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A escolha de Campo Mourão como sede do lançamento do Programa Nacional de Conservação dos Solos (PNCS) foi por uma combinação de fatores técnicos, políticos e simbólicos que colocaram o município no centro de um dos mais importantes momentos da política agrícola brasileira na década de 1970. A erosão avançava de forma alarmante sobre as áreas produtivas do Noroeste do Paraná e a cidade reunia as condições ideais para se tornar vitrine de uma nova estratégia nacional de conservação do solo.
A região era reconhecida como uma das mais afetadas pelo problema. Campo Mourão e seu entorno enfrentavam um processo acelerado de degradação, agravado pela mecanização intensiva da agricultura e pela retirada da cobertura vegetal. A erosão comprometia a fertilidade da terra e colocava em risco a sustentabilidade da produção agrícola.
O agricultor e vice-presidente da Coamo em 1976, Getúlio Ferrari, liderança de destaque, foi um protagonista e articulador do movimento que mudaria o destino da cidade. Ferrari compreendeu que o enfrentamento da erosão exigia mais do que soluções técnicas: era necessário inserir o município na agenda nacional.
Sabendo que o governo federal pretendia lançar um programa nacional, mas ainda não havia definido o local, Ferrari, incentivado pelo secretário estadual da Agricultura Paulo Carneiro, fez o pedido durante um encontro com o ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli.
O breve diálogo foi suficiente para mudar o rumo dos acontecimentos. A decisão consolidou Campo Mourão como sede do lançamento do PNCS (Plano Nacional de Conservação de Solos) e a cidade se mobilizou intensamente para a realização do evento. A organização envolveu uma ampla rede de lideranças locais, destacando-se a atuação do engenheiro agrônomo, José Aroldo Gallassini, presidente do Conselho de Administração da Coamo, com a Secretaria da Agricultura, cooperativas, sindicatos e clubes de serviço.
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“A gente esperava a presença de mais de 15 mil pessoas, entre agricultores, estudantes, cooperativistas e autoridades. Campo Mourão passaria a ser uma referência nacional no enfrentamento da erosão”, lembra Gallassini, e a programação foi cuidadosamente preparada com atos institucionais e demonstrações práticas.
O ponto alto seria o lançamento do programa em uma lavoura, com a execução de técnicas conservacionistas. O próprio ministro manifestou o desejo de participar ativamente da ação, afirmando que pretendia subir no trator e “dar o primeiro risco de uma curva em nível”, gesto que simbolizava a aproximação entre a política pública e a prática agrícola.
O prefeito Renato Fernandes destacou a importância do momento, reconhecendo que a cidade carregava “profundas feridas provocadas pela erosão”. Do ponto de vista histórico, o lançamento do PNCS em Campo Mourão representou mais do que a implementação de uma política pública. Ao provocar o ministro e apresentar uma solução concreta, Ferrari não apenas garantiu o lançamento do programa em Campo Mourão, mas também projetou o município como protagonista na história da conservação dos solos no Brasil.
Assim, o episódio tornou-se emblemático. Ele sintetiza um momento em que a iniciativa individual, aliada à organização coletiva, foi capaz de influenciar decisões de alcance nacional. Campo Mourão, a partir dali, deixou de ser apenas um território afetado pela erosão para tornar-se símbolo da luta pela preservação do solo e pela construção de uma agricultura mais sustentável.
O DIA
No dia marcado para o lançamento do Programa Nacional de Conservação de Solos (PNCS), Campo Mourão viveu um dos momentos mais emblemáticos de sua história agrícola. Participaram o ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli, acompanhado do governador do Estado do Paraná, Jaime Canet Júnior, do secretário da Agricultura, Paulo Carneiro, com outras autoridades e lideranças. Eles se dirigiram à praça Bento Munhoz da Rocha Netto, a “Praça do Fórum”, com grande número de populares para lançar o Plano Nacional de Conservação de Solos.
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