Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 564 | Dezembro de 2025 | Campo Mourão - Paraná

FAZENDA EXPERIMENTAL

Vista aérea das estações técnicas e campos demonstrativos do Encontro de Verão na Fazenda Experimental da Coamo

Conhecimento que orienta

A 38ª edição do Encontro de Verão da Coamo reuniu mais de cinco mil pessoas em oito estações técnicas, com conteúdos voltados ao manejo das culturas, planejamento antecipado da safra e à tomada de decisões no campo

Plantação de milho com placas de identificação na Fazenda Experimental
Grande público de cooperados assistindo à apresentação no auditório principal
Presidente da Coamo discursando para os cooperados

Durante cinco dias, de 15 a 19 de dezembro, a Fazenda Experimental da Coamo, em Campo Mourão, voltou a ser ponto de encontro de cooperados, famílias, técnicos e parceiros na 38ª edição do Encontro de Verão.

Tradicionalmente realizado entre janeiro e fevereiro, o evento foi antecipado para dezembro como estratégia para se adequar ao calendário agrícola, evitando o período de colheita da soja e o plantio do milho segunda safra, fases que exigem mais presença do cooperado na propriedade. A mudança também favoreceu a participação das famílias, especialmente em razão das férias escolares e da menor concentração de atividades no campo neste período.

Ao longo da semana, mais de cinco mil pessoas passaram pela Fazenda Experimental, entre cooperados, equipe técnica da Coamo e representantes de empresas parceiras, que participaram das estações técnicas, exposições de maquinários e implementos agrícolas e momentos de troca de informação. O encontro mantém seu caráter técnico, com foco na apresentação de tecnologias, resultados de pesquisas e práticas de manejo testadas pela cooperativa, com aplicação direta na rotina das propriedades.

O presidente do Conselho de Administração da Coamo, José Aroldo Gallassini, afirma que a Fazenda Experimental reforça uma trajetória construída praticamente junto com a fundação da cooperativa, que completa 55 anos. "Todos pensam e trabalham na mesma direção, em benefício coletivo, e isso dá sentido a esses encontros", afirma.

Gallassini explica que o Encontro de Verão é um espaço para apresentar ao quadro social tecnologias desenvolvidas a partir de experimentos conduzidos na Fazenda Experimental, em parceria com empresas, a Embrapa e órgãos de pesquisa governamentais. "Os trabalhos envolvem novas variedades, práticas de conservação do solo e manejo da fertilidade, que passam por avaliação antes de serem recomendados aos cooperados. A cooperativa testa para que o cooperado não precise testar, garantindo segurança na tomada de decisão."

De acordo com o diretor de Suprimentos e Assistência Técnica da Coamo, Aquiles de Oliveira Dias, 2025 foi encerrado por uma agenda voltada à tecnologia, com a realização do Encontro de Cooperados na Fazenda Experimental, em Campo Mourão, após a edição promovida em Dourados, no Mato Grosso do Sul. "A difusão de tecnologia integra o posicionamento da cooperativa e orienta as ações de capacitação dos cooperados e das equipes técnicas."

Dias destaca que o ano também é simbólico pelos 50 anos da Fazenda Experimental, período em que foram realizados três eventos técnicos no local. "O objetivo é mostrar as tecnologias e o desenvolvimento das lavouras, permitindo que o cooperado aplique essas informações de forma imediata em sua propriedade", afirma.

O coordenador da Fazenda Experimental da Coamo em Campo Mourão, João Carlos Bonani, avalia de forma positiva a realização do 38º Encontro de Verão em dezembro. Ele reitera que o objetivo é alinhar os conteúdos às demandas da safra em andamento. "A mudança permite mais participação dos cooperados e melhor aproveitamento técnico do encontro", afirma.

Ele explica que as informações apresentadas contemplam tanto a safra atual quanto o planejamento da safra seguinte, sempre com foco em conteúdos aplicáveis à rotina da propriedade. "A proposta é levar informações que o cooperado consiga utilizar de forma imediata ao retornar para o campo. O objetivo é gerar conhecimento e transformá-lo em ganhos de produtividade para o cooperado", destaca.

José Aroldo Gallassini discursando

José Aroldo Gallassini

Aquiles de Oliveira Dias discursando

Aquiles de Oliveira Dias

João Carlos Bonani discursando

João Carlos Bonani






Exposição de máquinas

O 38º Encontro de Verão também contou com uma exposição de máquinas e implementos agrícolas, com participação de parceiros da cooperativa que apresentaram soluções voltadas a produtores de diferentes perfis. "O cooperado encontra opções para pequenos, médios e grandes sistemas de produção", afirma Paulo Roberto Bacini, gerente de Fornecimento de Bens de Lojas da Coamo.

Vista aérea da exposição de máquinas agrícolas com tratores e implementos organizados

Bacini explica que o espaço foi organizado para facilitar o contato dos cooperados com novas máquinas e implementos, possibilitando o planejamento da próxima safra. "É uma oportunidade para o cooperado avaliar tecnologias e planejar investimentos", destaca.

Bacini lembra que está em vigor o plano de revisão e colheita da cooperativa, iniciativa que incentiva a manutenção preventiva de colheitadeiras, pulverizadores e plantadeiras, especialmente para o preparo do milho segunda safra. Ele destaca que a campanha oferece condições comerciais diferenciadas para aquisição de pneus, lubrificantes e peças. "As condições de preço e prazo visam atender às necessidades do cooperado", conclui.

Homenagem ao diretor de Suprimentos e Assistência Técnica, Aquiles Dias

Homenagem ao diretor de Suprimentos e Assistência Técnica, Aquiles Dias, pelos 40 anos de trabalho na Coamo

Claudio Francisco Bianchi Rizzatto recebendo homenagem

Claudio Francisco Bianchi Rizzatto, membro do Conselho de Administração da Coamo, recebeu homenagem pelos serviços prestados à cooperativa

Grupo de pessoas posando para foto durante o plantio de árvore em homenagem

Claudio Rizzatto também fez o plantio de uma árvore em reconhecimento aos mais de 50 anos de trabalho na Fazenda Experimental






Equipe técnica da Coamo e representantes de empresas parceiras no palco

Equipe técnica da Coamo e representantes de empresas parceiras responsáveis pela coordenação e apresentação das estações

Plantabilidade, regulagem e manutenção

A qualidade do plantio é determinante para o desempenho das culturas e está diretamente relacionada à plantabilidade, que envolve a distribuição uniforme de sementes e fertilizantes, profundidade adequada, espaçamento equilibrado e a população correta de plantas. Falhas ou duplas no estande comprometem a competição por recursos e reduzem a produtividade e a rentabilidade da lavoura.

Uma estação dedicada ao tema tratou, de forma prática, da importância da regulagem e da manutenção dos maquinários. O engenheiro agrônomo, Fernando Daniel Negrini, explica que o foco foi levar informações aplicáveis à realidade dos cooperados. "A ideia é explorar ao máximo o potencial de cada semeadora, com orientações de regulagem, manutenção e substituição de componentes, para reduzir falhas que afetam a produtividade", afirma.

