Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 563 | Novembro de 2025 | Campo Mourão - Paraná

PORTO

Navio no Porto de Paranaguá

Paranaguá, conectando a Coamo ao mundo

Terminais próprios garantem fluxo contínuo de exportações e fortalecem a logística que movimenta a produção dos cooperados para cerca de 40 países


Trabalhador observando o porto

A presença da Coamo no Porto de Paranaguá consolidou uma rota estratégica que integra a produção dos cooperados às demandas do mercado internacional. Com dois terminais portuários operando de forma contínua, um próprio e outro arrendado, a cooperativa assegura previsibilidade, redução de custos logísticos e capacidade para atender cerca de 40 países.

Essa estrutura conecta o trabalho realizado nas unidades de recebimento, nas indústrias de processamento e na movimentação de grãos, farelo e óleo até o embarque dos navios.

O fluxo envolve planejamento integrado, rastreabilidade e operação dedicada, garantindo que a produção chegue ao destino com regularidade. O porto também abriga a indústria de óleo da Coamo e, em breve, uma nova planta de biodiesel, ampliando a atuação industrial da cooperativa no litoral.

O diretor de Logística e Operações da Coamo, Edenilson Carlos de Oliveira, explica que o Porto de Paranaguá é um elemento central na cadeia logística dos cooperados. “As indústrias da Coamo têm uma capacidade de processamento de cerca de 9.100 toneladas de soja por dia. Desse volume, aproximadamente 78% se transformam em farelo, e cerca de 90% desse farelo é destinado à exportação. Precisamos ter segurança de que essa cadeia não será interrompida.”

Segundo ele, ao contar com terminais próprios, a cooperativa evita possíveis riscos da dependência integral de terceiros, como interrupções por falta de espaço físico ou limitações operacionais. A estrutura própria também permite segregar o farelo, garantindo as exigências de mercados específicos, como a Europa. “Atualmente, exportamos farelo da Coamo segregado porque conseguimos operar e separar esse produto dentro do nosso terminal, o que agrega valor ao cooperado.”

Oliveira explica ainda que os terminais da Coamo funcionam como uma prestação de serviço à cooperativa, sem objetivo de margem. Isso reduz de forma significativa o custo por tonelada movimentada. “Quando contratamos terminais de terceiros, em Paranaguá (PR), Santos (SP), Rio Grande (RS), São Francisco (SC) ou outros portos, o custo é sempre mais alto. Com estrutura própria, o resultado retorna ao cooperado.”

Em 2024, a Coamo movimentou cerca de 4,5 milhões de toneladas de produtos, principalmente milho, soja, farelo e óleo, além de pequenos volumes de trigo por cabotagem. Desse total, 2,8 milhões de toneladas passaram pelos terminais da cooperativa. O restante, aproximadamente 1,7 milhão de toneladas, foi movimentado por terceiros.


Navio Golden Faith sendo carregado

O diretor explica que o desempenho superior do ano passado foi influenciado pela maior liquidação por parte dos produtores. “Quando o produtor fixa mais, embarcamos mais”, frisa.

Em 2025, o volume é menor, reflexo da frustração na safra de soja e do comportamento do milho no Mato Grosso do Sul, que reduziu a destinação para exportação. Até 31 de outubro, foram movimentadas três milhões de toneladas, das quais 2,2 milhões passaram pela estrutura própria da Coamo. “Quando há redução de volume, reduzimos mais nos terceiros e concentramos o serviço interno. Isso gera resultado para o cooperado, pois os custos são menores.”

Oliveira aponta que o Porto de Paranaguá passa por mudanças estruturais no corredor de exportação, conduzidas pelo poder público, com efeitos diretos na agilidade das operações. “O tempo de fila de navios tem um peso elevado no custo. Essas obras devem trazer mais rapidez ao porto.” Ele ressalta que a Coamo acompanha esse movimento com obras próprias. “Já temos todos os projetos aprovados pela autoridade portuária e devemos iniciar no próximo ano investimentos de modernização, principalmente no fluxo de descarga e na operação de embarque no Terminal 1.” Ele destaca que os investimentos continuam também no Terminal 2, acompanhando o aumento de capacidade das unidades industriais. “Com o crescimento do esmagamento de soja em Dourados e o início da produção de etanol, que poderá gerar exportação de DDG, estamos adequando nossa estrutura para absorver esse volume.”

