Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 564 | Dezembro de 2025 | Campo Mourão - Paraná

ENTREVISTA

 

ANDRÉ SAVINO

Presidente de Proteção de Cultivos da Syngenta no Brasil


“A integração de tecnologias é o caminho para a agricultura do futuro.”


A agricultura brasileira enfrenta um ambiente cada vez mais complexo, marcado por desafios climáticos, pressão biológica elevada e necessidade permanente de inovação. Nesse contexto, a proteção de cultivos assume papel estratégico para garantir produtividade, sustentabilidade e eficiência nas lavouras. À frente dessa agenda no país, André Savino, presidente de Proteção de Cultivos da Syngenta no Brasil, compartilha sua trajetória no setor e a visão construída a partir de mais de duas décadas de atuação próxima ao produtor rural. Na entrevista, Savino aborda a evolução das tecnologias químicas e biológicas, o avanço da digitalização no manejo agrícola, os impactos das mudanças climáticas e a importância do manejo integrado.

Revista Coamo: Como o senhor descreve sua trajetória até assumir a presidência de Proteção de Cultivos no Brasil e quais experiências considera mais determinantes nessa jornada?

André Savino: Antes de falar sobre minha trajetória na companhia, preciso dizer que sou apaixonado por agricultura, por produzir alimento, pelo contato com a terra, o que me motivou a cursar agronomia e seguir carreira no setor. Ingressei na Syngenta em 1998 como Assistente Técnico até progredir para Representante Técnico de Vendas. Ao longo dos anos, atuei em diversas posições que foram fundamentais para que eu chegasse até aqui com o melhor preparo possível. O Brasil é o maior mercado para a Syngenta. Por conta disso, a companhia estabeleceu a posição de Presidente de Proteção de Cultivos no País em 2024. Como líder da operação, tenho como objetivo fortalecer a coordenação entre a nossa organização comercial e nossos parceiros, a fim de atender com excelência os agricultores. Afinal, também sou um pequeno produtor de café e conheço um pouco sobre os desafios da profissão. Isso me traz sensibilidade para olhar para a agricultura e ver como eu consigo, dentro da Syngenta, agir positivamente para que a gente possa ter um setor forte e sustentável.

RC: Quais aprendizados acumulou ao longo da sua atuação no setor agrícola e que influenciam diretamente sua forma de liderar hoje?

Savino: O agro me ensinou que a liderança deve ser pautada na inovação e na resiliência, mas também na simplicidade. A complexidade do clima tropical e a pressão biológica exigem um compromisso contínuo com a inovação. Sou pautado por proximidade com o cliente, para entender as demandas dos produtores; foco em inovação, para propor soluções que auxiliem nossos clientes a enfrentar os desafios de agricultura tropical, além de uma gestão focada em qualidade. Assim, a Syngenta consegue oferecer produtos e serviços que impactam positivamente a vida dos agricultores e que são fundamentais para as lavouras mais eficientes e sustentáveis.



André Savino

André Savino é engenheiro agrônomo formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), com MBA pela Fundação Dom Cabral e especializações em instituições internacionais, incluindo Purdue University e INSEAD. Ele iniciou sua trajetória profissional em 1998 na Syngenta Crop Protection, então como assistente técnico, passando rapidamente a representante técnico de vendas e acumulando mais de 25 anos de experiência na companhia. Ao longo de sua carreira na Syngenta, atuou em diversas áreas e posições, incluindo operações de proteção de cultivos, estratégia comercial e marketing, tendo liderado funções como Head de Marketing no Brasil e Diretor Geral da Plataforma Comercial SYNAP. Em janeiro de 2024, foi nomeado Presidente da Syngenta Proteção de Cultivos no Brasil, em cargo recém-criado para reforçar a liderança local da empresa e coordenar unidades comerciais, plataformas de crescimento e iniciativas estratégicas. Além de sua atuação executiva, Savino também é produtor rural – cafeicultor – no sul de Minas Gerais, o que amplia sua compreensão prática dos desafios do setor agrícola. Em 2025, foi reconhecido como um dos 100 Mais Influentes do Agronegócio, na categoria Tecnologia e Inovação, reforçando sua relevância no setor.