Segundo Negrini, a plantabilidade se apoia em três pilares principais: a correta distribuição de sementes e fertilizantes, o posicionamento na profundidade adequada e o respeito à população recomendada para cada cultura e época de plantio. "A uniformidade do estande é determinante para evitar competição excessiva entre plantas. Com uma simples operação de regulagem, muitas vezes é possível evitar problemas que comprometem o desenvolvimento da lavoura. O início bem-feito interfere em todo o ciclo da lavoura", ressalta Negrini.

Evento na Fazenda Experimental com maquinário Planti Center
FICHA TÉCNICA Coordenadores: Fernando Daniel Negrini (Rancho Alegre do Oeste) e José Petruise Ferreira Junior (Campo Mourão)

Equipe técnica: Cleiton de Souza Bukoski (Mamborê), Henrique Cortellini (Ipuaçu), Caroline Pontes de Souza (Ouro Verde), Danyell Ricardo Baccin (Cândido de Abreu), Maressa Deflon Rickli (Manoel Ribas) e Matheus Ferreira Cumani (Campo Mourão)

Colaboração: Ricardo Luis Gomes (Planti Center)

A manutenção preventiva e a regulagem antecipada do maquinário também são pontos centrais. A orientação é que as revisões sejam realizadas ainda na entressafra, com planejamento e organização.

Para o cooperado Reginaldo Antônio Mariot, de Engenheiro Beltrão (Centro-Oeste do Paraná), o evento na Fazenda Experimental foi uma oportunidade de atualização técnica. “É no plantio que inicia uma nova safra. Esse momento precisa ser muito bem-feito, sem falhas, para garantir um bom estande e, consequentemente, produtividade”, afirma.

Reginaldo Antônio Mariot, cooperado em Engenheiro Beltrão

Reginaldo Antônio Mariot, cooperado em Engenheiro Beltrão

Mariot acrescenta que o acesso antecipado às informações permite melhor organização e reposição de peças. “Quando chega o período do plantio, que é bastante corrido, a máquina precisa estar pronta. Isso faz toda a diferença para um bom resultado”, observa.





Resultados e estratégias no manejo de doenças da soja

Grupo de cooperados na estação de manejo de doenças
FICHA TÉCNICA Coordenadores: Giolvar Rombaldi (Abelardo Luz) e Bruno Lopes Paes (Campo Mourão)

Equipe técnica: Diego Mário Boiani (Xanxerê), Luiz César Giglio (Palmas), Mônica Caldeira (Dourados), André Felipe Petry (Luiziana), Fabrício Gastoni Raizer Charneski (Brasilândia do Sul) e Alessandro Rodrigues Carvalho (Tupãssi)

O manejo de doenças na soja é um dos principais desafios da produção, especialmente em safras com variações climáticas. A ocorrência de patógenos ao longo do ciclo exige decisões técnicas precisas sobre produtos e momentos de aplicação, tornando indispensável a adoção de estratégias integradas para reduzir perdas e garantir a sustentabilidade da lavoura. Esse tema foi o foco da estação “Resultados e estratégias no manejo de doenças da soja”. A estação teve como proposta compartilhar informações técnicas e resultados de ensaios, oferecendo subsídios para ajustes no manejo ainda durante a safra em andamento.

De acordo com o engenheiro agrônomo, Giolvar Rombaldi, a antecipação das orientações é estratégica. Ele explica que a realização do encon­tro no mês de dezembro permite alinhar dados de clima, precipitação e temperatura com os resultados de pesquisa, favorecendo decisões mais assertivas. “A ideia é contribuir para que o cooperado tome decisões de investimento com base no que está acontecendo na safra, utilizando os dados gerados na Fazenda Experimental”, afirma.

Rombaldi destaca que a safra apresenta características atípicas para a região de Campo Mourão, com temperaturas mais amenas e mínimas mais baixas do que o habitual. As variações climáticas exigem adaptação constante. “Em áreas que enfrentaram períodos de estiagem, houve atraso nas aplicações de fungicidas, aguardando condições adequadas. Com o retorno das chuvas, foi necessário reposicionar as intervenções químicas para garantir eficiência no controle. Já em regiões com excesso de precipitação associado a temperaturas mais baixas, o desafio esteve na identificação das doenças com mais potencial de ocorrência e na definição das estratégias de controle mais adequadas”, observa.

Outro ponto abordado foi o histórico climático e sua relação com a pressão de doenças ao longo do ciclo da soja. Rombaldi cita informações apresentadas pela pesquisadora Claudia Vieira Godoy, da Embrapa Soja, segundo as quais, em anos com temperaturas mais baixas no início do desenvolvimento da cultura tendem a alongar o ciclo da soja. Esse prolongamento pode favorecer o aumento da pressão de doenças como a ferrugem asiática, exigindo mais atenção aos intervalos de aplicação e à escolha dos fungicidas. “Diante desse cenário, é importante reforçar o manejo integrado, que envolve práticas como antecipação do plantio, rotação de culturas, uso de fungicidas com diferentes mecanismos de ação, adoção de fungicidas multissítios e respeito aos intervalos recomendados entre aplicações.”

Solange Merico Pereira, cooperada em Ivaiporã

Solange Merico Pereira, cooperada em Ivaiporã

A relevância da pesquisa desenvolvida na Fazenda Experimental é ressaltada pela cooperada Solange Merico Pereira, de Ivaiporã (Centro-Norte do Paraná). Ela avalia o tema como oportuno em uma safra com condições climáticas fora do padrão. “Quando utilizamos um produto que já foi testado e avaliado, temos mais confiança na aplicação e no resultado”, afirma. Solange acrescenta que o acesso às informações contribui para ajustes no manejo em um momento decisivo do ciclo da soja.





Manejo nutricional da soja: elementos que fazem a diferença na produtividade

O manejo nutricional da soja é essencial para altas produtividades e sistemas sustentáveis. As estratégias começam com a correta interpretação da análise de solo, antes do plantio, e seguem ao longo do ciclo, influenciando o desenvolvimento vegetativo, a nodulação, a eficiência fotossintética e o enchimento de grãos.

O engenheiro agrônomo, Marcelo Henrique Daneluz, destaca que o manejo nutricional vai além da manutenção da produtividade e atua de forma complementar para que a cultura expresse todo o seu potencial. “É um manejo que começa na análise de solo, passa pela correção da acidez e pela adubação de base, mas continua ao longo do ciclo, até o enchimento de grãos e a colheita”, explica.

A fertilidade do solo é apontada como ponto de partida para qualquer estratégia nutricional. “A correta interpretação da análise permite definir doses e fontes de nutrientes com mais precisão, assegurando o equilíbrio entre macronutrientes e micronutrientes. Esse equilíbrio favorece o enraizamento, o crescimento vegetativo e a eficiência no uso dos recursos disponíveis, com reflexos diretos na produtividade”, ressalta o agrônomo.

