Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 555| Março de 2025 | Campo Mourão - Paraná

ENTREVISTA

FÁBIO BIGOLIN

Presidente da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão – Acaert

“A relação do cooperativismo e do agro com a sociedade, por meio principalmente do rádio, é um dos grandes cases de comunicação no Brasil.”

"A comunicação tem o poder de transformar a vida das pessoas. O campo não é mais sinônimo de atraso, pois na maioria das propriedades a internet é uma realidade, passando a ser uma ferramenta de capacitação, negócios e social. E o rádio continua fazendo seu papel de integração e informação, pois mantém o homem e a mulher do campo sempre informados e identifica oportunidades de crescimento do negócio agrícola.” A constatação é do agricultor, cooperado da Coamo em São Domingos (SC), e empresário da rádio difusão, Fábio Bigolin, atual presidente da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão – Acaert, que reúne um total de 260 emissoras de rádio e 24 emissoras de televisão associadas, congregando 100% das emissoras comerciais e educativas. Segundo Bigolin, “O formato digital é uma realidade, mas entendo que ele veio para ser uma ferramenta que interage com os meios de comunicação ditos tradicionais.”

Revista Coamo: Como se deu a sua paixão e o início pela comunicação?

Fábio Bigolin: A nossa família tem emissora de rádio em São Domingos, aqui em Santa Catarina, e desde muito cedo passei a conviver com as rotinas da emissora. O rádio entrou na minha vida para ficar. Temos negócios em outras áreas, mas o segmento da radiodifusão é o que me desperta grande paixão por vários motivos. Um deles é a convicção que a emissora faz um trabalho social importante para o município e região. É a ferramenta de convívio diário que leva a informação, companhia, lazer e o serviço de utilidade pública. Tudo isso é a essência pura do rádio criando uma forte conexão com o ouvinte.

RC: O que é comunicação na sua vida? Qual é o estágio atual da comunicação em Santa Catarina?

Bigolin: A comunicação tem o poder de transformar a vida das pessoas. Baseado nessa premissa, a atuação das emissoras de rádio e televisão no estado é marcada pela responsabilidade. O nosso compromisso é com a verdade, a informação de qualidade. Isso porque conhecemos profundamente a realidade local e regional. Desta forma, estabelecemos um compromisso com o cidadão. De liderar suas demandas e prestar serviços relevantes. E como presidente da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão – Acaert, tenho a consciência desse papel em prol dos catarinenses. Hoje, a entidade conta com 261 emissoras de rádio e 21 emissoras de TV associadas. Uma grande rede que chega a todos os cantos de Santa Catarina.

RC: A evolução na comunicação ganhou novo formato com o digital. Como tem acompanhado esse processo e quais os cuidados que os cidadãos devem ter?

Bigolin: O digital é uma realidade, mas entendo que ele veio para ser uma ferramenta que interage com os meios de comunicação ditos tradicionais. Não há uma troca de uma pela outra e, sim, uma convergência entre as plataformas. E o rádio e a tv já entenderam que o digital é uma grande oportunidade para ampliar sua cobertura de atuação, conquistando novos mercados. Ainda mais quando o rádio e a tv são consumidos em multiplataformas e multitelas. Nós, da Acaert, também trilhamos esse mesmo caminho, acompanhando de perto as evoluções tecnológicas. Aliás, temos uma área específica para auxiliar as emissoras neste assunto. Um dos problemas do digital é a falta de curadoria para a veiculação de fake news. É aí que as pessoas devem tomar o cuidado em checar as informações disponíveis no digital, que é quase uma terra de ninguém.

RC: Então, como se adaptar à transformação digital e às novas demandas de comunicação?

Bigolin: É perfeitamente possível se adaptar às transformações digitais e devemos fazer isso buscando a qualidade de vida das pessoas. Utilizar os avanços tecnológicos para garantir o acesso universal da informação com credibilidade, o que o rádio e a televisão já fazem. Não há motivos para temer o futuro. Nada vai substituir o talento e o que fazemos hoje, que é a curadoria da informação. Para isso, entendo que é preciso investir na capacitação dos nossos profissionais para que estejam preparados para os desafios. Devemos ter como mantra a frase ‘a comunicação a serviço da humanidade’.

Fábio Bigolin tem 45 anos e é catarinense de São Domingos. Começou a trajetória na rádio Clube, emissora da família, aos seis anos de idade, como operador de áudio. É formado e pós-graduado em Direito na Unoesc, de Chapecó. Tem especialização em Gestão de Estratégias de Negócios. Faz parte do quadro diretivo da emissora desde 1997. Já foi presidente do Rotary de São Domingos, presidente da Associação Filantrópica Passos Fortes e presidente da Comissão de Constituição e Legislação do Grande Oriente de Santa Catarina. Bigolin atuou como vice-presidente Regional Oeste da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão – Acaert e desde 2023, é presidente desta entidade. São 260 emissoras de rádio e 24 emissoras de televisão associadas, congregando 100% das emissoras comerciais e educativas de Santa Catarina. Seu mandato à frente da Acaert encerra em dezembro deste ano.

