Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 567 | Abril de 2026 | Campo Mourão - Paraná

SAFRA

safra


Safra consolidada em Xanxerê (SC)

Colheita confirma alto desempenho do milho e mantém média da soja, com impacto da estiagem e reforço ao manejo de solo e à gestão nas propriedades cooperadas

A safra 2025/26 na região de Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, apresentou resultados distintos entre milho e soja, refletindo as condições climáticas ao longo do ciclo e o manejo adotado pelos cooperados. Enquanto o milho alcançou níveis recordes de produtividade em algumas áreas, a soja teve desempenho dentro da média, impactada por um período de estiagem no início do ano.

O cooperado Leandro Ricardo Cella relata que a safra foi positiva, com destaque para o milho. “Foi a melhor safra de milho que eu já tive, o maior teto produtivo até hoje”, afirma. Segundo ele, a produtividade chegou a 239 sacas por hectare, superando todos os resultados anteriores da propriedade. Já a soja, embora considerada boa, ficou abaixo do potencial esperado. “Tivemos um período de falta de chuva entre a metade de janeiro e o início de fevereiro, o que reduziu a média”, explica.

Mesmo com a interferência climática, a média final da soja se manteve próxima de 70 sacas por hectare. “Se tivesse ocorrido mais uma ou duas chuvas naquele período, poderíamos falar em recorde também na soja”, diz o cooperado. Ele ressalta que fatores climáticos continuam sendo determinantes na atividade agrícola. “Não tem o que fazer. A nossa atividade é a céu aberto e depende do clima.”

O cooperado destaca ainda a importância do planejamento e da execução das práticas agronômicas. “Nós precisamos fazer a nossa parte, com correção de solo, cobertura de inverno e manejo adequado. O restante depende das condições do tempo”, afirma. Apesar das limitações enfrentadas na soja, Cella avalia o resultado de forma equilibrada. “Ainda estamos colhendo bem, principalmente quando comparamos com outras regiões que tiveram perdas maiores.”

Cooperado Leandro Ricardo Cella com o gerente da Coamo em Xanxerê, Leonardo Pereira

Cooperado Leandro Ricardo Cella com o gerente da Coamo em Xanxerê, Leonardo Pereira

De acordo com o gerente da Coamo em Xanxerê, Leonardo Pereira, a safra apresentou desempenho inferior ao ciclo anterior, mas sem configurar um cenário negativo. “Não é uma safra ruim quando comparada com outras regiões. Mas, dentro do histórico de Xanxerê, ela é menor que a do ano passado”, explica. Ele aponta que a principal limitação foi a irregularidade das chuvas. Entre 12 de janeiro e 12 de fevereiro, o volume registrado foi de apenas 20 milímetros em parte da microrregião, afetando diretamente o desenvolvimento das lavouras. “Há áreas que historicamente produzem entre 70 e 90 sacas por hectare, chegando a 100, e que neste ano ficaram entre 55 e 65 sacas, com algumas variações”, detalha o gerente.

Pereira destaca que, mesmo diante das adversidades, há aprendizados importantes. “A principal lição é que quem trabalha bem o solo consegue resultados melhores.” Segundo ele, práticas como cobertura de solo, uso de calcário e gesso e manejo adequado das culturas de inverno têm impacto direto no desempenho das lavouras, especialmente em anos com restrições climáticas. “Nos anos bons, essas práticas elevam ainda mais os resultados”, frisa.

Gestão da propriedade

Outro ponto destacado é a evolução na gestão das propriedades. O cooperado afirma que o controle de custos tem se tornado parte central da atividade. “A gente precisa tratar a propriedade como uma empresa. Saber quanto custa produzir e quanto precisa colher para cobrir esse custo”, diz Cella.

O cooperado observa que, mesmo em safras com boa produtividade, a rentabilidade depende do preço de mercado e do planejamento prévio. “Nem sempre o preço acompanha a produção. Por isso, é importante comprar insumos no momento certo e buscar reduzir custos desde o início”, afirma. Nesse processo, ele destaca o suporte da Coamo. “A cooperativa auxilia muito, principalmente na aquisição de fertilizantes e sementes, o que ajuda a equilibrar os custos e melhorar o resultado final.”

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