Daneluz comenta que mesmo em solos bem corrigidos, a disponibilidade de nutrientes nem sempre é plena ao longo do ciclo da soja. Fatores como clima adverso, restrições hídricas e estresses fisiológicos podem limitar a absorção, tornando a adubação foliar uma ferramenta complementar para sustentar o desempenho da cultura. “O manejo nutricional deve ser integrado, contemplando correção do solo, adubação no plantio, a lanço, de cobertura e complementação foliar, com ênfase em micronutrientes. Cada etapa contribui para a construção da produtividade do plantio à colheita.”

Outro tema abordado foi o manejo do estresse fisiológico. Práticas como aplicações de herbicidas e fungicidas, embora necessárias, podem causar danos à cultura. O uso do glifosato em pós-emergência, por exemplo, pode gerar estresse nas plantas e existem estratégias nutricionais voltadas à mitigação desses efeitos, favorecendo a recuperação fisiológica da soja e a manutenção da produtividade.

Rodrigo Borkoski, cooperado em Iretama

Rodrigo Borkoski, cooperado em Iretama

O professor, Tadeu Takeyoshi Inoue, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), destaca que a produtividade resulta da soma de fatores ligados à construção e à proteção da planta. Segundo ele, um manejo adequado da fertilidade do solo, aliado à complementação nutricional e fisiológica, é essencial para que a cultura expresse seu potencial diante das variações climáticas. “Déficit hídrico, temperaturas extremas e variações na radiação solar podem limitar a absorção de nutrientes, tornando a nutrição foliar e ferramentas fisiológicas importantes para reduzir os impactos do estresse.”

O cooperado Rodrigo Borkoski, de Iretama (Centro-Oeste do Paraná), avalia o manejo nutricional como um fator determinante para o desempenho das lavouras. Segundo ele, o tema faz diferença direta nas atividades agrícolas, especialmente na busca por mais produtividade. “Não é apenas plantar. É preciso começar com o solo bem corrigido para, depois, evoluir e buscar mais produtividade”, afirma. Para o cooperado, a nutrição das plantas é ainda mais importante em safras desafiadoras, marcadas por condições climáticas adversas. “Em anos difíceis, é a nutrição que ajuda a segurar a lavoura”, frisa.

Estação de manejo nutricional na Fazenda Experimental
Tadeu Takeyoshi Inoue, da UEM

Tadeu Takeyoshi Inoue, da UEM

FICHA TÉCNICA Coordenadores: Marcelo Henrique Daneluz (Mangueirinha) e Fabrício Bueno Corrêa (Campo Mourão)

Equipe técnica: Alexandre Menon da Silva (Ivaiporã), Amanda Paola Costa (Cantagalo), Paulo Nedes de Souza Peres (Manoel Ribas), Cleberton Luiz Trevisan (Vista Alegre), Mayckon Roberto Pedreira (Iretama) e Marcos Krielow Gerhard (Pitanga)

Pesquisador: Tadeu Takeyoshi Inoue (UEM)




Manejo da lagarta-do-cartucho na cultura do milho

Estação sobre manejo da lagarta-do-cartucho no milho
FICHA TÉCNICA Coordenadores: Andrew Akihito Ouchita Gomes (Quarto Centenário) e Lucas Gouvea Vilela Esperandino (Campo Mourão)

Equipe técnica: Roberto Bueno Silva (Campo Mourão), Jefferson Wellington Volpato Jede (Toledo), Thiago Xavier Bonfim (Boa Esperança), Sidivan Loop (Laguna Carapã), Marcia Eduarda Souza Esteves (Tupãssi) e Mateus Pretto (Pinhão)

O manejo da lagarta-do-cartucho no milho segue como desafio fitossanitário, agravado pela resistência da praga às biotecnologias Bt. A perda de eficiência eleva o uso de inseticidas e os custos de produção, tornando essencial compreender a dinâmica da praga e adotar estratégias integradas para garantir controle eficiente e sustentabilidade do sistema produtivo.

Segundo o engenheiro agrônomo, Andrew Akihito Ouchita Gomes, o foco é o uso correto das biotecnologias disponíveis. Ele lembra que, desde a liberação dos primeiros híbridos Bt, em 2007, houve evolução com o lançamento de materiais que ampliaram o espectro de controle das lagartas. No entanto, registros de resistência às proteínas do grupo Cry, observados a partir de 2014 e 2015, indicam a necessidade de atenção constante no manejo.

Atualmente, a proteína Vip3A mantém alta eficácia no controle da lagarta-do-cartucho. Ainda assim, já existem registros de tolerância da praga em algumas regiões, associados ao uso contínuo da tecnologia. "É fundamental adotar práticas que ajudem a preservar essa ferramenta, garantindo sua eficiência por mais tempo", destaca Gomes.

O monitoramento das lavouras é apontado como etapa central no manejo da Spodoptera frugiperda. A estação apresentou critérios técnicos para a tomada de decisão, com ênfase no momento ideal de controle, que ocorre quando as lagartas estão até o terceiro instar, com cerca de um centímetro de comprimento. Nessa fase, a eficiência das intervenções é maior e o potencial de redução de danos é mais elevado.

Além do controle químico, o agrônomo reforça a adoção de práticas complementares no manejo da lagarta-do-cartucho. Entre elas estão o uso correto das biotecnologias, a rotação de culturas, a implantação de áreas de refúgio, o tratamento de sementes e a rotação de mecanismos de ação de inseticidas. "Essas estratégias contribuem para reduzir a pressão de seleção sobre a praga e retardar a resistência."

A tecnologia de aplicação também é um fator determinante. O uso de volumes de calda adequados, que assegurem melhor cobertura das plantas, tem apresentado bons resultados a campo, especialmente em situações de maior pressão da praga. Ajustes na pulverização, aliados ao momento correto de aplicação, aumentam a eficiência dos produtos.


Insumos biológicos: conceito, recomendações, meios de utilização e perspectivas

Apresentação sobre insumos biológicos na fazenda experimental

FICHA TÉCNICA

Coordenadores: Victor Hugo Matias Cangussu de Moura (Engenheiro Beltrão) e Vinicius Francisco Albarello (Campo Mourão)
Equipe técnica: Pedro Augusto Bosqui (Roncador), Glaici Kelly Pereira (Mamborê), Marcos Matheus Nakamura de Jesus (Manoel Ribas), Hugo Lorran de Melo Rocha (São Gabriel do Oeste), Eric Ken It Kikuchi (Juranda) e Jhonathan Matochec Pinto (Campo Mourão)

O uso de insumos biológicos cresce na agricultura brasileira como estratégia para sistemas produtivos mais sustentáveis e competitivos. Essas ferramentas atendem à demanda por práticas que reduzem impactos ambientais, preservam a saúde dos trabalhadores rurais e contribuem para o manejo eficiente de pragas e doenças.

