Insumos biológicos: conceito, recomendações, meios de utilização e perspectivas
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FICHA TÉCNICA
Coordenadores: Victor Hugo Matias Cangussu de Moura (Engenheiro Beltrão) e Vinicius Francisco Albarello (Campo Mourão) Equipe técnica: Pedro Augusto Bosqui (Roncador), Glaici Kelly Pereira (Mamborê), Marcos Matheus Nakamura de Jesus (Manoel Ribas), Hugo Lorran de Melo Rocha (São Gabriel do Oeste), Eric Ken It Kikuchi (Juranda) e Jhonathan Matochec Pinto (Campo Mourão)
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O uso de insumos biológicos cresce na agricultura brasileira como estratégia para sistemas produtivos mais sustentáveis e competitivos. Essas ferramentas atendem à demanda por práticas que reduzem impactos ambientais, preservam a saúde dos trabalhadores rurais e contribuem para o manejo eficiente de pragas e doenças.
De acordo com o engenheiro agrônomo, Victor Hugo Matias Cangussu de Moura, o avanço dos produtos biológicos está diretamente ligado às exigências dos mercados compradores da soja brasileira, que demandam sistemas de produção cada vez mais sustentáveis. "Quanto menos agressão ao meio ambiente, mais vantagem comercial para o produtor", explica.
A estação também resgatou o histórico da Coamo na pesquisa e na utilização de biológicos. Segundo Moura, a cooperativa trabalha com essas tecnologias desde 1975, quando iniciou o uso de inoculantes na cultura da soja. "Desde então, houve avanço contínuo na incorporação de inoculantes, bioestimulantes, microrganismos solubilizadores de fósforo e soluções voltadas ao controle biológico de pragas e doenças. É uma trajetória de quase cinco décadas de trabalho com biológicos na agricultura", destaca.
Outro ponto abordado foi a qualidade dos produtos biológicos. Moura ressalta que a eficiência dessas tecnologias depende do controle rigoroso do processo produtivo. Durante o encontro, os cooperados conheceram as etapas de produção de um insumo biológico, em parceria com a Simbiose, incluindo critérios de pureza, fabricação e análises de controle de qualidade.
Moura observa que os insumos biológicos oferecem bons resultados de forma isolada, mas que podem ter desempenho ampliado quando utilizados de maneira integrada com produtos químicos. "O controle biológico e o controle químico não são excludentes, eles se complementam", afirma.
O cooperado Daniel Cucerevoi, de Palmital (Centro do Paraná), utiliza insumos biológicos há pelo menos dois anos e observa resultados positivos, sobretudo em situações de estresse hídrico ou excesso de chuvas. "São sinais claros de que o biológico está funcionando", afirma.
Cucerevoi acrescenta que os biológicos têm proporcionado melhor estande de plantas, maior desenvolvimento radicular e coloração mais intensa das lavouras. Para ele, a troca de experiências entre produtores e a proximidade com a assistência técnica da Coamo são diferenciais relevantes. "O conhecimento hoje é um dos principais fatores de produção", observa.
Daniel Cucerevoi, cooperado em Palmital
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Irrigação por pivô em culturas anuais
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FICHA TÉCNICA
Coordenadores: Elias Roveda (Juranda) e Marcos Vinicios Garbiate (Dourados) Equipe técnica: Carlos Alberto Della Riva (Goioerê), Rogerio Birelo Tibério (Moreira Sales), Daniel Scremin Carneiro (Campo Mourão), Leandro Douglas Scherer (Caarapó), Lucas Sydoski (Candói) e Tiago Pazini dos Santos (Boa Ventura do São Roque) Colaboração: Diego José de Souza Pereira (Lindsay)
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A irrigação por pivô central tem se consolidado como alternativa estratégica para reduzir riscos climáticos na produção de culturas anuais, diante da irregularidade na distribuição das chuvas. Tradicionalmente associada a grandes áreas e topografia plana, a tecnologia passa a ser apresentada como solução viável para propriedades de diferentes tamanhos e condições de relevo.
Segundo o engenheiro agrônomo, Elias Roveda, a proposta da estação na Fazenda Experimental foi desmistificar o uso do pivô central e ampliar a compreensão dos cooperados sobre as possibilidades de adoção da tecnologia. "Hoje, existem equipamentos adaptados para diferentes realidades, o que permite levar o pivô para propriedades de diversos perfis", afirma.
A irrigação por pivô foi apresentada como ferramenta de segurança para a produção agrícola. Em anos de estresse hídrico ou veranicos prolongados, o sistema possibilita suprir a demanda de água da cultura no momento adequado, reduzindo perdas de produtividade. "O pivô funciona como um seguro da lavoura. É um insumo que o produtor utiliza quando a cultura precisa", afirma Roveda.
Resultados práticos ilustram o impacto da irrigação na produtividade. Um exemplo citado refere-se a uma propriedade em que a área de sequeiro registrou média de 60 sacas por hectare de soja, enquanto a área irrigada alcançou 99 sacas por hectare. "A diferença evidencia o potencial da irrigação para mitigar efeitos do déficit hídrico e conferir mais estabilidade produtiva." Segundo Roveda, os números indicam viabilidade econômica do investimento, considerando o retorno proporcionado pelo aumento de produtividade.
A Fazenda Experimental da Coamo iniciará as pesquisas em cultivo irrigado, cujos dados serão consolidados e apresentados futuramente aos cooperados. O objetivo é gerar informações técnicas alinhadas à realidade regional, contribuindo para decisões mais seguras sobre a adoção da tecnologia.
