A diversificação produtiva é uma alternativa adotada por produtores rurais que buscam mais estabilidade econômica e segurança diante das variações do mercado e do clima. O cooperado da Coamo, Ronner Rodrigues, de Cruzmaltina (Centro-Norte do Paraná), é um exemplo dessa estratégia. Depois de trabalhar com a pecuária e investir na produção de abacate, ele deu um novo passo em sua propriedade: o cultivo de grãos. Em 2024, iniciou o plantio de trigo e soja, ampliando as possibilidades de renda e aproveitando o suporte técnico da cooperativa.
A história da família de Ronner sempre esteve ligada à atividade agropecuária. "Desde que nasci, sempre estive envolvido no campo. Antes, trabalhávamos com pecuária leiteira e um pouco de gado de corte", relembra o produtor. Até 2016, a propriedade era voltada exclusivamente para a criação de animais, mas, diante dos desafios da atividade e da busca por mais rentabilidade, a família decidiu investir em uma nova cultura.
Foi assim que, em 2019, os primeiros pés de abacate foram plantados. Hoje, são três alqueires dedicados à fruticultura, com cinco variedades: quintal, margarida, geada, fortuna e avocado. A comercialização da produção é feita por meio de uma distribuidora de Francisco Beltrão (Sudoeste do Paraná), que encaminha os frutos para mercados da região. "Ainda estamos no início, mas a lavoura mais velha já tem seis anos e a expectativa é boa", explica Roner.
A decisão de apostar no abacate foi motivada pela necessidade de aumentar a rentabilidade da pequena propriedade.
|
Cooperado Ronner Rodrigues com o pai Osvaldo, a filha Vitória e a esposa Marjory
|
"A pecuária estava muito difícil para um pequeno produtor. A fruticultura foi uma alternativa para buscar um retorno financeiro melhor, mas é um ramo cheio de desafios", comenta. O ciclo da cultura exige paciência, pois o retorno sobre o investimento leva alguns anos. Ainda assim, a expectativa para a safra atual é positiva: "Acredito que este ano vamos passar das três mil caixas de 20 quilos".
O abacate trouxe estabilidade, mas Ronner sempre teve um sonho: trabalhar com grãos. "Sempre gostei dessa área, mas nunca tive oportunidade no momento certo", conta. A chance veio recentemente, com a retomada de uma área que antes era arrendada. Assim, em 2024, a propriedade passou a contar com 7,5 alqueires destinados ao cultivo de soja no verão e trigo no inverno.
O começo, no entanto, não foi simples. A terra, que antes era usada para pastagem, precisava ser corrigida. "Tivemos que fazer uma dessecação severa, pois estava cheia de capim-pé-de-galinha. Foi um grande desafi o, mas conseguimos fazer um bom manejo", relata o cooperado.
A primeira safra de trigo trouxe aprendizado e reforçou a importância da assistência técnica. "Se não fosse a parceria com a Coamo, teria sido mais difícil. Eu não entendia nada de grãos, mas os profissionais da cooperativa estão sempre presentes para nos orientar", destaca. Os desafios com fatores climáticos impactaram a produtividade. "Tivemos uma seca de 26 dias, o que prejudicou bastante a lavoura. O investimento foi feito para uma produção de 200 sacas, mas agora a expectativa é algo em torno de 100 sacas", explica Ronner. Contudo, ele se mantém otimista e já planeja os próximos passos: após a colheita, pretende investir em plantas de cobertura, como o milheto, antes da próxima safra de trigo. "Agora a ideia é melhorar ainda mais o manejo e ir ajustando a produtividade. Aos poucos, vamos aprimorando o trabalho", afirma o cooperado.
A decisão de diversificar os cultivos não significa apenas ampliar as fontes de renda, mas também enfrentar novos desafios técnicos e operacionais.
|
Para produtores que estão iniciando na agricultura, o suporte técnico faz a diferença. A engenheira agrônoma Roberta de Paula Saturnino Costa, da Coamo em Cruzmaltina, acompanha a trajetória de Ronner e destaca a importância da diversificação. "Não sabemos como o clima vai se comportar ou se novos desafios podem surgir, então ter diferentes atividades na propriedade ajuda a distribuir os riscos e manter a renda estável", explica.
Ela também enfatiza o papel da assistência técnica. "A Coamo tem um trabalho forte de suporte ao cooperado. Além disso, a Fazenda Experimental testa diversas tecnologias para que possamos indicar as melhores soluções aos produtores", comenta.
No caso de Ronner, conforme Roberta, a dedicação ao aprendizado tem sido um diferencial. "Ele é extremamente minucioso, quer entender cada detalhe da produção, do manejo de pragas ao momento certo para adubação. E isso faz toda a diferença." Ainda segundo ela, a transição para os grãos foi realizada da maneira correta: "Ele começou com a análise de solo, fez as correções necessárias e seguiu todas as recomendações técnicas. Isso é essencial para garantir bons resultados a longo prazo".
Engenheira agrônoma, Roberta de Paula Saturnino Costa, da Coamo em Cruzmaltina, acompanha a trajetória de Ronner e destaca a importância da diversificação
|