De acordo com o engenheiro agrônomo, Victor Hugo Matias Cangussu de Moura, o avanço dos produtos biológicos está diretamente ligado às exigências dos mercados compradores da soja brasileira, que demandam sistemas de produção cada vez mais sustentáveis. "Quanto menos agressão ao meio ambiente, mais vantagem comercial para o produtor", explica.

A estação também resgatou o histórico da Coamo na pesquisa e na utilização de biológicos. Segundo Moura, a cooperativa trabalha com essas tecnologias desde 1975, quando iniciou o uso de inoculantes na cultura da soja. "Desde então, houve avanço contínuo na incorporação de inoculantes, bioestimulantes, microrganismos solubilizadores de fósforo e soluções voltadas ao controle biológico de pragas e doenças. É uma trajetória de quase cinco décadas de trabalho com biológicos na agricultura", destaca.

Outro ponto abordado foi a qualidade dos produtos biológicos. Moura ressalta que a eficiência dessas tecnologias depende do controle rigoroso do processo produtivo. Durante o encontro, os cooperados conheceram as etapas de produção de um insumo biológico, em parceria com a Simbiose, incluindo critérios de pureza, fabricação e análises de controle de qualidade.

Moura observa que os insumos biológicos oferecem bons resultados de forma isolada, mas que podem ter desempenho ampliado quando utilizados de maneira integrada com produtos químicos. "O controle biológico e o controle químico não são excludentes, eles se complementam", afirma.

O cooperado Daniel Cucerevoi, de Palmital (Centro do Paraná), utiliza insumos biológicos há pelo menos dois anos e observa resultados positivos, sobretudo em situações de estresse hídrico ou excesso de chuvas. "São sinais claros de que o biológico está funcionando", afirma.

Cucerevoi acrescenta que os biológicos têm proporcionado melhor estande de plantas, maior desenvolvimento radicular e coloração mais intensa das lavouras. Para ele, a troca de experiências entre produtores e a proximidade com a assistência técnica da Coamo são diferenciais relevantes. "O conhecimento hoje é um dos principais fatores de produção", observa.

Daniel Cucerevoi, cooperado em Palmital

Daniel Cucerevoi, cooperado em Palmital


Irrigação por pivô em culturas anuais

Sistema de irrigação por pivô central em campo

FICHA TÉCNICA

Coordenadores: Elias Roveda (Juranda) e Marcos Vinicios Garbiate (Dourados)
Equipe técnica: Carlos Alberto Della Riva (Goioerê), Rogerio Birelo Tibério (Moreira Sales), Daniel Scremin Carneiro (Campo Mourão), Leandro Douglas Scherer (Caarapó), Lucas Sydoski (Candói) e Tiago Pazini dos Santos (Boa Ventura do São Roque)
Colaboração: Diego José de Souza Pereira (Lindsay)

A irrigação por pivô central tem se consolidado como alternativa estratégica para reduzir riscos climáticos na produção de culturas anuais, diante da irregularidade na distribuição das chuvas. Tradicionalmente associada a grandes áreas e topografia plana, a tecnologia passa a ser apresentada como solução viável para propriedades de diferentes tamanhos e condições de relevo.

Segundo o engenheiro agrônomo, Elias Roveda, a proposta da estação na Fazenda Experimental foi desmistificar o uso do pivô central e ampliar a compreensão dos cooperados sobre as possibilidades de adoção da tecnologia. "Hoje, existem equipamentos adaptados para diferentes realidades, o que permite levar o pivô para propriedades de diversos perfis", afirma.

A irrigação por pivô foi apresentada como ferramenta de segurança para a produção agrícola. Em anos de estresse hídrico ou veranicos prolongados, o sistema possibilita suprir a demanda de água da cultura no momento adequado, reduzindo perdas de produtividade. "O pivô funciona como um seguro da lavoura. É um insumo que o produtor utiliza quando a cultura precisa", afirma Roveda.

Resultados práticos ilustram o impacto da irrigação na produtividade. Um exemplo citado refere-se a uma propriedade em que a área de sequeiro registrou média de 60 sacas por hectare de soja, enquanto a área irrigada alcançou 99 sacas por hectare. "A diferença evidencia o potencial da irrigação para mitigar efeitos do déficit hídrico e conferir mais estabilidade produtiva." Segundo Roveda, os números indicam viabilidade econômica do investimento, considerando o retorno proporcionado pelo aumento de produtividade.

A Fazenda Experimental da Coamo iniciará as pesquisas em cultivo irrigado, cujos dados serão consolidados e apresentados futuramente aos cooperados. O objetivo é gerar informações técnicas alinhadas à realidade regional, contribuindo para decisões mais seguras sobre a adoção da tecnologia.

Segundo o agrônomo, existem avanços tecnológicos dos sistemas de irrigação, que hoje contam com automação, telemetria e monitoramento remoto, permitindo o controle do pivô por dispositivos móveis. "Em um cenário climático cada vez mais variável, a irrigação por pivô se apresenta como ferramenta de planejamento e gestão do risco, contribuindo para a estabilidade produtiva, a intensificação sustentável das áreas agrícolas e o fortalecimento da rentabilidade das culturas anuais", comenta.


Manejo de plantas daninhas na cultura do milho

Área experimental de manejo de plantas daninhas

FICHA TÉCNICA

Coordenadores: Juliano Segandredo (Engenheiro Beltrão) e Itamar Leandro Suss (Campo Mourão)
Equipe técnica: Diego Rodrigo Gonçalves Padilha (Fênix), Jonatan Decol (Reserva), Mario Felipe Mezzari (São Domingos), Mateus Gonçalvez (Janiópolis), Alana Vedois (Nova Santa Rosa) e Bruno Acadio Jacoby Stuany (Bragantina)
Pesquisador: Rubem Silvério de Oliveira Junior (UEM)

O manejo de plantas daninhas na cultura do milho é fundamental para a formação do estande, bom desenvolvimento inicial da lavoura e manutenção do potencial produtivo. O tema segue atual devido ao surgimento de novas espécies, ao aumento da resistência e às mudanças nos sistemas de cultivo adotados pelos produtores.

Segundo o engenheiro agrônomo, Juliano Seganfredo, o principal ponto discutido no encontro com cooperados foi a importância de respeitar o estádio da cultura no momento da aplicação de herbicidas. No milho, o período mais indicado para o manejo químico das plantas daninhas vai até o estádio V5. Aplicações realizadas fora desse intervalo podem comprometer o desenvolvimento da cultura e reduzir a eficiência do controle. "Respeitar o estádio do milho é fundamental para garantir segurança à cultura e eficiência no manejo", afirma.

