Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 555| Março de 2025 | Campo Mourão - Paraná

PECUÁRIA

Otimização e diversificação garantem mais eficiência na pecuária integrada

Cooperado de Itaporã (MS) implementa sistema de pastejo rotacionado e fertirrigação com dejetos da suinocultura para intensificar produção

Cooperado, Henrique Godoy Bigatão, de Itaporã (MS), adotou um modelo que combina suinocultura e pecuária, aproveitando os dejetos da criação de suínos para fertirrigação do pasto. Projeto foi desenvolvido com suporte técnico da Coamo. O médico veterinário, Adriano Fernandes Raposo, acompanhou o processo desde o início

A busca por mais eficiência produtiva e otimização do uso da terra tem levado produtores rurais a investirem em sistemas integrados. Em Itaporã (Mato Grosso do Sul), o cooperado da Coamo, Henrique Godoy Bigatão, adotou um modelo que combina suinocultura e pecuária, aproveitando os dejetos da criação de suínos para fertirrigação do pasto. Com isso, conseguiu intensificar a engorda de novilhas em uma área limitada, garantindo mais produtividade e diversificação da propriedade.

Bigatão trabalha com suinocultura desde 2001 e iniciou a atividade pecuária alguns anos depois, em outra granja mais antiga. Em 2022, com a implementação de uma nova unidade de suinocultura, surgiu a necessidade de melhor aproveitamento do espaço restante da propriedade. O cooperado então procurou assistência técnica para desenvolver um sistema de pastejo rotacionado, associado à utilização dos dejetos da suinocultura como fertilizante natural.

O projeto foi planejado com a divisão da área em piquetes, definição da capacidade de suporte e escolha da forrageira mais adequada, que são irrigadas com aspersores fixos. A área de pastagem conta com pouco mais de quatro alqueires e abriga atualmente mais de 70 novilhas para engorda. Os animais recebem suplementação proteica e energética adquirida na Coamo, conforme recomendação feita durante o acompanhamento técnico.

Segundo o cooperado, a integração entre as atividades tem se mostrado uma estratégia eficiente, permitindo melhor aproveitamento da propriedade. “A suinocultura gera os dejetos, que são um excelente adubo. Esse material é utilizado na fertirrigação do pasto, o que melhora a qualidade da forrageira e permite uma maior lotação de animais. Em um espaço reduzido, conseguimos engordar um número significativo de novilhas devido à qualidade do pasto proporcionada pela adubação e irrigação”, explica Bigatão.

Apesar de ainda não haver dados exatos sobre o ganho médio diário dos animais, pois estavam sem balança na propriedade, a experiência em outra granja do produtor já aponta para bons resultados. Em uma área menor, de apenas 1,6 alqueires, um sistema semelhante permitiu a engorda de 35 a 40 cabeças por ano. Diante disso, a expectativa para a nova área, planejada de forma mais moderna e estruturada, é alcançar um desempenho ainda superior. “O projeto está no início, mas já tivemos 100 animais aqui até outubro do ano passado. Vendemos 30 e, atualmente, estamos com 73. Nossa expectativa é que esse número aumente conforme formos ajustando o manejo”, comenta Bigatão.

Os animais são adquiridos com idade entre 12 e 15 meses e permanecem na propriedade por, no máximo, um ano. Segundo o cooperado, a meta é vendê-los com cerca de 14 arrobas, sendo que, em média, o processo de engorda leva dez meses.

Henrique Godoy Bigatão, cooperado da Coamo em Itaporã (MS)

Além da questão produtiva, Bigatão destaca que a diversificação da propriedade traz uma segurança financeira adicional. “Os dejetos precisam ter um destino adequado. Em outra granja nossa, utilizamos esse material na lavoura, mas percebemos que diversificar é essencial. Em anos em que a lavoura enfrenta dificuldades, como aconteceu recentemente, a pecuária nos ajuda a manter uma estabilidade na renda”, afirma.

Além da implementação de novas práticas, a propriedade de Bigatão também passa por um processo de sucessão familiar. Desde 2016, ele e a irmã assumiram a gestão ao lado do pai, trazendo novas ideias e investindo em inovação para garantir a continuidade do negócio. “A sucessão é um processo desafiador. Meu pai está nos passando a administração aos poucos, e nós, como nova geração, tentamos trazer inovações. Muitas vezes enfrentamos resistência a mudanças, mas estamos conseguindo implementar nossas ideias com sucesso”, afIrma Bigatão.

O projeto de pastejo rotacionado foi desenvolvido com suporte técnico da Coamo. O médico veterinário, Adriano Fernandes Raposo, acompanhou o processo desde o início e explica que o diferencial está na estratégia adotada para maximizar o uso da área disponível. “Foi feita uma divisão inicial em oito piquetes, que posteriormente foi ampliada.

No início, a área era de quatro alqueires, mas já foi expandida para cinco alqueires. O pastejo rotacionado permite um manejo mais adequado, garantindo que não passe do ponto e perca qualidade. Também acompanhamos a altura de saída do pasto para evitar impactos negativos na fotossíntese e na recuperação da forrageira”, detalha Raposo.

A fertirrigação com dejetos da suinocultura é um dos fatores que contribuem para o sucesso do projeto. “Esse processo potencializa a produtividade da pastagem, o que possibilita uma taxa de lotação bem acima da média nacional. Atualmente, a propriedade de Bigatão trabalha com uma média de 4,6 unidades animais por hectare. Para efeito de comparação, a média brasileira gira em torno de 0,9 a 1 unidade animal por hectare”, pondera Raposo.

A pecuária na propriedade de Bigatão se baseia no pasto e no uso de suplemento mineral, mantendo uma boa taxa de lotação e desfrute com a utilização de pouca suplementação. “O modelo adotado aqui permite uma lotação alta mesmo sem suplementação adicional com ração, como se dá no semiconfi namento ou no TIP (Terminação Intensiva a Pasto). Isso reduz custos e mantém a efi ciência produtiva”, explica o veterinário.

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