RC: Quais são atualmente os principais desafios do produtor brasileiro em relação ao manejo de pragas, doenças e plantas daninhas?

Savino: O principal desafio é o clima tropical, que ao permitir até três safras anuais, expõe a lavoura a uma pressão contínua de pragas, doenças e plantas daninhas. Aspectos operacionais como mão de obra qualificada, logística e necessidade de constante atualização técnica também são desafiadores. Por fim, além de barreiras econômicas e adaptações constantes ao cenário regulatório, as mudanças climáticas têm tornado o manejo ainda mais complexo e exigido uma abordagem integrada com métodos de controle e tecnologias de monitoramento e aplicação.

RC: Como o senhor avalia a evolução das tecnologias de proteção de cultivos nos últimos anos e quais tendências devem ganhar protagonismo?

Savino: Vejo um presente inovador e um futuro ainda mais promissor. Destaco três inovações nas quais investimos recentemente: 1. Para o manejo de nematoides, a Syngenta foi pioneira no desenvolvimento da tecnologia TYMIRIUM® – molécula que proporciona um controle sem precedentes e de alta performance desta problemática. 2. Sobre resistência e pressão de doenças, criamos o fungicida SEEKER® (para soja e trigo), que oferece um modo de ação novo essencial para quebrar o ciclo de resistência e garantir a sanidade da lavoura.



"O INVESTIMENTO CONTÍNUO EM PESQUISA E DESENVOLVIMENTO É ESSENCIAL PARA AUMENTAR A RESILIÊNCIA DOS SISTEMAS PRODUTIVOS."

3. Em relação a pragas como a cigarrinha do milho e lagartas resistentes, lançamos PLINAZOLIN®, uma tecnologia que deu origem ao inseticida VERDAVIS® (para controle robusto de pragas complexas no milho e silvicultura). Além disso, o mercado de defensivos biológicos também deve seguir crescendo nos próximos anos, e o Brasil tem um importante protagonismo nesse cenário.

RC: De que maneira as soluções biológicas vêm se integrando às estratégias de manejo e qual o impacto esperado dessa combinação no campo?

Savino: A Syngenta tem como pilar estratégico o Manejo Integrado de Pragas e Doenças, por meio do qual defendemos a complementaridade entre soluções químicas e biológicas. Nossa abordagem não é de substituição, mas de integração inteligente das tecnologias. Em dezembro, por exemplo, anunciamos uma parceria global com a Provivi, a fim de introduzir uma nova geração de formulação de feromônios para o controle da Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) em diferentes culturas no Brasil, especialmente milho e soja. Com pensamento integrado, proporcionamos benefícios econômicos, agronômicos e ambientais, com destaque para a saúde do solo.

RC: Quais inovações a empresa está desenvolvendo para apoiar o agricultor em tomadas de decisão diante de cenários climáticos mais irregulares?

Savino: As inovações da Syngenta visam aumentar a resiliência dos sistemas produtivos por meio de infraestrutura, tecnologias disruptivas e digitalização. Investimos fortemente em P&D, e destaco a criação do Centro de Tecnologia e Engenharia de Produtos (PT&E), em Paulínia (SP). Com aporte de R$ 65 milhões, a instalação foi construída em uma região privilegiada, próxima a aeroportos, universidades, e outras unidades da empresa. Contamos ainda com o Seedcare Institute, em Holambra (SP), um centro de pesquisa, desenvolvimento, capacitação e difusão tecnológica que beneficia sementeiras, produtores, comunidade científica, especialistas da área e toda a rede do campo. Com foco no estudo do tratamento de sementes industrial, a estrutura inclui equipamentos e profissionais que realizam diversos serviços. Em termos de produtos, as inovações incluem a molécula PLINAZOLIN® e a tecnologia TYMIRIUM®. Além disso, a empresa foca em Agricultura Digital de Precisão para minimizar impactos climáticos, complementada por pesquisas em variedades resistentes a estresses climáticos, uso de Inteligência Artificial para tomada de decisão e expansão de bioinsumos e biotecnologia (incluindo edição genética) como alternativas sustentáveis.