A estação também tratou de situações específicas, como áreas que utilizam o consórcio do milho com braquiária, prática comum entre cooperados da Coamo. Nesse sistema, o manejo exige cuidados adicionais, pois o controle inadequado pode favorecer o aumento da infestação, principalmente de plantas daninhas de folhas estreitas. "Em áreas com histórico severo desse tipo de infestação, a orientação técnica pode ser, inclusive, evitar o consórcio, como forma de reduzir riscos futuros", comenta o agrônomo.

Entre as principais espécies destacadas estão o sorgo-lepense, conhecido como falso-massambará, o carrapichão e o capim-amargoso. "Essas plantas apresentam elevado potencial de competição com o milho e, em alguns casos, geram impactos que vão além da lavoura. A presença de sementes na colheita pode causar problemas comerciais, especialmente em cargas destinadas à exportação, em função das exigências sanitárias dos mercados compradores." Outras espécies, como caruru, picão-preto e leiteiro, também foram citadas como plantas daninhas com ocorrência crescente em diversas regiões.

Além do controle químico, é importante o manejo integrado de plantas daninhas. Práticas preventivas são apontadas como fundamentais, como a limpeza de máquinas e equipamentos para evitar a disseminação de sementes entre áreas, o uso da rotação de culturas e a manutenção de boa cobertura de palhada. "A rotação de mecanismos de ação dos herbicidas também é uma estratégia indispensável para evitar a seleção de biótipos tolerantes ou resistentes. O uso repetitivo de um mesmo produto ou mecanismo de ação ao longo das safras aumenta o risco de perda de eficiência dos herbicidas."

Rubem Silvério de Oliveira Junior, da UEM

Rubem Silvério de Oliveira Junior, da UEM

Seganfredo ressalta que não existe uma solução única para o manejo de plantas daninhas. "O cooperado precisa conhecer o histórico da área e planejar o manejo com base nas espécies presentes, sempre buscando a rotação de mecanismos de ação", afirma.

O professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Rubem Silvério de Oliveira Junior, reitera que, na cultura do milho, duas questões têm preocupado os produtores: o aumento de áreas com plantas daninhas resistentes ao glifosato, como picão-preto, leiteiro, capim-amargoso e pé-de-galinha, e o manejo de plantas daninhas em sistemas de consórcio de milho com braquiária.

Segundo ele, a rotação de mecanismos de ação é o principal pilar do controle químico. "Confiar em apenas um produto ou mecanismo aumenta o risco de selecionar plantas resistentes. O manejo precisa considerar o sistema como um todo, desde a dessecação e o manejo da soja até o planejamento do milho", observa.

O cooperado Vanderson dos Santos Matias, de Boa Esperança, comenta que o acesso às tecnologias e às informações apresentadas permite aprimorar as práticas adotadas no campo e buscar melhores resultados produtivos. Para ele, discutir o manejo de plantas daninhas com antecedência é essencial para organizar as aplicações, definir estratégias e escolher os produtos mais adequados. “A gente já sai com as informações necessárias para planejar o plantio e o manejo do milho”, observa.

Matias ressalta ainda que os resultados apresentados na Fazenda Experimental da Coamo oferecem mais segurança na tomada de decisão. “Conhecer previamente as alternativas de manejo permite chegar à segunda safra com estratégias definidas, reduzindo riscos e aumentando as chances de bom desempenho da lavoura.”

Vanderson dos Santos Matias, cooperado em Boa Esperança

Vanderson dos Santos Matias, cooperado em Boa Esperança

Critérios para dessecação pré-colheita da soja

Grupo de cooperados e técnicos reunidos na lavoura durante dia de campo

FICHA TÉCNICA

Coordenadores: Edson Carlos dos Santos (Campo Mourão) e Carlos Vinicius Precinotto (Mamborê)

Equipe técnica: Luís Gustavo Sawczuk Mazuroc (São João do Ivaí), Andressa Schirmer (Dez de Maio), Marcos Joel Marcolin (Toledo), Eugenio Mateus Schleder Pawlina Junior (Roncador) e Willian Diego Vilela (Cruzmaltina)

Pesquisador: Fernando Adegas (Embrapa Soja)

A dessecação pré-colheita da soja é uma prática que exige critério técnico, planejamento e acompanhamento especializado para que seus benefícios não resultem em perdas de produtividade. A decisão envolve fatores agronômicos, operacionais e econômicos. Segundo o engenheiro agrônomo, Edson Carlos dos Santos, a dessecação é indicada principalmente por três razões. A primeira é o controle de plantas daninhas presentes na lavoura no momento da colheita. “Quando não controladas, essas plantas dificultam a operação, aumentam o desgaste das máquinas, elevam o consumo de combustível e geram maior volume de impurezas na carga e desperdício de soja na área.”

O segundo motivo é a uniformização da lavoura. “Em safras com condições climáticas irregulares, como períodos de estresse hídrico, é comum ocorrer desuniformidade no desenvolvimento das plantas, com vagens e grãos verdes no momento da colheita. Nesses casos, a dessecação contribui para padronizar a maturação, facilitando a operação e reduzindo perdas.”

O terceiro fator está relacionado à antecipação da colheita, especialmente em regiões que cultivam o milho segunda safra. “A colheita antecipada da soja permite a implantação mais precoce do milho, com reflexos positivos no planejamento do sistema produtivo.” Santos ressalta que essa prática só deve ser adotada quando a soja já atingiu o máximo potencial produtivo. “Ao dessecar, o cooperado está interrompendo o ciclo da cultura. Por isso, a dessecação só pode ser feita após o completo enchimento de grãos”, afirma.

O agrônomo reforça que para o sucesso da operação, três critérios técnicos são fundamentais: a correta identificação da fase fenológica da soja, a escolha do produto adequado para cada estádio e a tecnologia de aplicação. “Falhas em qualquer um desses pontos comprometem o resultado”, alerta. Ainda segundo Santos, a tecnologia de aplicação também é decisiva. “Volume de calda adequado e bom molhamento das plantas garantem eficiência e uniformidade na dessecação, evitando falhas que dificultem a colheita.”

O pesquisador da Embrapa Soja, Fernando Adegas, destaca que o planejamento das ações que antecedem a colheita da soja é fundamental, pois interfere diretamente na safra seguinte, especialmente no milho segunda safra. Segundo ele, a dessecação é uma tecnologia que exige critério técnico e compreensão adequada. “É preciso entender por que dessecar, como aplicar corretamente, quais produtos utilizar e quais são as consequências quando os critérios agronômicos não são respeitados. A dessecação é uma ferramenta de preparo para a colheita e deve ser feita no momento correto, com orientação técnica”, afirma.

O pesquisador explica que há produtos com velocidades de ação, escolhidos conforme objetivo e estádio da cultura. “A dessecação só ocorre após o potencial produtivo máximo, exige tecnologia de aplicação e conta com apoio da assistência técnica”, frisa.

O cooperado, Antoninho Tressoldi, de Abelardo Luz (Oeste de Santa Catarina), acompanhou o Encontro de Verão ao lado do filho Pedro Henrique, de 12 anos. Ele destaca o evento como oportunidade de acesso ao conhecimento técnico e de atualização. “A dessecação ajuda a colher um grão mais limpo, reduz plantas daninhas na colheita e diminui descontos no recebimento”, afirma.

