Coamo Agroindustrial Cooperativa | Edição 572 | Setembro de 2026 | Campo Mourão - Paraná

AGROINDUSTRIALIZAÇÃO

agroindustrialização


Mulher de jaleco e touca segurando um queijo em prateleira de maturação da queijaria

Do leite ao queijo, novos caminhos no campo

A partir da produção de leite, família de Cantagalo encontrou na fabricação de queijos uma alternativa para diversificar a atividade, ampliar a renda e agregar valor à produção

A atividade leiteira faz parte da trajetória de Ordilei José Dufech de Souza, cooperado da Coamo em Cantagalo, no Centro-Sul do Paraná. Filho de agricultores, nasceu e cresceu no meio rural e manteve a ligação com a agricultura mesmo durante o período em que trabalhou como motorista de caminhão.

Em 2015, iniciou a produção de leite em uma propriedade de três alqueires, dos quais aproximadamente dois e meio são utilizados para a produção agrícola. Com a área limitada, a família buscou uma alternativa para ampliar a renda e passou a utilizar parte da produção na fabricação de queijo. A agroindústria começou a ser estruturada em 2020 e entrou em atividade no início de 2021. “Com a área pequena e sem condições de aumentar o número de animais, optamos por beneficiar uma parte do leite e fazer queijo como opção para ampliar a renda”, explica o cooperado.

Atualmente, a propriedade conta com 16 animais em produção, mantidos em sistema de Compost Barn. A produção média é de cerca de 27 litros por vaca ao dia. O manejo conta com acompanhamento técnico da Coamo nas áreas de nutrição e reprodução.

Cerca de 40% do leite produzido é comercializado com um laticínio parceiro, principalmente nos períodos em que a família não produz queijo.

Família em pé atrás de mesa com queijos, medalhas e fitas de premiação

Casal Ordilei e Solange com os filhos Eduardo e Diego. Família unida na produção de queijos

Os outros 60% seguem para a agroindústria, onde são transformados em queijo e comercializados pela família em feiras e estabelecimentos da região. “Começamos fazendo queijo para nosso consumo. Depois fomos entregando para a família, e da família vieram os vizinhos. Aí começou a aparecer a vontade de fazer mais queijo”, conta Solange, esposa do cooperado e responsável pela produção.

Ela recorda que durante a pandemia de Covid-19, a família recebeu a visita de técnicos do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), que orientaram sobre a implantação da agroindústria e a família decidiu investir. Com a nova estrutura, a família passou a participar de capacitações e teve contato com técnicas de fabricação, utilização de fermentos e processos de maturação. “Até aquele momento, a gente fazia um queijo simples. Com os cursos, começamos a entender o que era trabalhar um queijo de verdade, o que significava maturar, usar fermento e aplicar técnicas diferentes”, explica Solange.

A primeira participação em concurso ocorreu em 2023, no Prêmio Queijo Paraná. A família inscreveu quatro produtos e recebeu duas medalhas Super Ouro, com produtos entre os dez melhores do Paraná, além de uma medalha de ouro para o queijo defumado. Depois, vieram participações em concursos nacionais e uma premiação mundial.

O resultado no Paraná também proporcionou uma viagem técnica à França, experiência que trouxe referências para o trabalho desenvolvido em Cantagalo. “Somos do interior de Cantagalo e não conhecíamos o mundo do queijo daquela forma”, afirma Solange.

Após a viagem, a família desenvolveu o Aroma do Campo, um queijo floral. Foram oito meses de trabalho até chegar ao produto apresentado em concurso. Em 2025, no segundo Prêmio Queijo Paraná, o queijo ficou entre os dez melhores do Estado.

A propriedade é livre de tuberculose e brucelose, condição que integra os cuidados adotados na produção do leite utilizado na fabricação dos queijos. “A gente procura trabalhar da melhor maneira possível para produzir queijos de qualidade e entregar um produto seguro”, afirma Solange.

Atualmente, a queijaria processa cerca de 350 litros de leite por dia. A família também mantém testes e projetos para desenvolver novos produtos. “Estamos sempre olhando para a frente, buscando inovar e trazer produtos diferentes. Quando o cliente sabe que existe uma novidade, ele quer conhecer e experimentar”, diz Solange.

A atividade também ampliou a relação da propriedade com consumidores e visitantes. A queijaria recebe pessoas interessadas em conhecer o processo de fabricação, além de excursões. “Também fazemos parte da Rota do Queijo Paranaense e de uma associação”, conta Solange.

Veterinária e cooperados em curral coberto com vacas leiteiras e sacos de ração

Médica veterinária, Maria Luiza Romanichen, acompanha de perto todo o manejo de nutrição e sanidade dos animais

A produção de queijo começa antes da ordenha. O manejo do rebanho envolve alimentação, sanidade, higiene e acompanhamento técnico da Coamo. O trabalho inclui o planejamento da alimentação das vacas e os cuidados durante a ordenha, considerando que o leite é destinado tanto à comercialização quanto à fabricação de queijos.

A médica veterinária, Maria Luiza Romanichen, da Coamo em Cantagalo, explica que a assistência começa na produção da silagem. “A gente acompanha desde o corte da silagem, utilizando a peneira Penn State para verificar o tamanho das partículas. Depois, fazemos a análise bromatológica para elaborar a dieta”, explica Maria Luiza.

Além da silagem, os animais recebem ração Coamo, com 20% de proteína e outros complementos. A dieta considera os níveis de proteína e é ajustada de acordo com as características dos animais e a resposta produtiva. “A ração é uma das principais bases da dieta, junto com a silagem. A partir desses ingredientes, acrescentamos os demais componentes para completar a formulação”, afirma a veterinária.

A alimentação integra um conjunto de cuidados que inclui sanidade e higiene. “Para produzir um leite de qualidade, é preciso olhar para o manejo como um todo. A alimentação, a sanidade e a higiene na ordenha estão relacionadas ao resultado. O leite é a matéria-prima do queijo. Por isso, todos os cuidados com o animal, desde a alimentação e a sanidade até a ordenha, são importantes para o resultado da produção”, explica a médica veterinária.

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