Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 563 | Novembro de 2025 | Campo Mourão - Paraná

AGROINDUSTRIALIZAÇÃO

Vista aérea do Parque Industrial da Coamo em Campo Mourão (PR)

Parque Industrial da Coamo em Campo Mourão (PR)

HORIZONTE DA
INDUSTRIALIZAÇÃO


Há cinco décadas, a Coamo desenvolve um modelo industrial integrado que transforma a produção dos cooperados, amplia mercados, fortalece a competitividade e sustenta novos ciclos de crescimento com investimentos permanentes






Vista aérea panorâmica do complexo industrial

A trajetória industrial da Coamo acompanha a evolução da cooperativa. Há 50 anos, quando iniciou o processo de agroindustrialização, a estrutura produtiva passou a se expandir com o objetivo de agregar valor ao trabalho dos cooperados e atender às demandas de mercados internos e externos. Para marcar o cinquentenário da industrialização, a Coamo realizou um evento em 28 de novembro, data de aniversário da cooperativa, no parque industrial de Campo Mourão. A solenidade reuniu diretoria, cooperados, funcionários e profissionais da imprensa de diversas regiões do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

Durante o evento, foi inaugurado o monumento dos 50 anos da agroindustrialização da Coamo. A obra celebra cinco décadas desse processo, simbolizando a evolução da cooperativa ao longo do tempo. O projeto foi desenvolvido a partir de um requisito central: a engrenagem como elemento principal, representando o movimento contínuo da indústria e sua relevância no sistema produtivo.

Monumento dos 50 anos da agroindustrialização da Coamo

Monumento dos 50 anos da agroindustrialização da Coamo






Diretoria da Coamo, fundadores e convidados durante a inauguração do Monumento

Diretoria da Coamo, fundadores e convidados durante a inauguração do Monumento dos 50 anos da agroindustrialização

Criada em 1970, a Coamo iniciou o processo industrial em 1975, com a implantação do primeiro moinho de trigo. Em 1981, entrou em operação a primeira unidade de esmagamento de soja, seguida pela fiação de algodão, em 1985. Em 1990, passaram a funcionar a indústria de processamento de soja e o Terminal Portuário de Paranaguá. O avanço prosseguiu com a refinaria de óleo de soja, em 1996, a indústria de hidrogenação, em 1999, e a fábrica de margarinas e gordura vegetal, em 2000. Em 2009, foi incorporada a torrefação e moagem de café e, em 2015, entrou em atividade um novo moinho de trigo.

Os investimentos continuaram com duas indústrias inauguradas em Dourados (MS), em 2019, destinadas à produção de farelo, óleo bruto e óleo refinado de soja. Em 2024, teve início a operação da indústria de rações. Esse conjunto de unidades transforma a produção dos cooperados em óleo degomado de soja, farelo, margarinas, gorduras, farinha de trigo e café, destinados ao abastecimento de mercados internos e externos, gerando renda ao quadro social e emprego nas comunidades.

Com esse desenvolvimento, a Coamo consolidou uma estrutura industrial integrada ao campo, fortalecendo a parceria com os associados e ampliando o valor agregado à produção ao longo de cinco décadas de agroindustrialização.

O presidente do Conselho de Administração, José Aroldo Gallassini, explica que a industrialização sempre integrou o planejamento estratégico da cooperativa. “Ao transformar a matéria-prima, a Coamo amplia margem, fortalece a competitividade e melhora o retorno entregue aos cooperados.” Ele afirma que a linha adotada desde as primeiras unidades foi direcionada ao aproveitamento dos produtos in natura conforme a demanda dos mercados interno e externo, sempre com foco na viabilidade industrial.

Gallassini recorda que a Coamo foi fundada em 28 de novembro de 1970, período em que a região vivia o fim do ciclo da madeira e trabalhava com pequenas áreas de milho, algodão e feijão. O trigo foi a primeira cultura mecanizada e serviu de base para o início da industrialização. “A Coamo adquiriu um pequeno moinho próximo ao centro de Campo Mourão e começou a produzir farinha. Em seguida vieram a soja, o algodão e a implantação das indústrias que consolidaram a agroindustrialização.” Gallassini lembra que o modelo permitiu ampliar renda e criar oportunidades num cenário que, até então, contava com poucas estruturas industriais.






Evolução da Industrialização Coamo

1975 Moinho de Trigo
Campo Mourão-PR
1981 Indústria de Processamento de Soja
Campo Mourão-PR
1985 Fiação de Algodão
Campo Mourão-PR
1990 Indústria de Processamento de Soja e Terminal Portuário
Paranaguá-PR
1996 Refinaria de Óleo de Soja
Campo Mourão-PR
1999 Indústria de Hidrogenação
Campo Mourão-PR
2000 Indústria de Margarina e Gordura Vegetal
Campo Mourão-PR
2009 Torrefação e Moagem de Café
Campo Mourão-PR
2015 Moinho de Trigo
Campo Mourão-PR
2019 Indústrias de Processamento de Soja e Refinaria de Óleo de Soja
Dourados-MS
2024 Indústria de Rações
Campo Mourão-PR
Pedra Fundamental Indústria de Etanol de Milho
Campo Mourão-PR
2025 50 anos Agroindustrialização Coamo
Moinho de trigo, primeira indústria da Coamo, inaugurado em 1975