Tressoldi acrescenta que a correta execução da prática, desde a fase de pré-dessecação até a colheita, influencia diretamente o resultado da lavoura. Para ele, a experiência prática aliada à orientação técnica é essencial. O cooperado também ressalta a importância da assistência técnica da Coamo no acompanhamento das lavouras e no apoio à tomada de decisões ao longo do ciclo da soja.

Antoninho Tressoldi com o filho Pedro Henrique, de Abelardo Luz

Antoninho Tressoldi com o filho Pedro Henrique, de Abelardo Luz

Fernando Adegas, da Embrapa Soja

Fernando Adegas, da Embrapa Soja




Conhecimento aplicado no MS

Tecnologias validadas na Fazenda Experimental em Dourados orientam cooperados com recomendações técnicas aplicáveis à safra em andamento

A terceira edição do Encontro de Verão, realizado na Fazenda Experimental da Coamo em Dourados, no Mato Grosso do Sul, reuniu cooperados para a apresentação de tecnologias validadas e orientações técnicas aplicáveis à safra em andamento. A programação contemplou estações técnicas voltadas ao estabelecimento das culturas, manejo da soja e do milho, controle de plantas daninhas e pragas, além de estratégias para mitigar estresses climáticos.

Segundo o presidente Executivo da Coamo, Airton Galinari, o formato permite aos cooperados avaliar práticas testadas e realizar ajustes durante o ciclo produtivo. Ele cita que com foco exclusivo na transferência de tecnologia, as informações apresentadas passaram por testes internos antes de serem disponibilizadas aos produtores. “O evento é puramente transferência de tecnologia. Fazemos questão de provar a eficácia e a eficiência na Fazenda Experimental, para depois oferecer ao quadro social.”

Vista geral do evento na Fazenda Experimental com cooperados em tendas

A participação crescente dos cooperados no evento reforça, segundo ele, o entendimento sobre o papel da Coamo no Mato Grosso do Sul. “O engajamento dos cooperados motiva a continuidade dos investimentos em pesquisa aplicada e difusão tecnológica. Os conteúdos foram planejados para atender às necessidades imediatas da safra atual.” Ele lembra que a Coamo não atua como instituição geradora de pesquisa, mas como difusora de tecnologias já consolidadas. “A Coamo não é uma pesquisadora. É uma difusora de tecnologia”, pontua.

O gerente de Assistência Técnica da Coamo, Marcelo Sumiya, avalia que a presença crescente dos cooperados fortalece o propósito da unidade no Estado. Ele lembra que a implantação da Fazenda Experimental em Dourados, em 2023, atendeu a uma demanda antiga da cooperativa, que atua há duas décadas no Mato Grosso do Sul. A estrutura de 70 hectares é destinada à validação de tecnologias e à condução de experimentos utilizados como referência para os cooperados. “A adesão dos cooperados é resultado do trabalho que a Coamo faz nas diversas regiões, onde eles trazem para nós as demandas”, afirma.

Sumiya destaca que o período de realização do evento, no início de dezembro, favorece a adoção imediata das recomendações. Para ele, a busca dos cooperados por atualização técnica reflete o valor atribuído ao conhecimento apresentado no encontro. “A participação vem aumentando. A presença de diferentes gerações de produtores é um indicador do entendimento sobre o papel da Fazenda Experimental”, observa.

Conforme o coordenador da Fazenda Experimental em Dourados, Marcos Vinicios Garbiate, a participação crescente demonstra o engajamento dos cooperados com as ações desenvolvidas no local. “O cooperado percebe a importância de participar e a quantidade de informações que contribuem para a tomada de decisão”, explica.

Ele destaca que ainda há espaço para ajustes durante o ciclo de verão. “A expectativa é bastante positiva em relação ao potencial produtivo da safra, e vários conteúdos apresentados no evento podem ser aplicados imediatamente na condução das lavouras.”

Airton Galinari, presidente Executivo da Coamo

Airton Galinari, presidente Executivo da Coamo

Marcelo Sumiya, gerente de Assistência Técnica da Coamo

Marcelo Sumiya, gerente de Assistência Técnica da Coamo

Marcos Garbiate, coordenador da Fazenda Experimental em Dourados (MS)

Marcos Garbiate, coordenador da Fazenda Experimental em Dourados (MS)

Apresentação sobre mercado agrícola

Palestra
mercado
agrícola

A programação do Encontro de Cooperados incluiu uma palestra sobre o cenário e as tendências do mercado agrícola, apresentada pelo engenheiro agrônomo Jefferson Souza, da Agrinvest. Em sua terceira participação no evento, ele apresentou aos cooperados uma análise atualizada, com foco em tendências, riscos e oportunidades para a tomada de decisão. Souza destaca que as escolhas do produtor devem ser conduzidas de forma integrada, especialmente nos momentos de compra e venda. “A moeda do produtor é aquilo que ele produz, como soja e milho”, conclui.

Equipe técnica da Coamo e representantes de empresas parceiras responsáveis pela coordenação e apresentação das estações

Equipe técnica da Coamo e representantes de empresas parceiras responsáveis pela coordenação e apresentação das estações

Aplicação de defensivos: fundamentos para máxima eficiência


A aplicação de defensivos agrícolas requer técnica e atenção para garantir eficiência no controle de pragas, doenças e plantas daninhas. Escolha do produto, condições climáticas, calibração, qualidade da água e ponta correta determinam resultados, reduzem perdas e aumentam a segurança operacional.

Segundo o engenheiro agrônomo, Vinicius Francisco Albarello, o primeiro passo é a definição do alvo. “A identificação do alvo da aplicação é o fundamento essencial para que o cooperado faça a avaliação necessária e obtenha eficiência”, afirma. Com o alvo definido, a recomendação é definir o número de gotas depositadas por área.

O trabalho realizado na estação categorizou herbicidas, inseticidas e fungicidas, definindo faixas de gotas necessárias para melhor eficiência. Conforme Albarello, erros relacionados ao momento da aplicação, especialmente em condições climáticas inadequadas, são os mais comuns. “Para que o cooperado tenha mais segurança, o ideal é planejar a aplicação com pontas adequadas para cada situação”, orienta. Ele reforça que é necessário contar com um conjunto de pontas que permita operar com diferentes tamanhos de gotas, adequando a pulverização ao produto e ao ambiente.

A qualidade da água utilizada na pulverização também foi tema da estação. Em um trabalho conduzido em parceria com a empresa Spraytec, foram avaliadas 317 propriedades na área de ação da cooperativa. Os resultados apontaram que 8% das amostras avaliadas apresentaram água com características inadequadas para utilização em aplicações, havendo necessidade de intervenções para adequação de suas características.