"A COMUNICAÇÃO FOI CATALISADORA DO EMPREENDEDORISMO NO PAÍS, PORQUE SEMPRE TEVE PROPÓSITO. ESSA É A DIFERENÇA DAS PLATAFORMAS."

RC: Qual é o papel da comunicação no cooperativismo e agro? Na sua opinião, o setor se comunica bem?

Bigolin: Fundamental. O rádio, por exemplo, sempre foi um elo que liga o cooperativismo e o agro com a sociedade, principalmente em Santa Catarina. Por muito tempo o rádio foi a única comunicação da indústria e da cooperativa com o seu cooperado, o que acabou contribuindo para o desenvolvimento de dezenas de municípios que vivem dos dois setores. Notícias do campo sempre deram grandes audiências, porque existe um público que incorporou no seu cotidiano o hábito de ouvir o rádio todos os dias e em todas as horas. A relação do cooperativismo e agro com a sociedade, por meio principalmente do rádio, talvez seja um dos grandes cases de comunicação do Brasil.

RC: Como observa o trabalho da Coamo para manter os cooperados informados com suas diversas mídias para o cooperativismo e o agronegócio?

Bigolin: É um trabalho muito relevante e vital para manter a família do agricultor no campo, principalmente os jovens. E a Coamo oferece um importante programa voltado à juventude. Felizmente, podemos dizer que hoje o campo não é mais sinônimo de atraso. Na maioria das propriedades a internet é uma realidade, passando a ser uma ferramenta de capacitação, negócios e social. O rádio continua fazendo seu papel de integração e informação. Manter o homem do campo sempre informado torna possível identificar oportunidades de crescimento do negócio agrícola. Destaque para os informativos diários produzidos pela cooperativa. Portanto, a informação é tão importante quanto o preço final dos produtos dentro da cadeia produtiva.

"Um dos problemas do digital é a falta de curadoria para a veiculação de fake news. É aí que as pessoas devem tomar o cuidado em checar as informações disponíveis no digital, que é quase uma terra de ninguém."

RC: De que forma as ações com ferramentas de comunicação podem contribuir para a melhoria do bem comum nas comunidades?

Bigolin: A essência da comunicação deve contribuir para melhorar a vida das pessoas. Simples assim. Ou seja, não podemos compactuar a comunicação como forma de disseminação de ódio entre as pessoas, por meio da desinformação. Cito novamente o caso da relação do cooperativismo e do agro com a comunidade. Tudo o que foi construído durante décadas tem como base a boa informação. O propósito de ajudar o outro. A comunicação foi catalisadora do empreendedorismo no país, porque sempre teve propósito. Essa é a diferença das plataformas.

 

Fábio Bigolin, agricultor, cooperado da Coamo em São Domingos (SC), empresário da rádio difusão e atual presidente da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acaert), que reúne um total de 260 emissoras de rádio de Santa Catarina

RC: Quais inovações ou tendências irão moldar o futuro da comunicação?

Bigolin: A Inteligência Artificial também é realidade. Com certeza sua utilização já está moldando o presente. O que dirá o futuro! De novo. A Inteligência Artificial deve ser uma grande aliada na comunicação dos seres humanos. A humanidade deve perseguir o avanço dos serviços voltados à qualidade de vida e bem-estar das pessoas. É claro que estamos diante de um grande dilema existencial: o que queremos com a IA. Espero que seja voltada para o bem da sustentabilidade do planeta.

RC: Como o cooperativismo contribui para o desenvolvimento econômico e social das comunidades?

Bigolin: Santa Catarina é um estado referência em cooperativismo, um modelo que impulsiona o desenvolvimento econômico, gera empregos e fortalece comunidades. Do campo à cidade, as cooperativas garantem crescimento sustentável, inovação e qualidade de vida para milhares de catarinenses. Ser cooperado faz parte do DNA do catarinense. Está em sua essência empreendedora. Sobre a Coamo, é notável seu compromisso com a cidadania cooperativa. Destacando que a maioria dos cooperados é formada por pequenos produtores que recebem todo tipo de assistência sobre as boas práticas no campo. É uma atuação inestimável para a família no campo, garantindo a geração de riqueza e tornando o agro um segmento fundamental para o desenvolvimento do Brasil. E eu, como cooperado da Coamo, sou testemunha de sua relevância para o país.

“Nada vai substituir o talento e o que fazemos hoje, que é a curadoria da informação. Para isso, entendo que é preciso investir na capacitação dos nossos profissionais para que estejam preparados para os desafios. Devemos ter como mantra a frase ‘ a comunicação a serviço da humanidade’."


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