Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 563 | Novembro de 2025 | Campo Mourão - Paraná

ENTREVISTA

ANTONIO SÉRGIO GABRIEL

Diretor Administrativo e Financeiro da Coamo

"A soma da inteligência da Coamo é a soma do conhecimento de seus funcionários e da dedicação de cada área."

A trajetória de cinco décadas de Antonio Sérgio Gabriel na Coamo se confunde com a evolução da própria cooperativa. Ao longo desse período, participou diretamente dos principais processos de organização interna, assumiu novas responsabilidades e integrou diferentes frentes de planejamento e gestão.

Em 2020, esteve envolvido na implantação da governança corporativa, considerada um marco para preparar a cooperativa para os próximos ciclos, com diretrizes claras e divisão estruturada entre as instâncias estratégica e executiva. Ao completar 50 anos de atuação, Antonio Sérgio revisita essa caminhada com a perspectiva de quem vivenciou desafios, transições, avanços tecnológicos e a consolidação de um modelo cooperativista que se apoia em capitalização, estabilidade administrativa e harmonia entre cooperados, funcionários e diretoria.

Revista Coamo: Conte como foi a entrada do senhor com trabalho e evolução na Coamo?
Antonio Sérgio Gabriel: Fui convidado pelo Dr. Aroldo para trabalhar na Coamo em maio de 1975 e em junho desse mesmo ano, recém-formado em Direito, vim para abrir a área de Assessoria Jurídica da cooperativa. Foi um momento bastante difícil para eu tomar essa decisão. Eu estava em Maringá, na época, e tinha muito conceito perante o ramo empresarial, porque trabalhava na Associação Comercial e Industrial de Maringá há dez anos. Mas, vim acreditando nas palavras e no brilho do olhar de uma pessoa com quem eu conversei, que foi o Dr. Aroldo. Ele me disse: “vem conosco, nós vamos construir uma grande empresa, uma grande cooperativa.” Eu acreditei e depois conseguimos implantar a Assessoria Jurídica pelos meus conhecimentos também na área administrativa. Nesse ano completo meio século de trabalho na Coamo e tenho um grande orgulho e, ao mesmo tempo sinto muita gratidão por tudo que recebi e aprendi durante essa jornada. Vem à mente um belo filme, pois tenho uma honra muito grande de ter participado de muitas histórias e coisas boas na cooperativa.

RC: Como foi a evolução do senhor na cooperativa?
Antonio Sérgio: Quando entrei na Coamo, ela estava nascendo, tinha cinco anos de atividades. Estava terminando as construções dos dois primeiros entrepostos em Engenheiro Beltrão e Mamborê. Fui galgado a superintendente Administrativo em 1º de dezembro de 1979 e participei de todos os processos de reestruturação nesses 50 anos. A última, foi em fevereiro de 2020, com a implantação da governança corporativa, oportunidade em que fui promovido a diretor Administrativo e Financeiro. Sou muito feliz com minha realização profissional na Coamo.

RC: Qual a importância dessa reestruturação organizacional em 2020?
Antonio Sérgio: Como o Dr. Aroldo sempre diz, “a Coamo não foi feita para uma geração, mas para todas as gerações”. Esta reestruturação foi resultado de um planejamento estratégico iniciado, em 2016, e vem colhendo bons frutos com apoio total dos cooperados. Trata-se de um marco, de um novo tempo da Coamo preparando a cooperativa para o futuro. Com essa governança e a implantação bem-sucedida das diretrizes corporativas, fizemos os ajustes necessários e participei ativamente dessa reestruturação com a criação da Diretoria Executiva. O Conselho de Administração está com a parte estratégica e a Diretoria Executiva com a tática e a execução operacional. Essa reestruturação permitirá a perpetuação da Coamo, pois os cooperados – donos da cooperativa – participam de um Conselho de Administração, e definem o caminho a ser seguido e a contratação de profissionais competentes em cada área para executar aquilo que foi traçado pelo conselho.