O cooperado Volmar Dalpasquale, de Sonora (Norte do Mato Grosso do Sul), participou do Encontro de Verão em busca de informações práticas para aplicar na sua lavoura. “Se a gente aprender uma tecnologia que consiga implantar na propriedade, já vale o dia.” Ele comenta que a safra na região norte do Estado começou em condição atípica, com clima mais seco, o que exigiu paciência e ajustes no ritmo do plantio.

O cooperado destaca ainda a relevância da estação de tecnologia de aplicação. “Eu nunca tinha visto uma estação como essa. Fiquei impressionado ao ver a diferença entre bicos, gotas finas, grossas e horários de aplicação. É algo de relevância para uma boa produtividade.” Ele também relaciona os aprendizados à sustentabilidade e à gestão de custos. “Hoje todo mundo faz conta de tudo. Mas, não dá para usar produto que não traz resultado. É preciso usar tecnologia que entrega retorno.”

Demonstração de aplicação de defensivos com iluminação especial em lavoura

FICHA TÉCNICA

Coordenadores: Vinícius Albarelo (Campo Mourão) e Victor Hugo Matias Cangussu de Moura (Engenheiro Beltrão)

Equipe técnica: Gabriel de Souza Dossi (Sonora)

Colaboração: Matheus Wilhelm (Spraytec) e Cristiano Machado (Teejet)

Volmar Dalpasquale, cooperado em Sonora

Volmar Dalpasquale, cooperado em Sonora

A expansão do caruru resistente e os desafios do manejo integrado

O caruru resistente a herbicidas tornou-se um dos principais desafios no manejo de plantas daninhas. A seleção provocada pelo uso repetitivo de poucos mecanismos de ação tem reduzido a eficácia dos herbicidas. Com alta produção de sementes e crescimento rápido, a planta compete com as culturas, exigindo cuidados especiais no manejo. A presença do caruru tem demandado atenção constante dos cooperados e da assistência técnica.

O engenheiro agrônomo, Itamar Leandro Suss, explica que os primeiros registros de expansão do caruru resistente a glifosato ocorreram entre 2015 e 2016. Historicamente, a espécie, comum nas regiões atendidas pela cooperativa, apresentava controle satisfatório com manejos tradicionais. No entanto, quando plantas passaram a sobreviver às aplicações, pesquisas em parceria com a Embrapa Soja confirmaram resistência ao glifosato e ao mecanismo de ação ALS.

Suss destaca que, ao contrário de outras plantas de dispersão aérea, o caruru se espalha principalmente por máquinas agrícolas. Uma grama de sementes pode conter cerca de 2.500 unidades, facilitando a multiplicação. “O cooperado deve ficar atento aos primeiros focos e eliminar as plantas iniciais, além de manter a limpeza das colheitadeiras para evitar a disseminação entre talhões”, orienta. O agrônomo reforça a necessidade de observação cuidadosa ao longo da safra. “A planta pode formar reboleiras rapidamente e ocupar áreas extensas se não houver intervenção imediata”, afirma Suss.

Campo experimental demonstrando controle de caruru

FICHA TÉCNICA

Coordenadores: Itamar Leandro Suss (Campo Mourão) e Edson Carlos dos Santos (Campo Mourão)

Equipe técnica: Alyson Felipe Canhete (Aral Moreira), Elvison Alvez da Cruz (Itaporã) e Flávio Emilio Pizzigatti (Dourados)

Pesquisador: Fernando Adegas (Embrapa/Soja)

O pesquisador da Embrapa Soja, Fernando Adegas, comenta que um dos primeiros focos de caruru resistente na área da Coamo foi identificado em Ipuaçu (Oeste de Santa Catarina). Desde então, a planta avançou pelo Sul e Centro-Oeste do Brasil. Adegas explica que o manejo integrado envolve cobertura de solo, dessecação eficiente, uso de pré-emergentes e aplicação correta de pós-emergentes. “O uso repetitivo de mecanismos de ação seleciona plantas resistentes, reforçando a necessidade de diversificação. A observação contínua da lavoura, limpeza de máquinas e atenção à origem dos equipamentos utilizados na colheita são fundamentais, pois a principal forma de disseminação é mecânica”, observa.

O cooperado Nédio José Anzilago, de Aral Moreira, ressalta a importância do acesso à pesquisa e às informações apresentadas. Anzilago afirma que o caruru já está presente em algumas propriedades da região e destaca o uso de pré-emergentes e novas tecnologias como alternativas importantes. “O cuidado contínuo é essencial para evitar a disseminação. Os manejos de inverno e verão devem ser integrados, pois as práticas de uma safra influenciam a seguinte. Por isso, a necessidade de alinhamento entre cooperado e cooperativa”, reitera.

Fernando Adegas, da Embrapa Soja

Fernando Adegas, da Embrapa Soja

Nédio José Anzilago, cooperado em Aral Moreira

Nédio José Anzilago, cooperado em Aral Moreira






Fisiologia do estresse: manejo e mitigação de riscos na cultura da soja


Equipe técnica e cooperados em dia de campo sobre fisiologia da soja

O manejo de estresse na cultura da soja é determinante para manter o potencial produtivo frente a condições adversas. Déficit hídrico, temperaturas extremas e variações climáticas influenciam diretamente o desenvolvimento da cultura, exigindo compreensão do funcionamento da planta e adoção de tecnologias.

De acordo com o engenheiro agrônomo, Wagner Henrique de Borba Bini, as últimas safras no Mato Grosso do Sul tiveram longos períodos de altas temperaturas e baixa umidade, reforçando a necessidade de ajustar manejos com base na fisiologia vegetal. “A proposta da estação foi mostrar de forma simples como o manejo pode influenciar a soja a suportar condições climáticas mais adversas”, diz.

Bini comenta que o desenvolvimento radicular é decisivo nas fases iniciais. “Solos frios prejudicam a formação das raízes, reduzindo a absorção e crescimento da parte aérea. Quanto menos raízes, menor é a caixa produtiva da planta”, observa. Já nas fases mais avançadas de desenvolvimento da lavoura, o estresse por calor associado ao déficit hídrico torna-se o principal fator limitante.

O agrônomo apresenta tecnologias que contribuem para mitigar o estresse, como produtos à base de magnésio, micronutrientes, aminoácidos, hormônios e extratos vegetais. O uso adequado desses insumos, aplicado em fases específicas, auxilia a planta na tolerância ao estresse. “São ferramentas que ajudam a suportar as altas temperaturas e escassez hídrica”, afirma, reforçando a importância do apoio técnico da Coamo para definir o momento correto de aplicação.