“A agricultura brasileira tem potencial para seguir ampliando a produção sem expansão proporcional de área, desde que mantenha o foco em tecnologia e manejo adequado.”

RC: Como a digitalização, o monitoramento por dados e a automação têm influenciado o manejo agrícola e a eficiência nas lavouras?

Savino: A digitalização é uma força transformadora nas lavouras. A Syngenta Digital, nosso braço de soluções digitais, passou a integrar Inteligência Artificial ao Cropwise Balance, seu software de gestão.



Agricultores podem fazer o controle de insumos e custos por meio de áudios no WhatsApp, iniciativa que busca solucionar a falta de controle financeiro que pode comprometer a rentabilidade em até 30% de uma propriedade agrícola. A ferramenta vai ao encontro aos pilares estratégicos da Syngenta Digital que são: aumentar o portfólio, maximizar valor por hectare e reduzir o custo das operações de nossos clientes.

RC: Quais são as principais frentes de pesquisa e desenvolvimento em proteção de cultivos que devem chegar ao mercado nos próximos anos?

Savino: A Syngenta investe anualmente US$ 2 bilhões em P&D, com foco em Proteção de Cultivos, Sementes, Biológicos e Agricultura Digital, que utiliza a plataforma Cropwise™ e Inteligência Artificial para gestão e tomada de decisão, com meta de conectar 100 milhões de hectares até 2030. Todas essas inovações estão alinhadas às Prioridades de Sustentabilidade da Syngenta: mais produtividade com menos impacto; regeneração do solo; prosperidade rural; e operações mais sustentáveis.

RC: Como o senhor avalia o papel das cooperativas, como a Coamo, na disseminação de tecnologias e na ampliação de acesso à informação no campo?

Savino: As cooperativas são parceiras estratégicas e pilares fundamentais para o agronegócio brasileiro. Elas têm uma profunda relação de confiança com o produtor e uma capilaridade essencial, funcionando como o principal canal para disseminação de tecnologia: garantem que as inovações, sejam produtos ou serviços, cheguem aos agricultores em regiões remotas de forma assistida e segura. Desde 1970, a Coamo tem um papel fundamental na transformação da agricultura nos estados do PR, SC e MS, e sua Fazenda Experimental representa muito bem essa evolução. A Syngenta e a Coamo são parceiras de longa data e trazem em seu DNA inovação e presença junto ao cooperado.

“As cooperativas são pilares fundamentais para disseminar tecnologia e garantir que a inovação chegue ao produtor de forma assistida.”

RC: Como o senhor enxerga o papel do Brasil no cenário global de produção de alimentos e quais fatores serão decisivos para manter a competitividade do país nos próximos anos?

Savino: O Brasil é um dos principais players globais do agronegócio. Com uma área extensa de terras cultiváveis e condições climáticas favoráveis que propiciam até três safras ao ano, o País desempenha um papel crucial no abastecimento mundial de alimentos. De acordo com dados da Conab, nos últimos 40 anos o Brasil aumentou a produção agrícola em 503%, a produtividade cresceu 216%, enquanto a área plantada subiu apenas 93%. Ou seja, temos potencial para seguir abastecendo um mundo em que a demanda segue crescendo. Para isso, devemos preservar o meio ambiente e manter os compromissos com acordos internacionais para a conservação dos ecossistemas.

RC: Na sua avaliação, quais são os caminhos para fortalecer a sustentabilidade econômica, social e ambiental na agricultura brasileira, conciliando produtividade e responsabilidade?

Savino: O agronegócio brasileiro é fundamental para a produção global de alimentos e é parte da solução climática – isso ficou ainda mais claro na COP30. Lavouras, florestas e pastagens bem manejadas atuam como sumidouros de carbono, compensando emissões de outras fontes. O caminho para descarbonização do segmento parte de alavancas já consolidadas e economicamente atrativas para o produtor. Do nosso lado, as prioridades de sustentabilidade da Syngenta vão nos ajudar a moldar a agricultura do futuro.

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