Antonio Sérgio Gabriel, Diretor Administrativo e Financeiro

Graduado em Direito, Antonio Sérgio Gabriel faz parte do quadro de funcionários da Coamo desde junho de 1975.

RC: Como foi a transição dessa reestruturação organizacional?
Antonio Sérgio: A confiança e a transparência da diretoria com os cooperados é um valor muito grande que o Dr. Aroldo semeou mesmo antes do surgimento da Coamo. Pelo seu dinamismo, conhecimento e dedicação, ele goza de um conceito grande perante os cooperados e a comunidade empresarial brasileira, as instituições financeiras e parceiros. Ele preparou muito bem esta reestruturação e contou com o apoio do quadro social para uma transição tranquila e perfeitamente absorvida por eles. Também destaco nesses cinco anos com a governança, o grande trabalho e a credibilidade que o nosso presidente Executivo, Airton Galinari tem em face da sua experiência de quase 40 anos na Coamo.


"A COAMO NÃO FOI FEITA PARA UMA GERAÇÃO, MAS PARA TODAS AS GERAÇÕES, E ISSO GARANTE SUA PERPETUAÇÃO."

RC: Quais os pilares que resultam no sucesso da Coamo?
Antonio Sérgio: O sucesso da Coamo está sustentado por três pilares sólidos que a amparou nesses 55 anos de atividades: capitalização, estabilidade administrativa e a harmonia reinante entre cooperados, funcionários e a diretoria (aqui entendido Conselho de Administração e Diretoria Executiva). A capitalização da cooperativa foi um propósito a ser seguido desde o início e permitiu que a Coamo nunca tivesse problemas financeiros nos momentos de crise econômica do país, ou crises provocadas por intempéries climáticas ou de preços dos produtos agrícolas. A estabilidade administrativa permitiu e permite que os projetos de médio e longo prazo sejam planejados e implantados sem interrupção por mudanças radicais na sua administração, bem como a prática de negócios com ética e transparência, a valorização humana, e gestão democrática, com um forte senso de pertencimento e união. A harmonia reinante entre o quadro de cooperados, funcionários e diretoria, permite que as decisões sejam compreendidas e entendidas por todos, e assim, a cooperativa se desenvolva sem atritos entre as partes interessadas.

RC: Por que o senhor diz que a Coamo tem um manancial de conhecimento e a dedicação de mais de 60 profissões?
Antonio Sérgio: A Coamo, em suas múltiplas atividades, conta com 60 profissões, onde os nossos profissionais têm a oportunidade de optar e contar com sua realização profissional. Ou seja, desde as atividades rural, comercial, industrial dos mais diversos ramos: transportes, mecânica, tecnologia da informação, pesquisa e desenvolvimento, atividade portuária, financeira, administrativa, comunicação, administração de gente, e assim por diante. Esses profissionais contam com um manancial muito grande de oportunidades dentro da cooperativa. Eles fazem parte de um dos pilares de sustentação e junto com os cooperados e diretoria têm a incumbência de perpetuar a Coamo. Esse pilar foi cravado desde o início da cooperativa. Lembro que quando aqui cheguei, ao receber o holerite do meu primeiro pagamento, estava impressa a seguinte mensagem, tirada de um livro de Clarence Francis, Executivo de Negócios norte-americano: “Acreditamos que o maior ativo de nossa empresa é o seu ativo humano. E que o incremento do seu valor é, ao mesmo tempo, questão de vantagens materiais e obrigações morais. Portanto, cremos que os nossos funcionários devem ser retribuídos com justiça, encorajados no seu progresso, previamente informados, designados adequadamente e acreditamos que suas vidas devem possuir significado e dignidade dentro e fora do trabalho”. Um propósito que persiste até os dias atuais.