FICHA TÉCNICA

Coordenadores: Wagner Henrique de Borba Bini (Amambai) e Fabricio Bueno Corrêa (Campo Mourão)

Equipe técnica: José Eduardo Frandsen Filho (Maracaju), Hugo Lorran de Melo Rocha (São Gabriel do Oeste), Gabriela Bernava Moralis (Laguna Carapã)

Pesquisador: Evandro Binotto Fagan (Unipam)

O professor, Evandro Binotto Fagan, do Centro Universitário de Patos de Minas (Unipam), reitera que altas temperaturas, déficit hídrico e excesso de chuvas são os principais causadores do estresse. Segundo o pesquisador, esses fatores respondem por 60% a 70% das perdas de produtividade. “Existem práticas que podem manter as plantas em bom estado fisiológico, incluindo tratamento de sementes, vigor inicial, sistema radicular desenvolvido e nutrição equilibrada. Aminoácidos, extratos de algas e hormônios têm mostrado respostas positivas”, afirma.

De acordo com o cooperado, Ronaldo Yuji Yamanaka, de Itaporã, as informações geradas pela pesquisa reduzem riscos de manejo. “As informações dão um norte e uma direção”, afirma. Ele destaca que o tema foi relevante devido às dificuldades climáticas da última safra e observa que os estudos da cooperativa auxiliam decisões baseadas em dados atualizados. “As práticas orientadas pela assistência técnica já vêm sendo aplicadas na propriedade, e mesmo com maior volume de chuvas nesta safra, funcionam como segurança adicional.”

Evandro Fagan, da Unipam

Evandro Fagan, da Unipam

Ronaldo Yuji Yamanaka, cooperado em Itaporã

Ronaldo Yuji Yamanaka, cooperado em Itaporã

Manejo de lagartas na cultura do milho no contexto das biotecnologias

O manejo das lagartas, especialmente da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), tornou-se um desafio crescente devido à redução da eficácia de biotecnologias Bt utilizadas no milho. A perda de desempenho de proteínas como a Viptera em algumas regiões elevou a necessidade de aplicações de inseticidas, aumentando os custos de produção. Diante disso, compreender a dinâmica da praga, o funcionamento das biotecnologias e integrar boas ferramentas de manejo é essencial para garantir eficiência no controle.

O engenheiro agrônomo, Lucas Gouvea Vilela Esperandino, lembra que as biotecnologias Bt têm origem em proteínas produzidas por bactérias do gênero Bacillus thuringiensis. “A primeira liberação no Brasil ocorreu em 2007, e desde então avançamos até chegar às tecnologias mais recentes”, relata.

Esperandino explica que as tecnologias evoluíram das versões monogênicas – com uma única proteína – para combinações de duas ou mais proteínas, culminando na terceira geração. “Com a piramidação da proteína Vip3, a partir de 2015, houve um aumento da área plantada com esta biotecnologia, culminando em uma maior pressão de seleção sobre pragas. Embora ainda não existam relatos oficiais de resistência à Viptera, há registro de escapes em algumas lavouras, o que reforça a necessidade de posicionamento adequado dos inseticidas dentro do sistema de manejo”, explica.

Na Fazenda Experimental, os cooperados acompanharam os diferentes grupos químicos disponíveis para o controle da lagarta-do-cartucho.

Equipe técnica e cooperados em dia de campo sobre manejo de lagartas

FICHA TÉCNICA

Coordenadores: Lucas Gouvea Vilela Esperandino (Campo Mourão) e Andrew Akihito Ouchita Gomes (Quarto Centenário)

Equipe técnica: Sidivan Loop (Laguna Carapã), Marcio Rech (Ponta Porã) e Giordana Tonin de Souza (Dourados)

Esperandino comenta que cada grupo atua de forma distinta, seja no sistema nervoso e muscular, na fisiologia da lagarta, na respiração ou no intestino. A demonstração mostrou como cada solução se comporta e quais critérios devem orientar a tomada de decisão. “O monitoramento é essencial, pois o tempo para controlar a Spodoptera é muito curto. O cooperado precisa observar lagartas de até segundo ínstar, que é o momento em que a maioria dos produtos apresenta eficiência”, destaca.

O volume de calda, a regulagem dos equipamentos e o momento de intervenção também fazem parte dessa estratégia. A Escala Davis, ferramenta amplamente utilizada no diagnóstico, auxilia na definição do momento ideal de aplicação. Para híbridos com tecnologia Viptera, a recomendação é intervir quando 4% das plantas apresentarem nota 3, que corresponde às raspagens iniciais com lesões de até 1,3 centímetro. “Esse é o ponto ideal para realizar o manejo químico.”


Os desafios da plantabilidade e sua influência no resultado das culturas


A plantabilidade, entendida como a qualidade da distribuição de sementes, tanto na profundidade quanto no espaçamento, é determinante para o estabelecimento do estande inicial e para o desempenho das culturas. Fatores como qualidade das sementes, regulagem da semeadora, velocidade de plantio e condições de solo influenciam diretamente o resultado.

O engenheiro agrônomo, José Petruise Ferreira Junior, explica que a plantabilidade deve ser tratada de forma ampla, envolvendo etapas anteriores e posteriores ao plantio. “A plantabilidade impacta diretamente em todos os momentos. Não se trata apenas da operação de semeadura, mas de um processo contínuo que exige atenção em cada fase.”

Demonstração de equipamentos e regulagem de semeadora

FICHA TÉCNICA

Coordenadores: Fernando Daniel Negrini (Rancho Alegre do Oeste), José Petruise Ferreira Júnior (Campo Mourão)

Equipe técnica: Hayan Fernando de Oliveira (Rio Brilhante), Kaio Roberto Conceição Cardoso (Caarapó) e Bruno Henrique Souza (Sidrolândia)

Petruise destaca que todas as etapas da operação têm peso equivalente para o resultado. O processo inicia no corte da palha, que exige a escolha adequada do disco conforme cobertura vegetal e condições do solo. “Entre as opções estão os discos ondulado, corrugado, estriado e liso. Cada um é indicado para situações específicas.”

Ele também enfatiza a importância da capacitação da equipe envolvida na operação. Colaboradores, cooperados e assistência técnica precisam estar alinhados. A tecnologia, sozinha, não garante bons resultados. “Máquinas modernas e de alta capacidade operacional dependem da qualidade das sementes, do manejo adequado, do sistema de plantio direto e da rotação de culturas. A tecnologia não é garantia de sucesso. A correta regulagem dos equipamentos e a execução criteriosa da semeadura são fundamentais.”

O cooperado Agostinho Francisco Ludwig, de Maracaju, destaca o papel da Fazenda Experimental como referência para os cooperados. “No encontro é mostrada a realidade sem maquiagem, direto e transparente”, afirma. Ludwig reforça que o plantio é determinante para o resultado de cada safra. “É o primeiro passo. A semente incorpora tecnologias e representa um investimento significativo, tornando essencial uma operação bem regulada.”

Ele entende que a aplicação adequada da tecnologia deve ocorrer de ponta a ponta, desde a distribuição até o fechamento do processo, garantindo condições para o melhor desempenho das plantas.

Agostinho Francisco Ludwig, cooperado em Maracaju

Agostinho Francisco Ludwig, cooperado em Maracaju

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