Segundo o agrônomo, existem avanços tecnológicos dos sistemas de irrigação, que hoje contam com automação, telemetria e monitoramento remoto, permitindo o controle do pivô por dispositivos móveis. "Em um cenário climático cada vez mais variável, a irrigação por pivô se apresenta como ferramenta de planejamento e gestão do risco, contribuindo para a estabilidade produtiva, a intensificação sustentável das áreas agrícolas e o fortalecimento da rentabilidade das culturas anuais", comenta.
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Manejo de plantas daninhas na cultura do milho
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FICHA TÉCNICA
Coordenadores: Juliano Segandredo (Engenheiro Beltrão) e Itamar Leandro Suss (Campo Mourão) Equipe técnica: Diego Rodrigo Gonçalves Padilha (Fênix), Jonatan Decol (Reserva), Mario Felipe Mezzari (São Domingos), Mateus Gonçalvez (Janiópolis), Alana Vedois (Nova Santa Rosa) e Bruno Acadio Jacoby Stuany (Bragantina) Pesquisador: Rubem Silvério de Oliveira Junior (UEM)
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O manejo de plantas daninhas na cultura do milho é fundamental para a formação do estande, bom desenvolvimento inicial da lavoura e manutenção do potencial produtivo. O tema segue atual devido ao surgimento de novas espécies, ao aumento da resistência e às mudanças nos sistemas de cultivo adotados pelos produtores.
Segundo o engenheiro agrônomo, Juliano Seganfredo, o principal ponto discutido no encontro com cooperados foi a importância de respeitar o estádio da cultura no momento da aplicação de herbicidas. No milho, o período mais indicado para o manejo químico das plantas daninhas vai até o estádio V5. Aplicações realizadas fora desse intervalo podem comprometer o desenvolvimento da cultura e reduzir a eficiência do controle. "Respeitar o estádio do milho é fundamental para garantir segurança à cultura e eficiência no manejo", afirma.
A estação também tratou de situações específicas, como áreas que utilizam o consórcio do milho com braquiária, prática comum entre cooperados da Coamo. Nesse sistema, o manejo exige cuidados adicionais, pois o controle inadequado pode favorecer o aumento da infestação, principalmente de plantas daninhas de folhas estreitas. "Em áreas com histórico severo desse tipo de infestação, a orientação técnica pode ser, inclusive, evitar o consórcio, como forma de reduzir riscos futuros", comenta o agrônomo.
Entre as principais espécies destacadas estão o sorgo-lepense, conhecido como falso-massambará, o carrapichão e o capim-amargoso. "Essas plantas apresentam elevado potencial de competição com o milho e, em alguns casos, geram impactos que vão além da lavoura. A presença de sementes na colheita pode causar problemas comerciais, especialmente em cargas destinadas à exportação, em função das exigências sanitárias dos mercados compradores." Outras espécies, como caruru, picão-preto e leiteiro, também foram citadas como plantas daninhas com ocorrência crescente em diversas regiões.
Além do controle químico, é importante o manejo integrado de plantas daninhas. Práticas preventivas são apontadas como fundamentais, como a limpeza de máquinas e equipamentos para evitar a disseminação de sementes entre áreas, o uso da rotação de culturas e a manutenção de boa cobertura de palhada. "A rotação de mecanismos de ação dos herbicidas também é uma estratégia indispensável para evitar a seleção de biótipos tolerantes ou resistentes. O uso repetitivo de um mesmo produto ou mecanismo de ação ao longo das safras aumenta o risco de perda de eficiência dos herbicidas."
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Rubem Silvério de Oliveira Junior, da UEM
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Seganfredo ressalta que não existe uma solução única para o manejo de plantas daninhas. "O cooperado precisa conhecer o histórico da área e planejar o manejo com base nas espécies presentes, sempre buscando a rotação de mecanismos de ação", afirma.
O professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Rubem Silvério de Oliveira Junior, reitera que, na cultura do milho, duas questões têm preocupado os produtores: o aumento de áreas com plantas daninhas resistentes ao glifosato, como picão-preto, leiteiro, capim-amargoso e pé-de-galinha, e o manejo de plantas daninhas em sistemas de consórcio de milho com braquiária.
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Segundo ele, a rotação de mecanismos de ação é o principal pilar do controle químico. "Confiar em apenas um produto ou mecanismo aumenta o risco de selecionar plantas resistentes. O manejo precisa considerar o sistema como um todo, desde a dessecação e o manejo da soja até o planejamento do milho", observa.
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O cooperado Vanderson dos Santos Matias, de Boa Esperança, comenta que o acesso às tecnologias e às informações apresentadas permite aprimorar as práticas adotadas no campo e buscar melhores resultados produtivos. Para ele, discutir o manejo de plantas daninhas com antecedência é essencial para organizar as aplicações, definir estratégias e escolher os produtos mais adequados. “A gente já sai com as informações necessárias para planejar o plantio e o manejo do milho”, observa.
Matias ressalta ainda que os resultados apresentados na Fazenda Experimental da Coamo oferecem mais segurança na tomada de decisão. “Conhecer previamente as alternativas de manejo permite chegar à segunda safra com estratégias definidas, reduzindo riscos e aumentando as chances de bom desempenho da lavoura.”
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Vanderson dos Santos Matias, cooperado em Boa Esperança
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