Moinho de trigo, primeira indústria da Coamo, inaugurado em 1975

Vista da indústria antiga
Processo industrial antigo
Linha de produção
Embalagens antigas Coamo

A Coamo segue ampliando sua presença no campo e na indústria, integrando produção agrícola, agroindustrialização e exportação. Para o presidente Executivo da Coamo, Airton Galinari, esse modelo garante competitividade, retorno ao cooperado e sustentação do crescimento institucional. “Com mais de 32,5 mil cooperados distribuídos no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, a Coamo estruturou um sistema que combina produção rural, processamento industrial e comercialização. O modelo envolve unidades de óleo, trigo, margarinas, café, rações e o envio de parte da produção ao mercado externo.”






Galinari explica que a verticalização é um componente central desse processo. Atualmente, entre 40% e 45% da soja recebida e até 35% do trigo passam por processamento industrial. Para ele, essa transformação aumenta o valor agregado e o retorno final aos associados. “Somos uma cooperativa verticalizada e conectada aos produtores. A industrialização sempre esteve no centro das decisões.” Ele destaca que o primeiro moinho de trigo, visto como um desafio no início, tornou-se o ponto de partida para o ciclo industrial que hoje completa 50 anos. Galinari afirma que esse avanço depende de investimento contínuo. “A Coamo conseguiu crescer porque sempre pensou adiante e não pode parar de fazer isso.”

O diretor Industrial da Coamo, Divaldo Corrêa, avalia que o equilíbrio entre commodities e produtos processados, aliado à tecnologia e ao rigor dos processos, sustenta o crescimento da cooperativa e amplia sua presença nos mercados interno e externo. Ele explica que a dinâmica da Coamo apontou a necessidade de transformar parte das matérias-primas. Assim, surgiu o primeiro moinho de trigo, em 1975, quando os agricultores entregavam o trigo e recebiam farinha, atendendo a uma demanda regional.

Infográfico: Capacidade Nominal de Produção Industrial
Parque Industrial da Coamo em Dourados (MS)

Parque Industrial da Coamo em Dourados (MS)






Atualmente, o parque industrial mantém padrões rigorosos de qualidade, estendendo ao processamento, os mesmos critérios aplicados no recebimento de grãos. “Todos os produtos alimentícios da marca carregam certificações e selos que atestam conformidade e garantem acesso a mercados exigentes. O objetivo é preservar a padronização do produto desde a lavoura até a entrega final”, afirma Corrêa.

O diretor Industrial destaca que a evolução tecnológica acompanha cada etapa de ampliação. “Os 50 anos de industrialização representam um marco, assim como o primeiro moinho, que completa meio século de operação, e o novo moinho, iniciado em 2015, que chega a dez anos. A prática de expansão contínua permitiu à cooperativa construir novas indústrias a cada três ou quatro anos.”

Com a futura planta de biodiesel e com a indústria de etanol em construção, a Coamo chegará a 14 unidades industriais entre Campo Mourão, Dourados e Paranaguá. Também opera um moinho terceirizado em Mamborê. Os alimentos produzidos abastecem consumidores em todo o Brasil e países da América Latina.

As unidades industriais empregam cerca de 1.600 trabalhadores nos três Estados. Corrêa afirma que a inovação permanece como desafio e reforça que todos os projetos seguem tecnologias avançadas. Para ele, a referência da Coamo no agronegócio também se sustenta em qualidade e certificações internacionais. “No cinquentenário da agroindustrialização, o ritmo de implantação de novas unidades deve seguir o mesmo padrão observado ao longo das últimas décadas: sempre avançando.”

Corrêa reforça que a industrialização está ligada à identidade da cooperativa. Segundo ele, a estrutura reforça a missão de geração de renda. “Sem a industrialização, o cooperado não teria a remuneração que tem.”

A industrialização também tem papel estratégico na formação de renda dos cooperados no segmento de alimentos. O diretor Comercial, Rogério Trannin de Mello, afirma que o modelo agroindustrial fortalece a competitividade e amplia o retorno econômico. A relação entre os preços internos e o mercado internacional é frequente nas conversas com compradores estrangeiros. Ele relata que muitos questionam por que, em alguns momentos, o preço pago no interior supera o mercado internacional. “E eles perguntam: ‘Por que está valendo mais?’ E é a industrialização que faz essa diferença.”

Trannin explica que os produtos processados ampliam o valor gerado em relação ao grão in natura, e esse valor retorna diretamente ao quadro social. “Todos esses produtos acabam agregando um valor que, no nosso caso, por sermos uma cooperativa, fica com o associado.” Para ele, a confiabilidade do processo industrial da Coamo fortalece relações comerciais, garante rastreabilidade e atende as exigências dos mercados. “A industrialização permanece como um dos pilares para sustentar competitividade, ampliar valor agregado e garantir mais estabilidade nas operações comerciais.”

Vista noturna do Parque Industrial
É permitida a reprodução de matérias, desde que citada a fonte. Os artigos assinados ou citados não exprimem, necessariamente, a opinião do Jornal Coamo.