a perda de solo e de nutrientes, especialmente em períodos de chuvas intensas. “A água passa a infiltrar na palha e no solo, evitando que o solo seja carregado, o que antes podia levar inclusive à perda de culturas já implantadas”, explica Bonani.

João Carlos Bonani, coordenador da Fazenda Experimental da Coamo, no ensaio de rotação de culturas

João Carlos Bonani, coordenador da Fazenda Experimental da Coamo, no ensaio de rotação de culturas que completou 41 anos em abril deste ano

A região de Campo Mourão esteve entre as pioneiras na adoção do plantio direto no Brasil, sendo o segundo município a seguir o sistema, e a continuidade dos trabalhos técnicos ao longo dos anos contribuiu para consolidar essa prática. A partir da criação da Fazenda Experimental da Coamo, em 1975, os estudos voltados ao manejo e à conservação do solo ganharam estrutura e sequência.

Entre os trabalhos desenvolvidos, destaca-se o ensaio de rotação de culturas, que completou 41 anos, e é o mais antigo do Brasil em condução contínua. A partir dele, foram estabelecidas diretrizes relacionadas à escolha de culturas, técnicas de plantio e manejo do solo e da água.

Bonani destaca que o sistema de plantio direto está sustentado em três pilares: a ausência de revolvimento do solo, a manutenção de cobertura vegetal ao longo do ano e a diversificação de culturas. “A rotação de culturas, aliada ao plantio direto, trouxe estabilidade e ganho de produtividade no médio e longo prazo”, afirma. Na prática, a diversificação de culturas contribui para aumentar a resiliência das lavouras, especialmente em anos de períodos de estiagem.

REFERÊNCIA

O município de Campo Mourão foi o segundo do Brasil a implantar o plantio direto (safra 1973/1974), prática que revolucionou o manejo agrícola ao reduzir drasticamente a erosão, aumentar a infiltração da água e preservar a estrutura do solo. Em 1976, o trabalho desenvolvido na região ganhou reconhecimento com a visita do então ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli, que lançou no município o Plano Nacional de Conservação do Solo, em reconhecimento às ações pioneiras desenvolvidas na região.

Outro ponto observado está na estrutura física do solo. A presença de diferentes sistemas radiculares ao longo das safras reduz a compactação, permitindo mais infiltração e armazenamento de água. “Solo menos compactado é solo que infiltra e armazena água”, resume Bonani.

A adoção dessas práticas também está relacionada ao aumento da matéria orgânica e do carbono no solo. Sistemas mais intensificados acumulam mais quantidade desses componentes, favorecendo a atividade biológica. A presença de microrganismos contribui para o equilíbrio entre organismos benéficos e fitopatogênicos, como fungos de solo e nematoides, reduzindo riscos ao desenvolvimento das culturas.

De acordo com Bonani, esse conjunto de fatores posiciona a rotação de culturas, associada ao plantio direto, como uma das principais estratégias de manejo e conservação do solo utilizadas atualmente. Ele destaca ainda o papel da assistência técnica da Coamo, que conta com mais de 400 profissionais atuando junto aos cooperados na adoção dessas práticas. “Por meio da assistência técnica e da adoção dessas tecnologias pelos cooperados, é possível levar soluções que contribuem para a conservação do solo e para resultados ambientais, sociais e econômicos nas propriedades”, afirma.

Demonstração de práticas de conservação do solo na Fazenda Experimental da Coamo

Museu do Solo

Além das práticas adotadas nas áreas de produção, a Fazenda Experimental mantém uma área destinada ao Museu do Solo, que preserva as condições originais do solo da região de Campo Mourão. O espaço, com cerca de 600 metros quadrados, permite demonstrar as limitações naturais do solo antes da adoção das tecnologias atualmente utilizadas.

Historicamente, os solos da região eram caracterizados por elevada acidez e baixa disponibilidade de nutrientes, condição que dificultava o cultivo de culturas como soja, trigo e milho. No Museu do Solo, são mantidas parcelas com diferentes condições de manejo, incluindo áreas sem correção e áreas onde foram realizadas aplicações de fósforo e calcário. Os resultados evidenciam a importância da correção química do solo. “Onde não há calagem, as plantas emergem, mas não se desenvolvem e acabam morrendo pela falta de nutrientes e pelo excesso de alumínio tóxico”, explica Bonani.

Mesmo em áreas onde a correção foi realizada décadas atrás, os efeitos ainda podem ser observados no desenvolvimento das plantas, ainda que com baixa produtividade. Nessas áreas, a matéria orgânica é mantida no solo por meio do não recolhimento da produção, contribuindo para a ciclagem de nutrientes.

O trabalho desenvolvido no Museu do Solo também tem caráter educativo. A área recebe visitas de estudantes, técnicos e produtores, com o objetivo de demonstrar a evolução da agricultura na região e a importância das práticas de manejo adotadas ao longo do tempo. “A gente mostra que o cenário atual é resultado de um trabalho construído desde o início da ocupação agrícola, com participação dos produtores e da assistência técnica”, afirma Bonani.

Museu do Solo da Fazenda Experimental da Coamo, com área de 600 metros quadrados

Museu do Solo da Fazenda Experimental da Coamo


Parcelas demonstrativas do Museu do Solo comparando diferentes condições de manejo

Parcelas demonstrativas com diferentes condições de manejo do solo

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