O gerente de Operações Portuárias da Coamo, João Ivano Marson, explica que o trabalho realizado no porto segue um fluxo logístico que conecta as unidades de recebimento da cooperativa ao terminal marítimo. “Nós trabalhamos com uma logística 100% voltada para atender as demandas da Coamo”, afirma Marson.

Para abastecer um navio, o terminal recebe entre 1.600 e 1.800 caminhões. Durante a safra, grande parte desse fluxo envolve veículos que partem das unidades da Coamo nos três Estados de atuação da cooperativa. O trabalho inclui planejamento logístico, recebimento das cargas, armazenagem, manejo dos produtos e embarque nos navios.

“O planejamento envolve várias áreas da Coamo, desde a negociação comercial até o transporte, formando uma cadeia logística que precisa ser executada de forma coordenada”, destaca Marson.

A rastreabilidade é um dos diferenciais da Coamo no mercado internacional. O farelo de soja, por exemplo, exige cuidados rigorosos desde a origem. “A Coamo só movimenta farelo nos seus dois terminais, exatamente pelo controle necessário para garantir as características do produto”, comenta. A distância entre as propriedades rurais e o Porto de Paranaguá reforça a responsabilidade da operação.

Edenilson Carlos de Oliveira, diretor de Logística e Operações da Coamo

Edenilson Carlos de Oliveira, diretor de Logística e Operações da Coamo

João Ivano Marson, gerente de Operações Portuárias da Coamo

João Ivano Marson, gerente de Operações Portuárias da Coamo


Marson afirma que o desafio é parte da rotina logística e exige coordenação contínua. “É uma grande responsabilidade lidar com a produção de milhares de cooperados”, diz.

Segundo ele, a organização do fluxo começa ainda nas unidades, onde é definido o agendamento de chegada dos caminhões ao porto. Após a viagem, os veículos passam pelo pátio de triagem do porto, onde ocorre classificação e amostragem. Em seguida, são encaminhados ao terminal da Coamo para descarga.

O Porto de Paranaguá é uma rota consolidada para exportações agrícolas e tem papel estratégico para a cooperativa. “Desde o início das operações em 1990, sempre houve um crescimento contínuo e uma relação de complementaridade entre a Coamo e o porto”, afirma Marson.

As operações portuárias ocorrem a céu aberto, o que exige atenção às condições climáticas, especialmente durante o carregamento dos navios. Ainda não há tecnologias que permitam embarcar grãos durante a chuva, o que demanda programação contínua. “Quando o tempo está bom, é preciso aproveitar. Quando chove, faz parte do processo”. Segundo ele, a gestão dos estoques e das janelas de embarque é feita de modo a minimizar impactos e manter o fluxo de exportação dentro do planejado.

O Porto de Paranaguá é uma estrutura multipropósito que atende diversos segmentos do comércio exterior brasileiro. A movimentação anual envolve tanto exportações quanto importações, com destaque para fertilizantes, produtos agrícolas e proteínas. O diretor de Operações Portuárias dos Portos do Paraná, Gabriel Perdonsini Vieira, revela que mais de 25% de todo o fertilizante importado pelo país chega pelos portos paranaenses. Na exportação, os principais produtos são soja, farelo, milho, óleo de soja e proteínas de frango, bovinas e suínas.

“Somos o maior corredor de exportação de frango congelado do mundo”, afirma o diretor.

Segundo ele, o porto deve movimentar mais de 70 milhões de toneladas neste ano, resultado que representa aumento significativo em relação aos anos anteriores.

Vieira destaca a atuação da Coamo como uma das principais exportadoras que utilizam o Porto de Paranaguá. “A Coamo tem papel fundamental no desenvolvimento da infraestrutura portuária do Estado”, afirma o diretor. Ele também observa a continuidade dos investimentos da cooperativa em suas operações portuárias e a relevância dessa presença para o complexo. Segundo ele, o relacionamento entre a administração do porto e a cooperativa contribui para manter o fluxo eficiente das exportações e reforça a integração da infraestrutura logística do Estado.