Antonio Sérgio com os presidentes da Coamo e Credicoamo na comemoração dos seus 50 anos de trabalho na cooperativa

Antonio Sérgio com os presidentes da Coamo e Credicoamo na comemoração dos seus 50 anos de trabalho na cooperativa


RC: O que esperar da Coamo para o futuro?
Antonio Sérgio: A Coamo vive o presente com muito esmero e determinação, e está atenta ao futuro. Suas diretrizes corporativas são determinantes e baseadas na missão, visão e valores, com foco em cooperação, desenvolvimento humano e sustentabilidade. Como uma empresa conservadora nos princípios e valores, promove o crescimento pessoal e profissional dos cooperados e funcionários, investe em relações de confiança com parceiros e comunidades, e adota práticas responsáveis e sustentáveis por meio do programa ESG, nos pilares Social, Ambiental e de Governança. Estamos permanentemente atentos às novas tecnologias quer no campo junto aos nossos cooperados, quer na administração, junto aos nossos funcionários com planejamentos integrados onde todos estão sendo preparados para a sustentação da Coamo no tempo.

RC: Houve muita evolução nesses 50 anos de Coamo?
Antonio Sérgio: O crescimento vertiginoso da Coamo nessas cinco décadas foi muito grande e para isso foram necessários braços, de investimento em tecnologia e inovação, para acompanhar toda a transformação comercial e industrial visando a colocação dos produtos dos nossos cooperados com origem e qualidade na mesa de milhões de brasileiros e no mercado externo. Buscamos as mais modernas tecnologias e usamos também a inteligência artificial (IA) que hoje realmente é uma novidade e necessidade, para utilizar com responsabilidade em benefício dos processos que resultam em agregação de valor aos cooperados.

RC: O senhor foi incentivador do Memorial Coamo. Qual o resultado dessa iniciativa?
Antonio Sérgio: É muito importante registrar e perpetuar a história, principalmente para as novas gerações. O Dr. Aroldo sempre nos cobrou para montarmos um “museu”. Mas, em conjunto, concluímos que o melhor seria um “Memorial” onde pudéssemos resgatar o passado, mostrar o presente e com olhar para o futuro. Realmente, se nós não contarmos a história de como foi feito, não haverá como podermos transferir isso para as atuais e futuras gerações, por isso é necessário que as gerações futuras entendam que nada foi feito gratuitamente. Houve muito trabalho, suor, dedicação e renúncia. Por isso, foi pensado, planejado e executado um moderno conceito de um espaço memória que é moderno e inovador com os três eixos - passado, presente e futuro, onde recebemos em praticamente um ano de funcionamento mais de 11 mil visitantes.

RC: O senhor tem falado que uma empresa longeva precisa de funcionários experientes. Qual a importância do “Tempo de Casa” para a Coamo?
Antonio Sérgio: Ninguém faz nada sozinho, eu não estaria me sustentando durante 50 anos senão fossem os meus companheiros de trabalho e a diretoria. A Coamo tem um manancial de conhecimento com funcionários longevos, e esses conhecimentos são repassados principalmente para os novos funcionários. A diretoria faz esse reconhecimento dentro do espetacular programa Tempo de Casa, que em 2025 reuniu 468 funcionários com 10, 20, 30, 40 e 50 anos de trabalho. São protagonistas que representam mais de 60 atividades e profissões, e uma diversidade de funções com esse “exército” de profissionais, que é motivo de orgulho para a diretoria.

RC: Qual o recado que senhor deixa para os nossos leitores?
Antonio Sérgio: Eu tenho orgulho de ter participado de todo esse crescimento da Coamo, que considero um monumento fantástico do cooperativismo brasileiro. Não só do cooperativismo, mas também do ramo empresarial brasileiro como um todo. Isso é referendado no novo slogan da Coamo, que adotamos a partir de 2020, nos 50 anos da cooperativa, que é: “A vida é a gente que transforma”. Assim, a Coamo acredita e investe nas pessoas e nessas mais de cinco décadas, manteve a essência e os valores como a transparência, a honestidade de princípios, o respeito ao ser humano, os quais são imutáveis. Nós não fazemos qualquer negócio, e fazemos realmente aquilo que é certo, e isso está na cultura da Coamo, pois não tem jeito certo de fazer a coisa errada. Na Coamo aprendemos que as coisas certas dão a tranquilidade para cuidarmos do patrimônio dos nossos cooperados e se perpetuar dentro desses princípios.

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