Gabriel Perdonsini Vieira, diretor de Operações Portuárias dos Portos do Paraná

Gabriel Perdonsini Vieira, diretor de Operações Portuárias dos Portos do Paraná

Indústria de Óleo

Indústria de Óleo em Paranaguá


A Coamo mantém em Paranaguá uma unidade industrial dedicada ao esmagamento de soja e à produção de farelo, óleo e casca. A operação está integrada à estrutura logística do porto e desempenha papel estratégico na destinação da soja que chega ao litoral para exportação.

O gerente da Indústria de Óleo de Paranaguá, Lincoln de Negreiros Teixeira, revela que a indústria processa atualmente duas mil toneladas de soja por dia. Os produtos gerados têm diferentes destinos: o farelo é 100% destinado à exportação, o óleo é comercializado tanto no mercado externo quanto interno, e a casca é destinada exclusivamente ao mercado nacional.

Segundo Teixeira, a planta foi estruturada para receber integralmente a soja que chega dos entrepostos da cooperativa. “A fábrica está pronta para absorver toda a produção enviada para Paranaguá”, afirma.

Lincoln de Negreiros Teixeira

Lincoln de Negreiros Teixeira, gerente da Indústria de Óleo de Paranaguá

A localização da unidade industrial, próxima ao porto, contribui para minimizar riscos sanitários no processo de exportação. “A proximidade com o terminal portuário praticamente elimina a possibilidade de contaminação, porque o produto segue direto para os armazéns”, destaca o gerente.

Segundo o gerente, a planta de Paranaguá está passando por um amplo processo de modernização.


Painel de controle da indústria

Industrialização passa por rigoroso processo para manter a qualidade da produção

Caminhão na indústria

Indústria em Paranaguá está passando por um amplo processo de modernização


A primeira etapa inclui mudanças estruturais nas áreas de secagem, preparação e peritização, além da adoção de um moderno processo de descascamento, que substituirá o método atual e permitirá um ganho de produtividade. Atualmente com capacidade para duas mil toneladas por dia, a indústria deve chegar a 2,5 mil toneladas após a conclusão da etapa em andamento. “O processo em andamento representa praticamente uma fábrica nova”, afirma.

Nova planta de biodiesel

Além da modernização da fábrica de óleo, a Coamo está implantando uma nova indústria de biodiesel dentro do mesmo complexo industrial. A planta terá capacidade de mil toneladas por dia, ampliando a atuação da cooperativa no segmento de bioenergia.

Para atender à demanda da nova indústria, a produção de óleo da unidade – atualmente em cerca de 420 toneladas por dia – precisará ser complementada com matéria-prima adquirida no mercado. A ampliação da capacidade de esmagamento é, portanto, parte essencial da estratégia. “A ideia é que toda a produção de biodiesel possa ser suprida pela própria Coamo”, explica Teixeira.

O coordenador de Produção e Biodiesel, Wellington Almeida Souza, recorda que a proposta de construir uma indústria de biodiesel passou por avaliações internas nos últimos anos e foi aprovada em assembleia no início de 2025. “O projeto está agora na fase de suprimentos e engenharia para aquisição da planta”, afirma.

Com a aprovação técnica e orçamentária concluída, a construção da nova unidade deve começar no início de 2026. A estrutura industrial terá entre 1.300 e 1.800 m² de área construída, além de aproximadamente 2 mil m² de tancagem, necessários para armazenagem e etapas intermediárias do processo. A previsão é que a operação da nova indústria inicie no final de 2027.

A planta de biodiesel utilizará o óleo bruto produzido na própria unidade industrial de Paranaguá. Souza explica que o objetivo é agregar valor ao produto já existente na linha industrial. “Vamos pegar o óleo da fábrica, processar e formar o biodiesel”, destaca. Segundo ele, a destinação inicial do biodiesel será o mercado interno. Parte do volume poderá futuramente ser exportado, desde que sejam obtidas as certificações necessárias.

É permitida a reprodução de matérias, desde que citada a fonte. Os artigos assinados ou citados não exprimem, necessariamente, a opinião do Jornal Coamo.